Repercussão internacional


Petróleo mostra que ‘Deus pode mesmo ser brasileiro’, diz ‘Economist’

Revista comenta posição do país sobre energias alternativas
Reportagem publicada na edição desta semana na revista britânica The Economist comenta a descoberta do campo de petróleo de Tupi, num país já farto em recursos naturais, afirmando, com ironia, que “Deus pode mesmo ser brasileiro, afinal”.
“As florestas do Brasil são maiores do que as de qualquer outro. Seu solo é tão fértil que algumas árvores chegam à plena maturidade mais rápido do que as pessoas. Debaixo de seu solo há enormes depósitos minerais que são a matéria prima para o crescimento chinês de dois dígitos. O Brasil já está no caminho para se tornar uma superpotência da energia alternativa”, lista a revista.
“E como se provasse o dito popular de que ‘Deus é brasileiro’, agora parece que há bilhões de barris de petróleo a mais do que se pensava antes sob as águas profundas da costa brasileira”, diz a reportagem.
A Economist observa que a exata dimensão do novo campo ainda é desconhecida, mas que se as estimativas da Petrobras estiverem corretas, já seria maior do que todas as reservas da Noruega e representam a segunda maior descoberta de petróleo no mundo em duas décadas.
Reforço na economia
A reportagem relata as dificuldades técnicas para a extração do petróleo de Tupi, debaixo de uma grossa camada de sal, mas afirma que “é razoável assumir que a economia brasileira e sua moeda terão um reforço quando o petróleo começar a fluir, como é esperado, em 2010”.
“A descoberta pode também mover a balança de poder na América do Sul mais ainda em favor do Brasil”, diz o texto “Já auto-suficiente em petróleo, o Brasil deve agora se tornar um exportador significativo. Isso pode reduzir a influência na região do rico em petróleo presidente da Venezuela, Hugo Chávez”, afirma.
A revista comenta, porém, que “em meio à euforia”, houve suspeitas sobre o momento escolhido para o anúncio da descoberta da Petrobras. “Menos de uma semana depois, a companhia anunciou resultados financeiros ruins, com um lucro 22% mais baixo comparado com o mesmo trimestre do ano anterior”, diz o artigo.
A revista observa ainda que a Petrobras também enfrenta “crescentes dificuldades para suprir gás natural às usinas termelétricas, especialmente desde a quase-nacionalização dos seus campos na Bolívia, no ano passado”. “Algumas pessoas vêem o anúncio sobre o campo de Tupi como uma tentativa de desviar a atenção sobre isso”, diz o texto.

Fenômeno regional


Desigualdade ainda ameaça AL apesar de queda na pobreza

Márcia Carmo
De Buenos Aires

Região ainda tem pouco menos de 200 milhões de pobres e indigentes
Um estudo da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), divulgado em Santiago, no Chile, elogiou a redução da pobreza na América Latina, que atingiu o menor número em 17 anos, mas criticou a concentração de renda, que persiste na região.
O estudo afirma que a América Latina ainda apresenta “múltiplas brechas sociais que separam os grupos mais vulneráveis dos que têm melhores condições de vida”, o que, segundo o documento, “ameaça a coesão social”.

Apesar da ponto negativo, o “Panorama Social da América Latina 2007” mostra que, pela primeira vez desde 1990, o número de pobres na região ficou abaixo de 200 milhões – 194 milhões eram pobres em 2006.

No ano passado, segundo o estudo, 15 milhões de pessoas (equivalente à população do Chile) saíram da pobreza e dez milhões deixaram de ser indigentes na América Latina.

O documento destaca também o progresso em alguns países como o Brasil onde, entre 2001 e 2006, seis milhões de pessoas deixaram de ser indigentes. “Os programas públicos, especialmente o Bolsa Família, tiveram influência decisiva nesse desempenho”, diz o documento da Cepal.

Pobreza em queda

A expectativa, segundo o organismo das Nações Unidas, é de que a pobreza e a indigência voltem a cair em 2007, registrando, no fim deste ano, 35,1% de pobres (190 milhões de pessoas) e 12,7% de indigentes (69 milhões de pessoas).

No ano passado, 36,5% da população da região viviam em situação de pobreza (3,3 pontos percentuais a menos que em 2005) e a indigência atingia 13,4% (2 pontos percentuais a menos que no ano anterior).

Com isso, os pobres eram 194 milhões e 71 milhões eram indigentes.

“Se se compara 2006 com 1990, existem 20 milhões de indigentes a menos na região”, afirma o documento da Cepal.

Metas

O estudo mostra ainda que Brasil, Chile, Equador e México já atingiram as metas estabelecidas para redução da pobreza, entre 1990 e 2015.

“Cabe concluir que a região como um todo se encontra bem encaminhada no seu compromisso de diminuir a pobreza extrema”, afirma o documento.

O estudo destaca que o “dinamismo do mercado de trabalho” contribuiu para o melhor resultado no Brasil e em outros países da região, como Chile.

O estudo da Cepal destaca ainda que a presença das crianças, do ensino primário, nas escolas “é quase universal” (97%) na região.

Também aumentou, nos últimos anos, a freqüência escolar entre jovens. “A maior presença na escola beneficiou, principalmente, os filhos dos pais com pouco estudo”, destaca.

Do Correio da Cidadania


Fora do socialismo também há salvação

Escrito por Luiz Eça

A eleição da Argentina era considerada um verdadeiro plebiscito sobre o presidente Néstor Kirchner. Os círculos da direita receberam mal a vitória, com mais de 45% dos votos da candidata oficial. É obvio. O que causa estranheza são as críticas de parte da esquerda ao governo e às perspectivas de serem mantidas suas linhas gerais pela nova presidente. Chegaram a falar que a política econômica de Kirchner foi pautada pela ortodoxia.

Ora, enfrentar o mercado internacional, forçando-o a aceitar uma reestruturação de 75% da dívida externa de 178 bilhões de dólares na base de um terço do seu valor está longe de ser um procedimento ortodoxo.

Mas a heterodoxia de Kirchner não parou aí. Ele renegou um dos principais dogmas do FMI – a liberdade dos mercados -, ao instituir uma taxa sobre as principais commodities exportadas pelo país, mantendo assim o dólar apreciado e o peso desvalorizado, para garante maior competitividade internacional aos produtos argentinos.

Na contramão do neoliberalismo que assola a América do Sul, o presidente reestatizou empresas públicas privatizadas por Menem que prestavam maus serviços, como a Águas Argentinas (multinacional de origem francesa), o Metrô de Buenos Aires, o Correo Argentino e a Thales Espectrum (reguladora do espaço rádio-elétrico argentino).

Essas medidas eram essenciais ao seu projeto de promoção do desenvolvimento do país em termos nacionalistas.

Quando Kirchner assumiu, em 2003, a Argentina estava na bancarrota, tendo seu PIB caído desastrosos 20%. Como resultado das políticas governamentais, o país sofreu uma completa transformação. Nos 5 anos e meio de Kirchner, a taxa média de crescimento da Argentina alcançou 8,7% – a mais alta do hemisfério ocidental, três vezes maior do que a média da América Latina.

E quem ganhou mais com este vertiginoso enriquecimento do país?

As estatísticas respondem que foram as classes menos favorecidas. Mais de 11 milhões de pessoas, 28% da população, saíram da linha da pobreza, com a redução do seu número de 54%, em 2002, para 23%,em 2007.

O desemprego, que, em 2002, deixava sem rumo 21% da população, caiu para 8,5%, em 2007. Nesse mesmo período, os mais pobres triplicaram seus rendimentos.

Mas a elevadíssima inflação de 41% que Kirchner encontrou no início do seu mandato foi um obstáculo à elevação da qualidade de vida do povo. Kirchner buscou reduzi-la, primeiro congelando preços. Quando começaram a desaparecer produtos das prateleiras, ele, embora mantendo congeladas as tarifas dos serviços públicos de transporte, gás e correio, mudou de tática. Passou a forçar acordos com segmentos empresariais para evitar aumentos.

Quando necessário, não deixou de intervir na economia. Ele tornou crime a formação de estoques especulativos e promoveu boicotes contra empresas e setores que não colaboravam na luta anti-inflacionária, como os pecuaristas, os frigoríficos e a Shell. Contra esta poderosa multinacional, que se recusava a manter seus preços, o presidente convocou o povo a não entrar nos postos de gasolina dela. A seguir, aplicou sucessivamente duas multas de 1,6 milhão e 7,3 milhões de dólares por desabastecimento de gasolina e diesel, terminando por solicitar a prisão de dois executivos da companhia.

Apesar dos esforços do presidente, a inflação ainda é alta. Note-se que baixou consideravelmente – de 41,5%, em 2002, para 13%, previstos em 2007 pelo conceituado economista Dante Sica.

Censura-se também Kirchner por adotar políticas sociais compensatórias, tipo Bolsa Família. De fato, um programa análogo existe, garantindo uma renda de 150 pesos ao chefe de família desempregado que se encontra abaixo da linha da pobreza (dados de 2003). No entanto, tem efeito residual na redução da pobreza, a qual se deve basicamente aos aumentos do número de empregos, dos salários e das aposentadorias.

A um levantamento das realizações progressistas do governo Kirchner não pode faltar a revogação da anistia aos militares e policiais envolvidos em tortura e assassinatos, que provocou a abertura de processos em todo o país, alguns já concluídos com a condenação dos réus. E, certamente, o abandono do alinhamento automático com o governo americano.

Em diversas ocasiões, Kirchner opôs-se frontalmente a Washington. Foi o que aconteceu na conferência de Mar del Plata, quando liderou, junto com Chávez, a recusa dos países do Mercosul em aceitar a ALCA como fora apresentada. Logo na sessão inaugural (com a presença de Bush), Kirchner afirmou a “inescapável e indesculpável responsabilidade dos Estados Unidos pelas políticas que levaram a América Latina à pobreza e tragédia social”.

Com essa folha corrida, ainda assim Kirchner é visto com restrições por alguns grupos de esquerda, que o vêem mais próximo de Lula do que de Chávez.

Os fatos provam o contrário.

Na verdade, Kirchner não é totalmente igual ao presidente venezuelano, pois se veste bem, é culto, tem um porte elegante, não tem ascendentes índios, fala inglês e talvez até francês. Por outro lado, não insulta estadistas estrangeiros, nem deseja reeleger-se muitas vezes. E, supremo defeito, não é um socialista bolivariano… ou mesmo, “san martiniano”. Mas, no essencial, seu governo foi tão independente, desenvolvimentista e favorável aos pobres quanto é o de Chávez. E olhe que a Argentina não tem todo aquele petróleo.

Luiz Eça é jornalista.

Essa foi demais!


Britânico é condenado por fazer sexo com bicicleta

Faxineiras viram Robert Stewart simulando sexo com uma bicicleta
O britânico Robert Stewart foi condenado a três anos de prisão em regime aberto depois de ser flagrado fazendo sexo com uma bicicleta no abrigo onde morava, em Ayr, na Escócia.
Stewart, de 51 anos, admitiu ter agido de maneira inapropriada, simulado sexo e violado a paz com uma ofensa sexual e teve seu nome incluído no cadastro de pessoas condenadas por crimes sexuais – que inclui estupradores e pedófilos – por três anos.
O britânico foi denunciado depois que as faxineiras do Aberley House Hostel, um abrigo do governo que acomoda pessoas que não têm onde viver, o flagraram com a bicicleta e pediram ao gerente que chamasse a polícia.
“Elas bateram na porta do quarto diversas vezes e não houve resposta. Elas usaram a chave-mestra para abrir a porta e se depararam com o acusado vestindo apenas uma camiseta branca, nu da cintura para baixo”, disse o promotor Gail Davidson ao tribunal.
“O acusado estava mexendo os quadris para frente e para trás simulando sexo.”
Na hora da sentença, o juiz Colin Miller disse a Stewart: “Em quase quatro décadas trabalhando com a lei, eu achava que tinha visto todo tipo de perversão conhecido pela humanidade, mas essa é nova para mim. Eu nunca tinha ouvido falar de um ‘tarado por bicicletas'”.

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Roliúde Nordestina fica na Paraíba
Cabaceiras, a 189 quilômetros de João Pessoa, foi cenário de 23 filmes nacionais. Romance, de Guel Arraes, foi último filme rodado na cidade e ainda não está em cartaz.
Glauco Araújo Do G1


A Roliúde Nordestina fica em Cabaceiras, na Paraíba (Foto: Glauco Araujo/G1)
O semi-árido paraibano revela uma cidade com ares cinematográficos. Um letreiro branco, com aproximadamente 80 metros de comprimento, indica a expressão “Roliúde Nordestina”. Trata-se do portal de entrada da cidade de Cabaceiras, que fica a 189 quilômetros de João Pessoa.
Veja galeria de fotos da Roliúde Nordestina

Leia também: Bode é tratado como rei na Roliúde NordestinaCom uma vegetação e arquitetura bastante diferente da Hollywood original, em Los Angeles, nos Estados Unidos, Cabaceiras já conta com uma filmografia de 23 títulos, entre longas e curta-metragens e documentários. O último, filmado no começo deste ano, recebe o nome de Romance, é de autoria de Guel Arraes e ainda não foi lançado. O primeiro a ser rodado no local foi Ferração dos Bodes, de Antonio Barrancas, em 1921, e trata da caprinocultura local. Auto da Compadecida, outro filme de Arraes, é considerados pelos cabacenses o que trouxe definitivamente o cinema para cidade. “Esse filme praticamente colocou a cidade no roteiro do cinema nacional. Não tenha dúvida que é o cinema, hoje, um dos maiores atrativos turísticos da cidade. Só perde para um dos nossos caprichos da natureza, que é o Lajedo de Pai Mateus”, disse Gilsane Castro, diretora de turismo da cidade. A Roliúde Nordestina passou a existir de forma semelhante a da Hollywood norte-americana, que foi escolhida por conta do clima e para descentralizar a produção cinematográfica de Nova York, onde chovia e nevava muito. Em Cabaceiras, a ocorrência de chuva é quase um milagre e é justamente a ausência de água vinda dos céus que a tornou uma das preferidas dos diretores de cinema.
Além do clima, outro fator fez da cidade um cenário natural para filmes brasileiros. “A arquitetura que temos é muito característica. A cidade foi fundada em 1735, as casas de hoje ainda são as mesmas e guardam muito detalhes da época”, disse Gilsane.
Na claquete
O envolvimento dos moradores de Cabaceiras com o cinema não se resume a apenas assistirem aos filmes na telona ou na televisão. Eles participam da produção e até mesmo contracenam com atores experientes. “Criou-se um mercado de trabalho local nesta área. Temos pessoas que operam câmeras, fazem maquiagem, atores e até segurança”, disse a diretora de turismo. Segundo ela, o custo de uma produção cinematográfica pode cair em torno de 30% quando rodado em Cabaceiras. “Com o passar dos anos, as pessoas daqui foram ficando mais experientes e a qualidade também foi ficando melhor.” O aluguel de uma casa, na Roliúde Nordestina, custa em torno de R$ 400 por mês para gravar um filme, enquanto que com o mesmo valor só é possível uma diária em São Paulo. A diferença dos cachês dos atores e figurantes locais com o que é pago nas grandes capitais também é grande. Em Cabaceiras, o preço médio é de R$ 20. Em São Paulo, por exemplo, é de R$ 50 para figuração.