Brasil cresce, mas continua concentrando


Brasil segue concentrando renda, diz pesquisa


(1’43” / 406 Kb) – A renda média das classes A e B no Brasil cresceu mais 7 % em relação ao ano passado. A classe C registrou acréscimos de 4%, enquanto para as classes D e E o aumento foi de 2%. Estas informações constam na pesquisa realizada pelo Instituto LatinPanel.As classes A e B – aqueles que recebem acima de R$ 3,8 mil – tiveram acréscimos na renda, movidos principalmente, pelos altos rendimentos das aplicações financeiras, que cresceram 216% este ano. Para o economista e consultor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Guilherme Delgado, a pesquisa comprova que a economia brasileira continua concentrando renda. Mas Delgado também aponta uma precarização da classe média. “Há um perfil de distribuição de renda em que você consegue proteger, os titulares de salário mínimo e os que estão muito ricos. Mas abaixo do salário mínimo e acima do salário mínimo, você tem um grau de desproteção grande, porque não há nenhuma garantia vinculada a contratos ou a direitos.”Segundo Delgado, na base da pirâmide social o Bolsa Família está funcionando. Para os que estão um pouco acima, existem os direitos vinculados ao salário mínimo, como a previdência e a assistência social, que distribuem para estes setores milhões de reais mensalmente. Já os setores que compõe a classe média têm seus rendimentos ajustados de acordo com razões próprias do mercado, e não por critérios de proteção da política social.A taxa de crescimento de renda da média geral da população foi de 5%.De São Paulo, da Radioagência NP, Vinicius Mansur.

Lula engole a oposição, segundo El País


El País declara: Lula ocupou espaços e “comeu oposição”

Redação Portal IMPRENSA

Graças à sua “capacidade para intuir o que o público quer ouvir”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou “comendo a oposição, ocupando todos os espaços”, diz texto publicado na versão on-line do jornal El País.
O jornal afirmou que a oposição admitiu que é difícil se opor a um líder como o presidente Lula que tem o apoio da massa popular, e salientou que ” o presidente é tão consciente disso que em um momento delicado de seu mandato chegou a ameaçar a oposição com ‘levar o povo às ruas'”.
O jornal declarou que o “ex-torneiro mecânico” conseguiu juntar aliados e adimiradores nas duas bases (esquerda e direita), reunindo assim, praticamente todas as forças políticas.
O artigo publicado nesta sexta-feira(16) relata que “Lula inclusive ironiza sobre a oposição, dando a entender que seus deputados têm um preço, já que sempre podem acabar sendo comprados para que votem suas propostas no Congresso em troca de algum tipo de ajuda”. O texto ainda comenta que em 2005 a política de subornos do PT quase levou o partido a destruição.
De acordo com reportagem de O Estado de S.Paulo, a intenção da análise era mostrar que um governo sem oposição ou que a subestima “pode, no longo prazo, criar maiores riscos do que uma ditadura, já que se desvanecem os estímulos para lutar para mudar sua situação”.

Opinião


Recursos para a Saúde não justificam prorrogação da CPMF

Escrito por Mateus Alves

O principal debate político-econômico da primeira metade de novembro tem sido a decisão sobre a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras), o chamado “imposto do cheque”.

Criada em 1997 como maneira de gerar recursos para o sistema de saúde do país, a contribuição, ao longo dos anos, foi perdendo o seu caráter provisório e se tornando cada vez mais permanente.

Tudo indica que o atual governo, através de costuras políticas em sua base de sustentação, terá todas as condições de prorrogar até 2011 a cobrança do tributo, uma vez que a base aliada parece ter concordado com as propostas de redução gradual da alíquota do imposto e com a isenção de pagamento aos assalariados que ganham menos de R$ 2.894. O mais recente episódio referente ao tributo – o governo substituiu o senador Pedro Simon (PMDB-RS), contrário à CPMF, na Comissão de Constituição e Justiça, para derrubar o relatório da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que vetava a prorrogação da CPMF, e foi vitorioso – corrobora essa previsão otimista para o governo.

A função original da CPMF de financiar a Saúde, no entanto, foi desvirtuada ao longo dos anos. Dada a manutenção de crescentes superávits fiscais (receitas menos despesas, exceto juros), tanto no governo FHC como no governo petista hoje no poder, como forma, entre outros, de honrar os crescentes encargos financeiros da dívida pública, aqueles que se opõem ao tributo questionam a sua existência. O imposto é mais um, dentre muitos, cuja destinação principal tem sido o pagamento de juros. Basta pensar, nesse sentido, que a DRU (Desvinculação da Receita da União) leva a que 20% do total arrecadado via CPMF sejam desviados da função original.

Além da desvirtuação de suas funções originais, o advogado tributarista Osiris Lopes Filho alerta ainda para outro malefício da cobrança da CPMF: o seu efeito em cascata, que, embora pouco perceptível para o consumidor final, faz com que preços finais sejam elevados. “A CPMF, escondida nos preços praticados no mercado, provoca conseqüências desastrosas”, diz.

Saúde: principal ponto de discussão

Logicamente, o debate sobre a questão do financiamento dos serviços públicos de saúde domina a pauta no momento em que o governo tenta prorrogar por mais quatro anos a cobrança da CPMF.

Guido Mantega, ministro da Fazenda, declarou, há alguns meses, que tanto o sistema de saúde como outras políticas sociais do governo Lula, além do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) – responsáveis maiores pelos altos índices de popularidade do mandatário petista –, seriam ameaçadas caso o imposto não fosse prorrogado.

A oposição não tardou em contra-argumentar, dizendo que o imposto não era necessário, uma vez que o montante destinado à Saúde já estava definido pelo Orçamento Geral da União – e que pouco importava se a fonte destes recursos fosse a CPMF ou não, pois haveria outras maneiras de garantir a quantia.

A Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil) também questiona a prorrogação da CPMF. Uma pesquisa feita pela entidade demonstra que o imposto é débil ao transferir recursos arrecadados à Saúde. Segundo a entidade, em 2006, somente 40,22% do total arrecadado foi transferido ao sistema de saúde do país, com o resto sendo destinado a outros programas sociais e 17,68% ficando retidos no Tesouro Nacional (clique aqui para ver a tabela).

No entanto, defensores da prorrogação da CPMF garantem que há, sim, uma necessidade de continuar a cobrança do tributo. Para 2008, de acordo com governistas, o montante adicional destinado à saúde proveniente do imposto seria de R$ 4 bilhões – valor essencial para aumentar a qualidade dos serviços de saúde prestados à população.

Segundo o vereador paulistano Carlos Neder (PT), soma-se à prorrogação da CPMF o projeto que regulamenta a Emenda 29, de autoria do deputado Roberto Gouveia (PT/SP). O PL tem como principal função alocar corretamente os percentuais de recursos disponíveis para a Saúde no Brasil, inclusive o financiamento proveniente da CPMF.

“Deverá haver um aumento de R$ 24 bilhões no orçamento destinado à Saúde, proveniente da regulamentação da Emenda 29 – e, se considerarmos que o orçamento anual é de R$ 40 bilhões, trata-se de um aumento considerável”, diz Neder.

O economista Guilherme C. Delgado, do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), aprofunda essa discussão, afastando-a do foco maniqueísta. Segundo ele, realmente, “não há como abrir mão do imposto até encontrarmos uma alternativa”.

Delgado alerta para o fato de que, apesar de a CPMF ser o principal foco de atenção da mídia e da sociedade, a discussão sobre a DRU – que faz com que cerca de 8% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro sejam destinados ao pagamento da dívida pública – passa incólume. Mais uma vez nos afastamos, assim, da origem dos problemas estruturais de nosso país, já que a real causa dos malefícios por trás do “imposto do cheque” permanece aquém do conhecimento popular.

Mateus Alves é jornalista.

Zumbi dos Palmares


Mais de 260 cidades comemoram o Feriado da Consciência Negra
Como não é obrigatório, feriado é definido pelas administrações municipais. Data marca a morte de Zumbi e o fim do Quilombo dos Palmares.

Do G1, em São Paulo

O Dia da Consciência Negra – data que marca a morte de Zumbi dos Palmares, em 1695 – será comemorado em mais de 260 cidades no dia 20 de novembro.

Ao todo, 267 municípios enviaram ofícios à Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Sppir) informando que instituíram o feriado no dia 20. Como as prefeituras têm autonomia para aprovar o feriado e não precisam obrigatoriamente comunicar a secretaria, esse número pode ser bem maior.

A data comemorativa foi instituída em território nacional pela lei nº 10.639, de janeiro de 2003. A mesma lei tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas.

Além da morte de Zumbi, após ser denunciado por um companheiro e capturado pelos portugueses, o dia também marcou o fim do Quilombo dos Palmares, o maior do país, em Alagoas. O local chegou a abrigar mais de 30 mil negros.

Para o secretário-adjunto da Seppir, Martvs das Chagas, a proposta do Dia da Consciência Negra surgiu da “necessidade de reconhecer um herói nacional negro, como foi Zumbi dos Palmares”.

“É um resgate da cultura e da identidade nacional, com a perspectiva de mudar a história maldita e perversa que coloca o negro apenas como mão-de-obra escrava”, disse Chagas.

Da Época


O futuro do trabalho
Como lidar com a tecnologia, administrar empresas e construir carreiras num mundo totalmente globalizado

Alexa Salomão, Amauri Segalla e Maria Laura Neves

Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da revista Época de 19/novembro/2007.
Assinantes têm acesso à íntegra no leia mais no final da página.
INTERNACIONALFelipe Athayde em Boats Quay, no centro financeiro de Cingapura. Ele diz que o profissional globalizado não pode ter medo de mudar
Uma das principais funções do carioca Luciano Oliveira, de 32 anos, é acolher executivos estrangeiros que visitam o Brasil, levá-los a restaurantes típicos, indicar hotéis e até roteiros de viagem para os fins de semana. Não, Oliveira não é guia turístico. Ele é gerente de projetos da consultoria Roland Berger. Os estrangeiros acolhidos por ele são seus colegas, que vêm dos 35 países onde a empresa atua. Oliveira também costuma ser ciceroneado por colegas quando viaja a trabalho. Só neste ano, foram três viagens, dentro do programa de transferência de conhecimento entre equipes da Roland Berger. “No final, eles aprendem meia dúzia de palavras em português e nós aprendemos meia dúzia de palavras na língua deles”, afirma.
Oliveira faz parte do novo mundo do trabalho globalizado. Mora em São Paulo, é funcionário de uma empresa de origem alemã, tem um chefe americano e seu principal cliente, hoje, é uma empresa japonesa com operações na América Latina. Para atendê-la, a equipe da qual faz parte costuma marcar reuniões às 8 horas (8 da noite do outro lado do planeta). “Há alguns dias, fizemos uma apresentação de 80 páginas numa conferência por vídeo com os japoneses”, diz. “Achei que nos encheriam de perguntas. Mas já eram 11 da noite lá.” Oliveira empregou-se na Roland Berger depois de ter cursado a faculdade (o Instituto Tecnológico da Aeronáutica, ITA, em São José dos Campos). Mudou-se então para a capital paulista. E fez um MBA na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). Sua trajetória faculdade–empresa–MBA é similar à de centenas de jovens.
Não é de hoje que profissionais brasileiros saem do país. Há exemplos disso há décadas. (O mais famoso é Alain Belda, que se tornou presidente mundial da indústria de alumínio Alcoa.) Mas o avanço da globalização e das tecnologias está tornando esses casos a regra. Mais que isso. As empresas começam a considerar que suas diferentes equipes dos vários países são na verdade uma única equipe, espalhada pelo mundo. Isso acontece porque a concorrência entre empresas é atroz, e elas precisam de soluções rápidas, para problemas que não se circunscrevem a um único país. Façamos uma analogia com o futebol. O Brasil exporta craques desde Pelé, na década de 70. A prática se tornou uma febre na década passada. Agora, é como se, além dos craques exportados, os jogadores brasileiros, mesmo daqui, tivessem de jogar também algumas partidas dos campeonatos italiano, espanhol e inglês, cada semana com um time diferente. E tivessem, aqui, o reforço de jogadores estrangeiros. É o fim das fronteiras profissionais.