HISTÓRIA DAS GRANDES GUERRAS



PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

O assassinato do príncipe herdeiro da Áustria-Hungria em Sarajevo, por um fanático membro de sociedade secreta, foi o motivo imediato da Primeira Grande Guerra Mundial. O governo de Viena pediu explicações à Sérvia que, como nação de raça eslava, era protegida pela Rússia. As explicações da Sérvia não satisfizeram em Viena e a Áustria-Hungria declarou guerra ao pequeno país eslavo. Diante dessa ameaça, a Rússia acreditou seu dever declarar a guerra à Áustria, por urna questão de prestígio. A Alemanha, por sua vez, que sonhava com a guerra, interveio na disputa e declarou guerra à Rússia, que era aliada da França. A aliança franco-russa funcionou como era de se esperar e a 4 de agosto de 1914 a França e a Alemanha declaram-se guerra mutuamente, com diferença de horas. A Inglaterra, se bem que tenha demorado sua decisão, uma vez que a Alemanha havia invadido a Bélgica, cuja neutralidade estava garantida por tratado pela Inglaterra, e violado uma das estipulações desse tratado, declarou guerra à Alemanha. A Europa pegava fogo, literalmente. O crime de Serajevo, capital da Bósnia, foi posto pela chancelaria austríaca sob a responsabilidade da Sérvia, que era acusada da autoria intelectual e mais ainda, do crime. Embora os comissários austro-húngaros declarassem não ser a Sérvia responsável pela tragédia, o governo de Viena, que desejava a guerra, deflagrou-a em 2 de agosto de 1914, quando as tropas alemãs penetraram em território francês. O ‘ano de 1915 foi o do torpedeamento do grande navio de passageiros “Lusitânia” que, aproveitado habilmente pela propaganda aliada, carreou fortes antipatias para os chamados Impérios Centrais. Em 1916, a grande Batalha da Jutlândia que ocorreu a 31 de maio, revelou à Inglaterra a força considerável da Alemanha no mar. Contudo, essa formidável armada germânica saiu daquela jornada ferida de morte. Na primavera os alemães atacaram a praça forte de Verdun e seu campo fortificado com o chamado Exército do Kromprinz, de 600 mil homens. A defesa foi heróica, sob o comando do então General Petain. Foi nesse ano de 1916 que começou a guerra aérea. No mar foi a guerra de corso, dos cruzadores alemães que haviam sido surpreendidos no Pacífico pela declaração de guerra. Mandaram inúmeros navios de comércio e causaram danos imensos. Entretanto, o ano de 1917 corria quando ocorreu a Batalha das Malvinas, onde a esquadra britânica do almirante Sturdee destruiu os cruzadores alemães, afundando quatro deles: salvou-se apenas o “Emdem”. Os acontecimentos se seguiam sem grandes mudanças quando se deu a queda da Rússia, exausta; a 15 de março de 1917 o Czar abdica diante de urna poderosa revolução, movida pelos desastres militares e pela fome e toda sorte de privações. A Rússia fica sozinha em campo, sem nenhum auxílio. É proclamada a república com Kerensky na presidência. Nesse mesmo ano assinalam-se os primeiros movimentos de protesto em Berlim. Kerensky apela aos aliados no sentido de uma Conferência Internacional pela paz. Sua investida nesse rumo não é ouvida e a guerra prossegue juntamente com a revolução. Os soldados russos ainda fazem esforços inauditos, mas tudo começa a faltar-lhes, armas e munições bélicas e de boca Kerensky é derrubado’ a 7 de novembro de 1917 e Lênin, que assume o poder, assina a paz em separado de 8rest-Litowski, paz duríssima, pois os alemães impõem aos vencidos condições da maior severidade. Para efeitos psicológicos, os franceses armam e desencadeiam uma ofensiva na Champanha, que fracassa. Os Impérios Centrais entretanto, decretam o bloqueio da Inglaterra e das costas marítimas da França, continuando na sua campanha submarina e torpedeando sem mesmo dar qualquer aviso prévio. Essa violência leva os norte-americanos à guerra do lado dos Aliados. A 6 de abril de 1917 declaram guerra à Alemanha. Os alemães, querendo acabar espetacularmente a guerra, tentam uma derradeira batalha naval com todas as suas forças, mas a marinhagem se revolta e se nega à aventura. Era o dia 7 de novembro. Diante disso, o Kaiser refugia-se na Holanda com o príncipe herdeiro. A 11 de novembro de 19f8 os alemães solicitam um armistício, que lhes é concedido. A Primeira Grande Guerra durara exatamente 4 anos e 3 meses. Seu trágico balanço pode assim ser configurado: mais de 8 milhões de mortos em combate; de 20 a 25 milhões sucumbiram às conseqüências e dezenas de milhões continuaram a sofrer durante largo tempo. Os feridos somaram a quantia fabulosa de 21 milhões, dos campos de batalha.

O Brasil na Guerra Mundial, I – Durante os primeiros anos o Brasil manteve completa neutralidade. Contudo, posto a pique por submarinos alemães o navio Paraná, quando navegava na costa ocidental da França, romperam-se as relações diplomáticas do nosso país com o Império Alemão. Ao afundamento do Paraná seguiram-se os do Tijuca em 20-5-1917, nas imediações de Brest, do Lapa e do Macau, o que determinou o Decreto 3.361, de 26-10-1917, que reconhecia e proclamava o estado de guerra iniciado pela Alemanha contra o Brasil. Nesse meio tempo mais dois navios brasileiros eram afundados, o Acari e o Guaíba, apressando-se o Governo de Venceslau Brás a organizar uma divisão naval para patrulhar o Atlântico. Seguiu-se, em fins de novembro de 1917, a formação da Divisão Naval em Operações de Guerra (DNOG), segundo planejamento do Ministro da Marinha, Almirante Alexandrino Faria de Alencar e sob o comando do Contra-Almirante Pedro Max de Frontin. A divisão era integrada pelos cruzadores Rio Grande do Sul e Bahia, o cruzador-auxiliar Belmonte, os contra-torpedeiros Piauí, Rio Grande do Norte, . Paraíba e Santa Catarina, e o rebocador Laurindo Pitta. Encontrando-se a divisão em Dacar, grassou a gripe espanhola entre a tripulação, vitimando 158 marinheiros. Essa força foi dissolvida em 25 de junho de 1919.

CONFLITOS NO BRASIL


GUERRA DOS FARRAPOS

Luta civil, também conhecida por “Revolução Farroupilha”, a Guerra dos Farrapos irrompeu no Sul do Brasil, em 20-9-1835 e só terminou um decênio depois, em 1-3-1845; foi a mais longa das revoluções brasileiras, chefiada principalmente pelo Coronel Bento Gonçalves da Silva e afinal sufocada por Luís Alves de Lima e Silva, então Marechal-de-Campo Barão de Caxias. Já por sua formação econômica e social, os sul-rio-grandenses alimentavam o espírito federalista; de outro lado, as tensões provocadas pelas lutas platinas, movidas pelo Império, em muito sacrificaram a província. Outros descontentamentos havia: impostos excessivos, rivalidades entre brasileiros e portugueses, desordem administrativa etc. Como chefe do movimento contou-se de início com o deputado provincial e coronel de milícias Bento Gonçalves da Silva, apoiado de imediato. por importantes personalidades da província, inclusive figuras· do exército, como o coronel Bento Manuel Ribeiro e o major João Manuel de lima e Silva, irmão do regente. Os revoltosos conseguem algumas vitórias, mas já em 1836 perdem o controle de Porto Alegre. Em novembro de 1836, é proclamada a República Piratini, tendo Bento Gonçalves por presidente: segundo os revolucionários, o separatismo é necessário provisoriamente para o bom êxito da luta. A guerra chega ao planalto catarinense e a Laguna, onde o general Davi Canabarro proclama a República Juliana (1839), para o que contaram os rebeldes com a participação do revolucionário italiano Garibaldi. Mas a repressão oficial se intensifica a partir de 1840, sofrendo os farrapos. sucessivas derrotas. O comando das forças reais passa para Luís Alves de Lima e Silva, então barão de Caxias, que desencadeia forte campanha contra os rebeldes. Estes, sem conseguirem reconquistar Porto Alegre, terminam por assinarem a rendição em 1.0 de março de 1845, já no governo de Dom Pedro II.

O BRASIL EM GUERRA


GUERRA CISPLATINA

Quando da permanência de D. João VI no Brasil a região que hoje abrange o Uruguai foi anexada ao nosso país com o nome de Província Cisplatina. Diz o historiador SaBes Arcuri: “A invasão e anexação da Banda Oriental do Uruguai, entre 1818 e 21, encontra sua causa mais remota no velho sonho dos soberanos portugueses de alcançar a margem esquerda do Prata; o parentesco de D. João com D. Fernando VII de Espanha, prisioneiro de Napoleão, e as pretensões de sua esposa Dona Carlota Joaquina ao governo das colônias espanholas na América, robusteceram as ambições daquele monarca; finalmente, a luta entre os independentes de Buenos Aires e os fiéis de Montevidéu, trazendo invasões e depredações em território brasileiro, deu a Dom João o pretexto para a intervenção no Prata. Na verdade ele temia a formação de uma grande república sob a égide de Buenos Aires, e orientava-se por um sentimento imperialista. O exército luso-brasileiro, sob o comando de Lecor, Mena Barreto, Marques de Souza, Bento Ribeiro e outros, venceu a resistência uruguaia de Frutuoso Rivera e de Artigas. Em 1821 o Cabido de Montevidéu votava a anexação do Uruguai ao Brasil, dando a esta nova província brasileira o nome de Cisplati1J!l. A Província Cisplatina não era, todavia, um pedaço do Brasil: a influência espanhola, na colonização, na tradição e na língua, sobrepujara ali a influência portuguesa; seus habitantes viviam em mais íntimo contato com os da Argentina que com os do Rio Grande do Sul; a dissolução da Constituinte despertara o receio de um poder ab soluto; e a Confederação do Equador robustecia o ideal separatista e de uma federação no Prata.” Assim, com a proteção da Argentina(que na verdade pretendia anexar a chamada Cisplatina, logo que esta se libertasse do Brasil), em 17 de janeiro de 1825 o patriota uruguaio Juan Antonio Lavalleja, iniciou a chamada Expedição Libertadora dos 33 (ele liderava 33 combatentes), partindo de Quilmes e de Santo Izidro. Dois dias depois, burlando a vigilância do Brigadeiro Manuel Jorge Rodrigues transpôs a fronteira em Porto das Vacas e estabeleceu seu quartel-general em Flórida, de onde dirigiu uma proclamação aos uruguaios, convocando-os às armas para libertar a pátria do domínio brasileiro. Por esse tempo, comandava as forças brasileiras aquarteladas na Cisplatina o Coronel José Frutuoso Rivera, uruguaio que integrava o Exército Real do Brasil, desde a ocupação da Banda Oriental em 1821. Iniciada a luta pela independência, Rivera passou-se para o lado dos seus compatriotas: deu inteiro apoio a Lavalleja e concitou seus comandados do Quartel-General de Durazno a fazerem o mesmo. As forças do Brasil foram comandadas de início pelo Tenente-General Carlos Frederico Lecor (mais tarde Visconde da Laguna), que ocupou Maldonado, bloqueou e ocupou Montevidéu, a Colônia- do Sacramento e a Vila de Cerro Largo. Em janeiro de 1827 Lecor foi substituído pelo Marechal Felisberto Caldeira Brant Pontes (Marquês de Barbacena). Entrementes os aliados (uruguaios e argentinos), sob o comando de D. Carlos Alvear e Juan Lavalleja partiam do Arroio Grande, à frente de um exército de quase 10.000 homens, penetrando no Rio Grande do Sul. Defrontando-se com as forças de Barbacena na Batalha do Passo do Rosário, no Rio Santa Maria (chamada pelos argentinos de Batalha de Ituzaingó), ao cabo de seis horas de luta os brasileiros foram forçados à retirada. Escreve Ubiratan Rosa: “Não menos inglória era a situação dos imperiais no mar: apesar da vitória alcançada por Rodrigo Pinto Guedes em Monte Santiago, sofreu desastres irreparáveis a Esquadra Brasileira, sobretudo a divisão comandada por Jacinto Roque de Sena Pereira,seriamente derrotado em Juncal, ilha na confluência do Rio Uruguai com o Rio da Prata, pelo irlandês Almirante Brown, então a serviço da Marinha Argentina. Agravada a situação brasileira com o malogro da expedição naval enviada à Patagônia sob o comando do Capitão Shepperd, inglês a serviço do Brasil, bem assim a dos orientais e portenhos, exauridos por operações militares de longo curso mas de medíocres resultados, iniciaram-se as conversações preliminares de paz, já em abril de 1827, quando os platinos enviaram ao Rio de Janeiro Manuel José Garcia, encarregado de tentar o reconhecimento da separação da Cisplatina. Não o conseguiu; até pelo contrário: acabou firmando uma convenção, pela qual o Governo de Buenos Aires reconhecia a integração da antiga Banda Oriental ao Brasil. Mas, não sendo retificada essa convenção, permaneceu vigente o estado de guerra, registrando-se em seguida a entrada de Frutuoso Rivera na região dos Sete Povos das Missões Orientais do Uruguai. Não obstante, no primeiro semestre de 1828, com a mediação dos representantes ingleses no Rio de Janeiro e Buenos Aires, voltaram aos países beligerantes a tratar da paz. Desistiu o Brasil da anexação da Cisplatina, desistindo também as províncias Unidas do seu de incorporá-la, criando-se, então ,um novo país independente n América do Sul, a República Oriental do Uruguai.”

QUEM FOI O PERNAMBUCANO BERNARDO VIEIRA DE MELO?


Senhor de engenho em militar, nasceu em Muribeca, na segunda metade do Século XVII. Comandou uma das expedições no ataque final ao Quilombo dos Palmares e, como prêmio, foi nomeado governador e capitão-mor da capitania do Rio Grande do Norte (1695).
Retornou a Pernambuco em 1710 e foi nomeado comandante do terço de linha do Recife. Quando eclodiu a Guerra dos Mascates em 1710, envolveu-se no conflito e rumou para Olinda (então capital da província), onde participou dos movimentos que culminaram com a fuga (para a Bahia) do governador Sebastião de Castro e Caldas e a posse do bispo Dom Manuel Álvares da Costa.
Em seguida, o bispo é deposto do cargo e Bernardo Vieira de Melo é preso. Em 1711, chega a Pernambuco o novo governador, Félix José Machado de Mendonça Eça Castro e Vasconcelos, e este exige que Dom Manuel seja reconduzido ao cargo, para dele recebê-lo, ocasião em que Bernardo Vieira é libertado e se refugia nos Palmares.
Em 1712, Bernardo Vieira é condenado à prisão, entrega-se e é conduzido ao Recife. Em seguida, com seu filho André Vieira de Melo e mais nove companheiros derrotados na Guerra dos Mascates, é remetido para Lisboa onde morreria.

ÍNDIOS PERNAMBUCANOS


Conheça a história das tribos que habitavam o território pernambucano. Origens e costumes. As lutas pela posse da terra . Os remanescentes que tentam escapar da morte em emboscadas.
Atualmente, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), vivem em Pernambuco um total de 25.726 remanescentes dos povos indígenas que primitivamente habitavam no Estado.

Eles estão assim distribuídos: Pankararu, 4.062 pessoas; Kambiwá, 1.400; Atikum, 4.506; Xucuru, 8.502; Fulni-Ô, 3.048; Truká, 2.535; Tuxá, 47; Kapinawá, 1.035; Pipipãs, 591 pessoas.
Sobrevivendo em situação precária e, muitas vezes, sendo mortos em emboscadas como vem ocorrendo desde 1986 com os Xucurus, no município de Pesqueira, esses remanescentes indígenas ainda guardam um pouco da cultura dos índios pernambucanos, massacrados ao longo dos séculos.

Veja, aqui, um resumo da história de cada uma dessas tribos de Pernambuco:
As tribos
Fulni-Ô: Também conhecidos como Carnijó ou Carijó, vivem do artesanato e agricultura de subsistência no município de Águas Belas. Conservam o idioma Yathê e alguns rituais como o Ouricuri.
Kambiwá: O grupo ocupa uma área de 27 mil hectares de terra entre os municípios de Ibimirim, Inajá e Floresta, desenvolvendo agricultura de subsistência.
Pankararu: Seus remanescentes estão distribuídos em 14 mil hectares de terra entre os municípios de Tacaratu, Jatobá e Petrolândia, conservando algumas de suas festas tradicionais como a Festa do Menino do Rancho e o Flechamento do Umbu.
Atikum: Esses índios ocupam uma área de 16 mil hectares no município de Carnaubeira da Penha, vivem da agricultura de subsistência.
Xucuru: Vivem na região da Serra do Ororubá, município de Pesqueira, conservam algumas festas religiosas como a de Nossa Senhora da Montanha e praticam a agricultura de subsistência.
Truká: Grupo de remanescentes indígenas que vivem da agricultura no município de Cabrobó.
Kapinawá: Vivem na localidade de Mina Grande, no município de Buíque.
Tuxá: Grupo de 41 índios assentados em um acampamento da Chesf, no município de Inajá, depois que suas terras foram inundadas pelo lago da hidrelétrica de Itaparica.
Pipipã: Esses índios viviam nas caatingas entre os vales dos rios Moxotó e Pajeú e foram praticamente dizimados em meados do século XVIII. Atualmente, existe um pequeno grupo de remanescentes no município de Floresta, na região do Rio São Francisco.
Xucurus: os índios marcados para morrer

Saiba mais http://www.pe-az.com.br/indios/indios.htm