O ORGULHO DOS PERNAMBUCANOS


Site lista os maiores motivos de orgulho dos pernambucanos

Site lista os maiores motivos de orgulho dos pernambucanos

Uma multidão toma conta das ruas do Recife no Galo da Madrugada.

Pernambuco é conhecido por suas belas praias, bairros históricos das cidades de Olinda e Recife, além do agitado Carnaval de rua. O estado é também conhecido pela enorme paixão dos pernambucanos por sua história, cultura e, claro, por aquela mania de exaltar feitos ou características do lugar.

A verdade é que o povo daqui tem muito orgulho de ser pernambucano e a maior autoestima em linha reta do mundo.

Toda essa paixão ganhou destaque no site El País, que nesta terça-feira (26), fez questão de listar os maiores casos de amor próprio dos pernambucanos. Confira:

Avenida Caxangá

Avenida Caxangá – Foto: Reprodução

Uma das principais avenidas do Recife, a Caxangá foi lembrada pelo site, pois durante muito tempo, com seu percurso reto de 6,2 quilômetros, ela foi “a maior avenida em linha reta do Brasil”, superada em 1990 pela avenida Teotônio Segurando, localizada em Palmas, no Tocantins, que possui um trecho de 10,2 quilômetros em linha reta. Nada que impeça os recifenses de exaltar a avenida, construída ainda no século XIX.

Galo da Madrugada

Galo da Madrugada

Reconhecido pelo Guinness, em 1995, como o “maior bloco de Carnaval do mundo”, o Galo da Madrugada traz o tradicional, espontâneo e criativo Carnaval de rua do Recife e arrasta mais de dois milhões de foliões para as ruas do centro. Não há como negar, a gente fala com um orgulho danado da nossa festa.

Alto do Moura

Foto: Reprodução

Bairro de Caruaru conhecido por causa do artesão Mestre Vitalino, o Alto do Moura é um importante polo de produção de artesanato, mas pode ser chamado também de “o maior centro de artes figurativas do mundo”, por conta dos bonecos de barro feitos por Vitalino, retratando a cultura e o modo de vida dos nordestinos, principalmente daqueles que vivem no interior de Pernambuco. O trabalho de Mestre Vitalino pode ser encontrado até mesmo no museu do Louvre, em Paris.

Foto: Reprodução

É em Caruaru que está a “maior feira ao ar livre do mundo”, segundo os pernambucanos. Considerada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio imaterial do Brasil, na feira de Caruaru tem todo tipo de produto: de roupas à comida.

São João de Caruaru

São João de Caruaru /Foto: Hivor Danierbe/Divulgação

É também em Caruaru que acontece “a maior festa de São João do Brasil” e esse “posto” foi respaldado pelo Guinness World Records. E como se não bastasse ser a maior festa, é lá que estão os maiores pé de moleques, os maiores bolos de milho, as maiores canjicas, e por aí vai.

Instituto Ricardo Brennand

Salão das armas no IRB. Foto: Reprodução/Internet

Inaugurado em 2012, o instituto Ricardo Brennand é um castelo que abriga as coleções de arte do empresário pernambucano Ricardo Brennand. Conhecido por ter “a maior coleção de armas brancas do mundo”, o local foi eleito o melhor museu da América do Sul pelo site turístico TripAdvisor.

O maior consumidor de whisky

Foto: Reprodução

É, segundo o site El País, se você digitar no Google “Recife maior”, automaticamente aparece, em primeiro lugar, “consumidor de whisky”. Em 2009, a publicação inglesa The Whisky Magazine confirmou que a capital pernambucana detinha o maior consumo per capita da bebida em todo o mundo, com média de 16 doses anuais por habitante.

Fonte: Blog NE 10

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Anísio Teixeira: educador, jurista e escritor


Há 50 anos, morria o maior idealizador da escola pública brasileira

Anisio Teixeira

Para especialistas, legado de Anísio Teixeira ainda está presente na organização do ensino nacional. Seu nome batiza o instituto que aplica o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Teixeira defendeu a educação universal, laica e gratuita para todos

Em 11 de março de 1971, o educador, escritor e jurista Anísio Spínola Teixeira (1900-1971) iria almoçar com o lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda (1910-1989), no apartamento dele, em Botafogo, no Rio. Mas ele foi encontrado morto no fosso do elevador do prédio. Oficialmente, um acidente. Mas muitos acreditam que Teixeira tenha sido vítima da ditadura militar.

Ferrenho defensor da educação universal, laica e gratuita para todos, um dos mais notáveis signatários do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932, e um dos idealizadores da Universidade de Brasília (UnB) − da qual seria reitor e, com o golpe de 1964, aposentado compulsoriamente pelos militares − seus posicionamentos e pensamentos incomodavam o regime ditatorial.

Cinco décadas após sua misteriosa morte, especialistas concordam que seu legado ainda é visível na educação brasileira. Em sua tese de doutorado pela Unicamp, de 2018, a pedagoga Maria Cristiani Gonçalves Silva apontou Teixeira como “o maior idealizador e, portanto, a maior referência na luta por uma educação pública de qualidade, igualitária, laica, de dia inteiro, que vise a formação plena de nossas crianças e jovens”.

“A ideia de uma escola pública, laica, gratuita e de qualidade para todos é talvez a mais lembrada, mas seu legado é ainda mais amplo. Não é possível discutir educação integral sem recorrer aos escritos de Anísio, que influenciaram as primeiras experiências no país”, afirma o ex-secretário de Educação de São Paulo Alexandre Schneider, presidente do Instituto Singularidades e pesquisador da Universidade de Columbia e da Fundação Getúlio Vargas.

“A defesa de um fundo para o financiamento da educação pública livre da influência dos políticos de plantão, e o entendimento da docência como profissão também merecem lembrança. Anísio foi um intelectual que ‘colocou a mão na massa’, como secretário de Educação da Bahia, em funções no Ministério da Educação e como reitor da UnB, universidade da qual foi um dos idealizadores.”

O linguista Vicente de Paula da Silva Martins, professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e que estudou o tema em seu mestrado, define como impressionante a “visão ampla de pedagogia” de Teixeira, para quem “a criança deveria ser estudada não apenas em seus aspectos físicos, mas também com relação à sua história, sua relação com o meio e suas origens”.

“Muitos pesquisadores em educação mostram o valor da obra de Anísio Teixeira na concepção de educação integral com base no pragmatismo, na compreensão de que o homem se forma e desenvolve na ação”, aponta ele.

Escola Nova

Nascido em Caetité, no interior da Bahia, filho de médico e líder político na cidade, Teixeira foi desde cedo incentivado pelo pai a ocupar postos públicos. Estudou em colégios jesuítas e graduou-se na instituição hoje chamada de Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Depois de formado, retornou à Bahia. Aos 24 anos, foi nomeado Inspetor Geral do Ensino, cargo hoje equivalente ao de um secretário estadual.

Teixeira viajou por diversos países europeus e foi aos Estados Unidos para conhecer experiências educacionais. “Foi assim que tomou conhecimento de um movimento muito importante iniciado no final do século 19, identificado por Escola Nova ou Escola Ativa”, contextualiza o pedagogo Ítalo Curcio, coordenador do curso de pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Nos anos 1930, quando já era secretário de Educação do Rio de Janeiro, Teixeira tornou-se um dos 26 autores do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. O documento é considerado um marco inaugural da organização do ensino brasileiro, ao definir premissas que resultariam em um plano nacional de educação e princípios de gratuidade, universalidade, obrigatoriedade e laicidade. 

“Além da apresentação de um novo modelo em nível de métodos e estratégias de ensino, destaca-se em Anísio Teixeira sua defesa pelo ensino público e laico, já comum e corrente na maioria das nações mais desenvolvidas”, aponta Curcio.

Mais tarde, na década de 1950, o educador passou a atuar pela organização do ensino superior brasileiro. “Estes trabalhos levaram à criação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível de Pessoal de Nível Superior [Capes], no ano de 1952, da qual foi seu primeiro presidente”, completa o pedagogo.

“O maior legado que vemos em Anísio Teixeira é o da perseverança e abnegação da defesa do ensino de qualidade, seja no âmbito público, seja no setor privado”, diz Curcio. “Este legado fica claro em suas ações, em diferentes governos, independentemente de linhas ideológicas.”

Para o sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995), Teixeira foi “o campeão na luta contra a educação como privilégio”.

Lei de Diretrizes e Bases

Citada pela primeira vez na Constituição de 1934 − por influência de Teixeira − o Brasil só ganharia sua Lei de Diretrizes e Bases da Educação em 1961. Trata-se do conjunto de normas que regularizam a organização da educação brasileira, a partir dos princípios constitucionais. E o pensamento de Teixeira segue presente, inclusive na versão mais atual, sancionada em 1996 − redigida com grande participação do educador Darcy Ribeiro (1922-1997), que era próximo de Teixeira.

Martins acredita que, não fossem figuras como Teixeira, “dificilmente teríamos uma Lei de Diretrizes e Bases”. Ele vê inspiração do ideário do educador em pontos como o artigo 3º da regulamentação, que determina igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, respeito à liberdade e apreço à tolerância, gratuidade do ensino público, garantia de padrão de qualidade, vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais e garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida.

“A ampliação das instituições públicas de nível superior, com qualidade compatível às similares internacionais, aprimoramento dos institutos de pesquisa, formação continuada dos professores e o acesso universal à educação básica, itens constantes nas metas do atual Plano Nacional de Educação, são realidades sonhadas e defendidas por Anísio Teixeira desde a década de 1920”, avalia Curcio. “E que podem ser vistas hoje, mesmo que com muitas carências ainda.”

Para o pedagogo, “pode-se dizer que Anísio Teixeira é o mentor da educação brasileira contemporânea, atuando não somente como planejador, mas também como organizador e inspirador de seus sucessores.”

Manter o sonho vivo

“É inegável que a educação no Brasil teve grandes avanços nos últimos 40 anos: há mais crianças e adolescentes na escola, é possível medir a qualidade de ensino, os professores têm nível superior e os mecanismos de financiamento da educação pública estão bem assentados. Por outro lado, ainda estamos longe do sonho de garantir educação de qualidade para todos, as experiências de educação integral ainda são localizadas em escolas de elite ou algumas redes públicas e os profissionais de educação ainda se submetem a longas jornadas de trabalho em diversas escolas”, comenta Schneider. “Manter o sonho de Anísio vivo é lutar por escola pública de qualidade para todos como pressuposto do funcionamento da democracia.”

Teixeira deixou uma vasta obra. Entre seus livros mais importantes estão Educação é um direitoEducação não é privilégio e A educação e a crise brasileira.

“A maioria dos pressupostos defendidos por ele encontram muita ressonância na escola brasileira hoje”, comenta Martins. “As condições de oferta do ensino público, é verdade, ainda deixam muito a desejar.”

O educador empresta seu nome a diversas instituições de ensino do país. Autarquia do Ministério da Educação, responsável pela aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), que ele presidiu nos anos 1950, também incorporou Anísio Teixeira ao seu nome oficial. 

Fonte: DW.COM