A ÚLTIMA GRANDE REVOLUÇÃO SOCIAL DO SÉCULO XIX


Michel Zaidan Filho nasceu em Garanhuns, Pernambuco, em 1961. Graduou-se em Filosofia pela Universidade Católica de Pernambuco em 1974, obteve o título de Mestre em História pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp em 1982 e o título de Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo – USP em 1986.


Estamos comemorando este ano 150 anos da Comuna de Paris (1871). O EPMARX-UFPE estará realizando um grande seminário, a partir deste mês, para saudar e debater esse evento memorável. A mim, coube fazer o resgate histórico. Quando estudante da pós-graduação, na Universidade Estadual de Campinas, tinha a oportunidade de realizar um seminário sobre a “Comuna”. Há ocorrências históricas que se tornam emblemáticas e míticas. A luta dos “comunards” franceses é uma dessas. Reverenciada por Marx e Lenin, a Comuna de Paris tornou-se a fonte de um imaginário político auto gestionário e socialista, a inspirar socialistas do mundo inteiro. Objeto de disputas retóricas e historiográficas entre anarquistas, socialistas e marxistas, a Comuna continua a suscitar polêmicas e sugestivas opiniões, entre os mais diversos militantes sociais.
Podíamos começar discutindo as interpretações clássicas que ajudaram a criar esse imaginário político revolucionário e socialista.
Quando eclodiu o movimento, que assinala o fim do ciclo expansionista e militar do governo de Luiz Bonaparte, Marx era o secretário da Primeira Associação Internacional dos Trabalhadores. A hegemonia política da Comuna estava nas mãos dos anarquistas proudhonianos e de socialistas parlamentares como Louis Blanc. Quando as tropas militares do primeiro ministro Thiers esmagou, a ferro e a fogo, o movimento, Marx se imbuiu de produzir um relato edificante que perpetuasse a lembrança da luta dos “comunards” franceses. Essa obra é o que se conhece pelo opúsculo “Guerra civil em França”. Um texto laudatório e favorável, exaltando a coragem e a dedicação dos militantes. A obra, feita em nome da Associação Internacional dos Trabalhadores, levaria a uma contenda retorica e política entre os marxistas e anarquistas, alimentada pelo rancor de Marx contra Bakunin, em razão do atraso na tradução de O Capital para a língua russa. Pior, a publicação do posfácio de Engels, mais tarde, comparava a Comuna com o que deveria ser a “ditadura do proletariado”. Essa disputa retórica e política entre anarquistas e marxistas conduziu ao fim da Primeira Associação Internacional dos trabalhadores e a separação definitiva entre comunistas e anarquistas. Muitos anos depois, descobriu-se no Museu de História Social de Amsterdam, onde está que sobrou da Comuna de Paris, os manuscritos redigidos por Marx sobre a experiência comunard francesa. Esse texto é muito diferente do que Marx havia escrito, como secretário da AIT. É preciso dizer que o seu objetivo era muito distinto: aqui se tratava de fazer uma “autopsia” da estrutura e a política da Comuna, sob a hegemonia dos libertários e socialistas. Já no primeiro escrito, não. Era um epitáfio elogioso. Nesses manuscritos, Marx faz críticas aos militantes sociais, repara as hesitações da liderança em usar o Banco de França como trunfo para deter o massacre. Fala também do caráter pluriclassista da organização política da
Comuna e debita tudo isso na conta da influencia anarquista da direção do movimento e sua falta de centralização para tomada de decisões rápidas. Lenin não deixaria por menos. Em sua obra: “as duas táticas da socialdemocracia na revolução burguesa”, ele critica a confusão entre democracia radical pequeno-burguesa e socialismo, o que teria contribuído para a derrota do movimento.
Apesar de tudo isso, a experiência histórica e política da Comuna de Paris só ajudou a alimentar e reforçar o imaginário autogestionário e socialista no pensamento social moderno e contemporâneo. A expressão “álgebra social”, empregada por um ensaísta brasileiro, para designar o significado histórico do movimento, procurou salvar a longevidade revolucionária do movimento francês, ao sugerir que ele pudesse ser preenchido pelos comunistas subsequentes com outros conteúdos ideológicos mais bem definidos doutrinariamente. De toda maneira, desenvolver essa expressão algébrica da revolução social, exigiria ou extirpar os ressaibos anarquistas ou radicaliza-los, no sentido de uma revolução democratizante no interior de socialismo auto gestionário, nunca num regime autoritário, burocrático ou militar. Transformar essa álgebra numa “Ditadura do proletariado” exigiria abjurar de uma vez a concepção blanquista e autoritária do socialismo em favor de uma democracia de base, autoorganizada, parecida com os modelos das sociedade ácratas, defendidos pelos anarquistas. A experiência e tradição bolchevique não combinavam com isso. Nem a centralização dos modernas forças produtivas capitalistas. Ou, como disse Weber, a racionalidade instrumental e burocrática da empresa e do Estado modernos.
O desafio da experiência “comunard” francesa á imaginação socialista de nossa época é como conjugar socialismo e autonomia, socialismo e liberdade. socialismo e respeito às diferenças, num mundo cada vez mais complexo.

ESTAMOS CRESCENDO!


😊 Chegamos aos 500 inscritos em nosso canal no youtube. Canal educativo sempre tem mais dificuldade. Se cada um aqui conseguir mais 10 inscrições, ultrapassamos nossa meta. Contamos com vocês!☺️🏃‍♂️✊🏽

QUEM DIRIA…


CURIOSIDADES » SEGUNDA GUERRA

EDDA CIANO, A FILHA DE MUSSOLINI QUE SE APAIXONOU POR UM COMUNISTA

A mulher viveu um romance e escreveu sobre seu amado em mais de 30 cartas de amor, após ser exilada após a queda do fascismo na Itália

PAMELA MALVA PUBLICADO EM 22/02/2020, ÀS 10H00 – ATUALIZADO EM 05/04/2021, ÀS 17H004

Fotografia de Edda Ciano, filha de Benito Mussolini
Fotografia de Edda Ciano, filha de Benito Mussolini – Wikimedia Commons

De um lado, alguns dizem que ele era o líder de um Estado racista e opressor, já de outro, afirmam que ele inovou a economia da Itália. Sem dúvidas, Benito Mussolini é uma das figuras mais controversas da história da Europa. 

A única certeza sobre o ditador fascista é de que ele se reviraria no túmulo caso soubesse sobre o último relacionamento de sua filha mais velha. Edda se apaixonou por um líder comunista chamado Leonida Bongiorno.

O caso de paixão entre os dois foi descoberto através de 36 cartas de amor, encontradas em Lipari, uma ilha italiana. Datados de setembro de 1945 a abril de 1947, os textos narram a relação entre Edda e Leonida desde o primeiro dia.

Fotografia de Edda Ciano em 1935 / Crédito: Gety Images

O casal se conheceu em uma manifestação no largo da Sicília, para onde Edda foi enviada quando o fascismo caiu. Segundo as cartas, o primeiro encontro amoroso aconteceu no terraço da casa de LeonidaEdda conta que, na ocasião, resistiu ao envolvimento entre os dois, mas acabou se apaixonando por ele.

Em 1946, entretanto, a filha de Mussolini foi libertada e quis voltar para seus filhos, que estavam em Roma. Ao seu amante, ela suplicou: “Venha viver comigo. Não desista da felicidade que Deus lhe está oferecendo”.

Edda Ciano com Ademar de Barros, em visita a São Paulo, em 1939 / Crédito: Wikimedia Commons

Edda não esperava que, ao mesmo tempo em que ela entregava seu coração ao comunista, Leonida conhecera outra mulher, Angela. Os pombinhos tiveram apenas mais um encontro, em Messina e, depois disso, o homem se casou, abandonando Edda.

Após o fim do relacionamento, Edda Ciano, que tinha o sobrenome de seu primeiro marido, negou qualquer envolvimento pessoal com o fascismo. Ela morreu em 1995, aos 84 anos, em Roma. Todas as cartas foram encontradas na casa do filho de LeonidaEdoardo. Elas estavam guardadas junto de diversas anotações, fotos e mechas de cabelo.

FONTE: AVENTURAS NA HISTÓRIA

BRASIL NA CONTRAMÃO DA HISTÓRIA


CORONAVÍRUS » ESTADOS UNIDOS

CORONAVÍRUS: JOVEM É VACINADA NOS EUA ENQUANTO PAI DE 62 ANOS ESPERA PELAS DOSES NO BRASIL

Mesmo fazendo parte do grupo de risco da doença, o homem ainda não foi contemplado pelo plano de imunização de sua cidade

PAMELA MALVA PUBLICADO EM 07/04/2021, ÀS 12H001

Fotografia da jovem Ariela Momesso com seu pai, Antônio Carlos
Fotografia da jovem Ariela Momesso com seu pai, Antônio Carlos – Divulgação/Arquivo Pessoal

Depois que seu marido foi diagnosticado com o Coronavírus, a jovem Ariela Momesso, de 23 anos, que mora nos Estados Unidos, ficou feliz ao ser imunizada contra a doença. O problema é que ela ainda se preocupa com o pai, Antônio Carlos, que, mesmo estando no grupo de risco da pandemia, ainda não foi vacinado no Brasil, segundo o UOL.

“Fui vacinada no dia 27 de março e meu marido no dia seguinte. A vacinação está sendo rápida em nossa cidade”, narrou a brasileira dona de casa, que mora nos EUA desde 2017 e tem duas filhas pequenas. “Mas eu tenho uma grande preocupação, principalmente pelo meu pai, porque ele está entre o grupo de risco”, desabafou.

Acontece que Antônio Carlos, de 62 anos, é hipertenso e já sofreu com dois AVCs. Dessa forma, ele faz parte do grupo de risco do Coronavírus, mas ainda não sabe quando será vacinado — já que Sorocaba, onde mora, ainda está vacinando pessoas de 68 anos.

Até a última terça-feira, 06, o balanço de vacinação informou que 20.828.398 pessoas já receberam a primeira dose da vacina contra o Coronavírus em todo o Brasil. Nos Estados Unidos, contudo, mais de 165 milhões de doses do imunizante já foram aplicadas, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Pensando em acelerar ainda mais o ritmo da campanha de vacinação, o atual presidente dos Estados Unidos, Joe Bidenadiantou as datas das imunizações. Nesse sentido, ele estima que todos os adultos do país devem receber ao menos a primeira dose do medicamento até o dia 19 de abril.

Sobre a Covid-19

De acordo com as últimas informações divulgadas pelos órgãos de saúde, atualmente, o Brasil registra 13,1 milhões de pessoas infectadas, e as mortes em decorrência da doença já chegam em 337 mil no país.  

Em 1º de dezembro de 2019, o primeiro paciente apresentava sintomas do novo coronavírus em Wuhan, epicentro da doença na China, apontou um estudo publicado na revista científica The Lancet em fevereiro deste ano.  

De lá pra cá, a doença já infectou 132 milhões de pessoas ao redor do mundo, totalizando mais de 2,87 milhões de mortes, sendo mais de 556 mil delas nos EUA. 

Fonte: Aventuras na História