12 LIVROS DE GRAÇA


Amazon libera 12 livros grátis de Kindle em português por tempo limitado

Amazon comemora Semana Mundial do Livro no Brasil; veja como baixar 12 e-books de graça, mesmo se você não tiver Kindle

Avatar de Felipe Ventura

Por Felipe Ventura

20/04/2021 às 10:35

Amazon está realizado uma promoção de e-books durante a Semana Mundial do Livro, e passou a oferecer 12 títulos de graça em português para usuários do Brasil, de autores nacionais e estrangeiros, mesmo para quem não tem Kindle ou não assina o Amazon Prime. Confira a seguir a lista completa.null

Amazon oferece 12 e-books grátis para Kindle no Brasil (Imagem: Reprodução)

Amazon oferece 12 e-books grátis para Kindle no Brasil (Imagem: Reprodução)

Livros grátis do Amazon Kindle

Talvez você saiba que a Amazon já conta com mais de 9 mil livros gratuitos. No entanto, os e-books que mencionamos aqui normalmente são pagos: na verdade, somados, eles custariam R$ 356,40 – você poderá adicioná-los à sua biblioteca virtual por apenas R$ 0.

É importante notar que o único pré-requisito para baixar esses livros é ter uma conta da Amazon, ou fazer o cadastro para obter uma. Dá para ler no aplicativo de celular, no PC e, claro, em e-readers Kindle com tela e-ink. Os e-books permanecem na sua conta após a promoção acabar.null

São títulos de diversos gêneros – fantasia, suspense, relato histórico, esporte, economia, negócios – com nota 4,4/5 ou superior. Um deles, Coração das Trevas (Heart of Darkness), serviu de inspiração para o filme Apocalypse Now de Francis Ford Coppola; esta edição é exclusiva da Amazon e traz 60 ilustrações do artista plástico Cláudio Dantas, além de textos extra de Ana Maria Bahiana e Christian Dunker.

Confira a lista completa, que você pode baixar através deste link:

  • Coração das Trevas, por Joseph Konrad
  • A pirâmide vermelha (As crônicas do Kane Livro 1), por Rick Riordan
  • O livro dos Baltimore, por Joël Dicker
  • Contos russos: Tomo II, por Ivan Turguênev e Nikolai Leskov
  • O Pavilhão dos Padres: Dachau 1938 – 1945, por Guillaume Zeller
  • Os Incansáveis, por Sérgio Xavier Filho et al
  • O filósofo, a enfermeira e o trapaceiro: romance histórico sobre um estranho trio que se une para desvendar crimes no Brasil Império, por Max Velatti
  • Economia no cotidiano: Decifra-me ou te devoro, por Alexandre Schwartsman
  • O Coração das coisas, por Leandro Karnal
  • Contra um Mundo Melhor: Ensaios do Afeto, por Luiz Felipe Pondé
  • Comunicação e Liderança, por Carlos Alberto Sardenberg e Leny Kyrillos
  • Brasil: o futuro que queremos (coletânea)

Fonte: Technoblog

CIÊNCIA BRASILEIRA ESTÁ SENDO DESTRUÍDA


CNPq vai pagar só 13% das bolsas aprovadas em edital e frustra jovens cientistas

De um total de 3.080 solicitações que receberam parecer positivo, apenas 396 receberão as bolsas. Limitações orçamentárias impedem a agência de contratar mais propostas

Por Herton EscobarEvento de comemoração dos 70 anos do CNPq, realizado em 16 de abril – Foto: Leonardo Marques – ASCOM/MCTI

O resultado do último edital de bolsas de doutorado e pós-doutorado do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) será uma frustração para milhares de jovens cientistas brasileiros. De um total de 3.080 mil solicitações aprovadas com mérito, apenas 396 (13%) vão receber as bolsas de fato, por conta das limitações orçamentárias da agência. As outras 2.684 propostas não serão implementadas, pelo menos nesse primeiro momento, apesar de terem sido consideradas meritórias pelos comitês de assessoramento do edital.

A lista das 3.080 propostas aprovadas foi publicada em 15 de março, no site do CNPq. Cada proposta corresponde a um projeto de pesquisa que o candidato se propõe a realizar, caso seja contemplado com a bolsa. As solicitações são analisadas por comitês de pareceristas especializados, que emitem um parecer técnico sobre o mérito de cada projeto. As propostas aprovadas pelos comitês, então, são analisadas pelo CNPq e contempladas (ou não) com bolsas, dependendo da disponibilidade de recursos. 

Esse edital em particular (Chamada No.16/2020) previa a concessão de R$ 35 milhões, oriundos do orçamento do CNPq, para dez categorias de bolsas no Brasil e no exterior. Procurada pelo Jornal da USP, a agência informou que recebeu 4.279 propostas, das quais 3.080 (72%) foram aprovadas no mérito pelos comitês e 396 (13%) receberão bolsas no Brasil, num total de R$ 23,5 milhões. O saldo, segundo o CNPq, ficará reservado para a concessão de bolsas no exterior, “a serem divulgadas quando o cenário de pandemia for mais adequado”. “As propostas com notas maiores e melhor classificadas foram aprovadas”, informou a agência.

“Essa chamada é lançada, normalmente, com dois cronogramas de concessão de bolsas e recursos destinados a esses dois momentos”, explicou o CNPq. “Este ano, devido a incertezas orçamentárias — considerando a parcela do orçamento do CNPq condicionada à aprovação de crédito suplementar — e às condições decorrentes da pandemia do coronavírus, tais como a incerteza quanto à volta à normalidade das atividades acadêmicas e à mobilidade de pesquisadores, além da necessidade de prorrogação de bolsas atualmente vigentes, o que impacta no orçamento, a chamada foi lançada com apenas um cronograma e, portanto, com previsão menor de número de bolsas e recursos destinados.” No edital anterior a esse, em 2019, segundo a agência, foram recebidas 4.001 propostas para bolsas no País, das quais 614 foram atendidas nos dois cronogramas.Sylvio Canuto – Foto: Marcos Santos/ USP Imagens

“Esse cenário só atesta, mais uma vez, a situação precária em que se encontra o financiamento à pesquisa no Brasil”, lamenta o físico Sylvio Canuto, pró-reitor de Pesquisa da Universidade de São Paulo. “E isso é particularmente grave quando se percebe que a ciência é uma parte essencial da solução para essa situação dramática que estamos vivendo.”

A bolsa é um valor mensal pago pela agência de fomento, que, apesar do nome “bolsa”, funciona como um salário, já que o bolsista fica limitado de exercer outras atividades remuneradas enquanto estiver recebendo o auxílio. As bolsas de doutorado pagam R$ 2,2 mil por mês, por um período de quatro anos; enquanto que um pós-doutorando júnior recebe R$ 4,1 mil por mês, por um período de até 2 anos. (Veja a lista completa de valores aqui.) Nesse sentido, as bolsas são fundamentais para a produção de ciência e tecnologia no Brasil, já que a maior parte das pesquisas no País é feita, justamente, por alunos de pós-graduação em universidades públicas, federais e estaduais.

O CNPq, que acaba de completar 70 anos em janeiro, é a principal agência de fomento à pesquisa do governo federal e serve como um dos pilares do sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação. Sua capacidade de atuação, no entanto, foi fortemente dilapidada nos últimos anos por uma sequência de cortes orçamentários. Este ano, os recursos para bolsas foram reduzidos em 12%, “virtualmente impossibilitando a expansão dos programas de formação em 2021”, segundo uma análise do orçamento divulgada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Além disso, mais de 60% desses parcos recursos estão condicionados à liberação de créditos suplementares, o que pode “comprometer o pagamento em dia das bolsas já alocadas”, segundo a SBPC. O CNPq financia cerca de 80 mil bolsas atualmente, em diversas modalidades.+ Mais

Orçamento 2021 compromete o futuro da ciência brasileira

Pesquisadores preveem corte de bolsas em edital do CNPq

O próprio ministro Marcos Pontes reconheceu em uma audiência pública recente no Congresso que dificilmente terá condições de pagar integralmente todas as bolsas vigentes este ano. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) — ao qual o CNPq é vinculado — foi o que mais perdeu recursos no orçamento deste ano, com corte de 29%. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao Ministério da Educação (MEC), também passa por dificuldades orçamentárias e já precisou reduzir sua oferta de bolsas nos últimos anos.

Fuga de cérebros

Além do impacto profundo na capacidade de produção científica e inovação tecnológica do País, uma das principais consequências desse colapso orçamentário, segundo especialistas, é a chamada “fuga de cérebros”. Confrontados com a escassez de recursos, empregos e bolsas, muitos jovens cientistas estão optando por deixar o Brasil, para dar continuidade às suas pesquisas em outros países.

“Nós investimos anos na formação desses jovens, e agora eles estão indo embora”, afirma Canuto, que vê isso acontecer com vários de seus alunos no Instituto de Física da USP. “Construir um sistema de ciência e tecnologia leva muito tempo, mas destruir é muito rápido; basta pegar uma marreta e derrubar”, completa ele. “Estamos perdendo gente muito boa, que dificilmente vamos conseguir recuperar.”Tárcius Ramos – Foto: Universidade de Namur

É o caso do físico Tárcius Ramos, de 30 anos, que se mudou para a Bélgica em março do ano passado, um mês depois de defender seu doutorado na USP. Seu desejo era permanecer no Brasil e seguir carreira como pesquisador na universidade. Sem perspectiva de conseguir empregos ou bolsas por aqui, porém, resolveu aceitar o convite de um professor da Universidade de Namur, na Bélgica (onde havia feito estágio em 2019), para fazer um pós-doutorado lá, com bolsa paga pela universidade.

Na Bélgica (e na maioria dos países desenvolvidos, diferentemente do Brasil), o pós-doutorado é classificado como emprego, não estudo — tanto que Ramos está lá com visto de trabalho, atuando temporariamente como pesquisador contratado da universidade. A bolsa tinha validade inicial de um ano e foi prorrogada até março de 2022.

“Vi a situação apertando aqui no Brasil, aí apareceu essa oportunidade de ir para fora e não tive como recusar”, contou Ramos ao Jornal da USP. “Meu primeiro sentimento é de tristeza, pois foi feito um investimento muito grande na minha formação e, justamente quando esse investimento começaria a dar frutos, tive que ir embora.”

Toda a formação acadêmica de Ramos foi custeada com recursos públicos: graduação em Física na Unesp de Rio Claro, com bolsa de iniciação científica da Fapesp; mestrado e doutorado em Física na USP, também com bolsas Fapesp, incluindo o estágio de seis meses na Bélgica (período sanduíche). Ele pesquisa as propriedades óticas de moléculas orgânicas, um nicho de pesquisa básica com eventuais aplicações em energia solar, telas OLED e outras tecnologias. 

Canuto, que orientou o doutorado de Ramos na USP, diz ter pelo menos dois outros alunos em situação semelhante; um deles já no Japão e outro, com convites para se mudar para Bélgica e Israel.

“Com a situação que se desenhou no Brasil, de escassez de recursos e perspectiva de cortes cada vez maiores, ir para o exterior deixou de ser uma opção — ou você vai ou fica sem nada”, lamenta Ramos. Apesar das condições de pesquisa serem muito boas na Bélgica, ele garante que preferia estar no Brasil. Mas só cogita voltar se a ciência voltar a ser valorizada no País, pelos governos e pela sociedade. “É muito triste não ter a possibilidade de trabalhar no meu país”, diz

Carta aberta: solidariedade internacional aos pesquisadores e cientistas no Brasil e ao povo brasileiro


Carta reúne pesquisadores do mundo inteiro, entre eles três ganhadores do Nobel, e pede a responsabilização sobre a crise sanitária no País. Leia na íntegra

Pesquisadore(a)s do mundo todo,

O Brasil registra 4.195 mortes pela covid. Ao todo, são mais de 340 mil óbitos contabilizados desde o começo da pandemia. Se o coronavírus afeta todos os países do globo, a amplitude da catástrofe sanitária que acomete o País não pode ser dissociada da gestão desastrosa do presidente Jair Bolsonaro. O presidente deve ser responsabilizado pela condução da crise sanitária no Brasil, que não somente fez explodir o número de mortes mas acentuou as desigualdades no País.

Em inúmeros momentos, o dirigente da república brasileira se referiu à covid-19 como « gripezinha», minimizando a gravidade da doença. Bolsonaro criticou as medidas preventivas, como o isolamento físico e o uso de máscaras, e por diversas vezes provocou aglomerações. Chegou a propagar o uso da cloroquina, embora cientistas alertassem para os efeitos tóxicos do uso do fármaco para combater a covid. Pesquisadores que publicaram estudos que demonstravam que o uso do medicamento aumentava o risco de morte em pacientes com covid chegaram a ser ameaçados no Brasil.

Bolsonaro desencorajou ainda a vacinação, chegando a sugerir, por exemplo, que as pessoas poderiam se transformar em «jacaré». Em meio ao negacionismo, proliferação de falsas informações e ataques à ciência, em plena crise sanitária, o presidente chegou a mudar quatro vezes de ministro da Saúde.

A ciência brasileira está sofrendo diversos ataques: cortes e mais cortes orçamentários que ameaçam pesquisas e colocam o trabalho de cientistas em xeque ; instrumentalização da ciência a fins eleitoreiros, como bem mostram as declarações do presidente descredibilizando o trabalho de cientistas durante a crise sanitária. Esses ataques, no entanto, vão além do contexto da covid-19. Basta lembrar os ataques feitos por Bolsonaro ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em um contexto alarmante diante dos níveis de desmatamento da Amazônia.

Ao desmentir a ciência, Bolsonaro não somente fere a comunidade científica, mas toda a sociedade brasileira: são diários os recordes de mortes pela covid, dados da Fiocruz indicam, por exemplo, a circulação de 92 cepas do coronavírus no Brasil, o que torna o país uma gigantesca fábrica de variantes; para além temos ainda os impactos sobre o meio ambiente, povos tradicionais da Amazônia e no clima global.

Em um contexto de crise sanitária, de agravamento das desigualdades, de mudanças climáticas, este tipo de conduta é inaceitável e o autor deve ser responsabilizado. Nós nos preocupamos com o agravamento da crise sanitária no Brasil, com os ataques à ciência, e por meio desta carta aberta nós, acadêmico(a)s de todo o mundo, demonstramos nossa solidariedade com os/as colegas no Brasil, cujas liberdades estão ameaçadas e com a população brasileira que é afetada diariamente por essa política destrutiva.

• Glenda Santana de Andrade – ATER em Ciências Políticas na Université Paris-Nanterre & doutoranda no Centro de Pesquisas sociológicas e políticas de Paris (CRESPPA-GTM), Université Paris 8, França
• Sylvie Chiousse – Diretora científica da revista Esprit critique, França
• Juliana Kiyomura Moreno – Doutoranda em cotutela Université Paris 8/Universidade de São Paulo-USP, Brasil/França
• Michelle Franco Redondo – Membro do Laboratoire d’Études de Genre et de Sexualité (Legs), França
• Pierre Veltz – Professor Emérito, École des Ponts ParisTech, França
• Angelo Soares – Professor titular, Université du Québec à Montréal, Canadá
• Alladatin Judicaël – Professor, Université Mohammed VI Polytechnique, Marrocos
• Zoé Tinturier – Doutoranda IEP de Bordeaux, França
• Eddine Bouyahi – Doutorando, Northwestern University/SciencesPo, França
• Soma Rostampour – Doutoranda, CRESPPA-GTM, França
• Sevilla Ariel – Mestre de conferências, Université de Reims, França
• David Dumoulin – Professor Sociologia, Université Sorbonne Nouvelle – IHEAL, França
• Papa Sakho – Professor, diretor do Laboratoire de Géographie Humaine, Université Cheikh Anta Diop, Dakar, Senegal
• Momar Diongue – Mestre de conferências, Université Cheikh Anta Diop de Dakar, Senegal
• Pierre Salama – Professor Emérito, Université Sorbonne-Paris Nord, França
• Solène Marié – Chefe de Cooperação Internacional, CNRS-InSHS, França
• Francisco Alambert – Professor, USP, Brasil
• Evelyn Nakano Glenn – Professora, Universidade da Califórnia, Berkeley, Estados Unidos
• Paola Diaz – Socióloga, COES-CEMS, França
• Maria Montanez – Pesquisadora, Bélgica
• Jean-Pierre Durand – Professor, Universidade de Evry Paris-Saclay, França
• Valeria Ribeiro Corossacz – Università di Modena e Reggio Emilia, Itália
• Isabelle Charpentier – Professora universitária em Sociologia – Universidade da Picardia – Júlio Verne, Amiens – França
• Maria Vicenta Haro Matas – Doutora, EHESS, Paris, França
• Yasmine Siblot – Professora de sociologia, Universidade de Paris 8, França
• François Boureau – Doutorando em sociologia, Universidade de Paris 8, França
• Antoine Guégan – Doutorando, Universidade de Lyon, França
• Emmanuelle Picard – Mestre de conferências, ENS de Lyon, França
• Cornelia Moser – Pesquisadora, CNRS, França
• Samantha Joeck – Doutoranda, EHESS, França
• Brigitte Chamak – Pesquisador, Universidade de Paris, França
• Mirjana Morokvasic Muller – Diretora de Pesquisa Emérita, CNRS, França
• Wenceslas Lizé – Sociólogo, Universidade de Poitiers, França
• Juan Felipe Duque – Doutorando, Sciences Po Grenoble, França
• Monish Bhatia – Professor de Criminologia e Justiça Criminal, Birkbeck, Universidade de Londres, Reino Unido
• Victoria Canning – Mestre de conferências, University of Bristol, Reino Unido
• Francesca Esposito – Pesquisadora, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Portugal
• Danielle Ranciere – Filósofa, Educação Nacional, França
• Daniel Altmann – Professor, Faculdade de Medicina, Imperial College London, Reino Unido
• Carolina Adaros – Doutoranda, Birmingham City University, Reino Unido
• Jacques Rancière – Professor honorário, Universidade de Paris 8, França
• Catherine Marry – Sociólogo, CNRS, França
• Jules Falquet – Professor de Sociologia, Universidade de Paris, França
• Felipe Kaiser Fernandes – Doutorando (IIAC EHESS) – CEFRES, França
• Marie-Laure Basilien-Gainche – Professora de Direito, Jean Moulin Lyon 3 University, França
• Danièle Linhart – Socióloga, diretora de Pesquisa Emérita, CNRS, França
• Angeliki Drongiti – Doutor em sociologia, Cresppa-CSU, França
• Leandro França – Doutorando, Universidade Nova de Lisboa, Portugal
• Johann Cailhol – Universidade Paris 13, UR3412, França
• Anaenza Freire Marescs – Médico de doenças infecciosas APHP Paris, França
• Yannis Papadopoulos – Pesquisador, IMS-FORTH, Grécia
• Izadora Xavier – Doutora, Freie Universität, Alemanha
• Odile Henry – Professora universitária, Paris 8, França
• Helena Hirata – Diretora Emérita de Pesquisa, CRESPPA-GTM-CNRS, França
• Gustavo Beritognolo – Professor, Universidade de Ottawa, Canadá
• Luc Bouganim – Pesquisador, Inria, França
• Mariana Ramos Pitta Lima – Doutoranda em Saúde Pública, Universidade Federal da Bahia, Brasil
• Valeria Ingenito – Doutoranda, Università di Napoli L’Orientale, Itália
• Fanny Jedlicki – Mestre de conferências, Rennes 2 University, França
• María Mercedes Di Virgilio – Pesquisadora, Universidade de Buenos Aires / CONICET, Argentina
• Gaide Aden – ATER em sociologia, Université de Tours, França
• Blandine Destremau – Diretora de Pesquisa, CNRS, França
• Hélène Nicolas – Professora associada, Universidade de Paris 8, França
• Emilie Blanc – ATER, Universidade de Lyon 2, França
• K. Mariquian Ahouansou – Professor, American University of Paris, França
• Sara Garbagnoli – Pesquisador em estudos de gênero, Legs, França
• Soraya Silveira Simões – Professora, UFRJ, Brasil
• Engin Isin – Professor, Mary University of London, Reino Unido
• Atenea Rosado – Doutorando, Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos
• Bruno Dupeyron – Professor, University of Regina, Canadá
• Helen Hintjens – Mestre de conferências, Instituto Internacional de Estudos Sociais (Universidade Erasmus), Haia, Holanda
• Emmanuel Bellanger – Diretor de Pesquisa, CNRS, França
• Susan McGrath C.M. – Professora Emérita, York University, Canadá
• Richard Toppo – Doutorando, ISS, Haia, Holanda
• Yukari Sekine – Doutorando, Instituto Internacional de Estudos Sociais, Holanda
• Ana Carolina Maciel – Pesquisadora, UNICAMP, Brasil
• João Ribeiro Medeiros – Doutorando, CBPF, Brasil
• Federica de Cordova – Pesquisadora, Università di Verona, Itália
• Benjamin Leclercq – Doutorando, Paris 8 University, França
• Nouria Ouali – Professora da Universidade Livre de Bruxelas, Bélgica
• Florent Pasquier – Mestre de conferências, Université Sorbonne, França
• Patricia Lambert – Professora, Ecole Normale Supérieure de Lyon, França
• Mathilde Moaty – Doutorando em LATTS, Universidade Gustave Eiffel, França
• Nadia Vargaftig – Professora associada, Universidade de Reims, França
• Marie Segonne – Doutoranda, Paris 8 University, França
• Odile Hoffmann – Diretora de Pesquisa, Instituto IRD de Pesquisa para o Desenvolvimento, França
• Daniela Andrade – Doutoranda, Instituto de Estudos Sociais, Holanda
• Nina Gren – Mestre de conferências, Lund University, Suécia
• Doi Ra – Doutorando, Instituto de Estudos Sociais, Mianmar
• Romain Gallart – Pesquisador associado, Universidade Paris Nanterre, França
• Marie-Pierre Julien – Professora associada, Universidade de Lorraine – Nancy – França
• Laurine Sézérat – Pesquisador, Universidade Paris 8, França
• Laura Madrid Sartoretto – Professora, UFRGS, Brasil
• Diego Lasio – Pesquisador, Universidade de Cagliari, Itália
• Marie Walter-Franke – Doutoranda, Universidade Livre de Berlim, Alemanha
• Julianna Colonna – Doutoranda, Universidade de Pau, França
• Renata Cavalcanti Muniz – Doutoranda, ISS – Erasmus University Rotterdam, Holanda
• K Cheney – Mestre de conferências, Inst. Internacional de Estudos Sociais, Haia, Holanda
• Armelle Jacquemot – Professora-pesquisadora, Universidade de Poitiers, França
• Luin Goldring – Professor de Sociologia, York University, Canadá
• Anne Sauvagnargues – Professora de Filosofia, Universidade de Paris Nanterre, França
• Alexandra Mirowski Rabelo de Souza – Doutoranda, York University, Canadá
• João Villaverde – Doutorando em Administração Pública e Governo, EAESP-FGV, Brasil
• Leonardo Bueno – Pesquisador, FGV-EAESP, Brasil
• Mi Medrado – Doutoranda, Ucla, Estados Unidos
• Octavio de Barros – Economista, fundador da associação República do Amanhã-Brasil, Brasil
• Grace Barakat – Doutoranda, York University, Canadá
• Luana da Silva Ribeiro – Doutoranda em Economia, UNESP – Brasil
• Marcos Roberto dos Santos – Professor, FAMP, Brasil
• Virginie Baby-Collin – Professora de Geografia, Universidade de Aix-Marseille, França
• Oane Visser – Mestre de conferências, ISS da Erasmus University Rotterdam, Holanda
• Brian C.J. Singer – Professor, Glendon College, York University, Canadá
• Fabio Pucci – Doutorando, UFSCar, Brasil
• Barbara Poggio – Professor, Universidade de Trento, Itália
• Amber-Lee Varadi – Doutoranda, York University, Canadá
• Roberto Leher – Professor, UFRJ, Brasil
• Jean-Marc Pétillon – Pesquisador, CNRS, França
• Georges Flexor – Doutor, UFRRJ, Brasil
• Liliana Petrilli Segnini – Professora de Sociologia, Unicamp, Brasil
• José Artur dos Santos Ferreira – Professor, UFOP, Brasil
• Herb Arst – Professor Emérito de Genética Microbiana, Imperial College London, Reino Unido
• Laura Corradi – Socióloga, Università della Calabria, Itália
• Nicolas Bautes – Professor-pesquisador, geógrafo, França
• Stéphanie Deboeuf – Pesquisadora, CNRS, França
• Martinet Gilles – ATER na UPEC, França
• Georges Benguigui – Pesquisador, CNRS, França
• Christophe Baticle – Socioantropólogo, UPJV, França
• Anny King – Fellow, Churchill College, University of Cambridge, Reino Unido
• Benvindo Manima – Mestre, Universidade Federal Fluminense, Brasil
• Héloïse Nez – Professora de Sociologia, University of Tours, França
• Tulio Matencio – Professor Titular, Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil
• Luís Carlos Moro – Secretário-geral / American Association of Jurists / Continental
• Laurent Gil – Professor, UFOP, Brasil
• Michel Mayor – Professor Emérito, Universidade de Genebra, Suíça / Nobel de Física 2019
• Cecile Lefevre – Professora, Universidade de Paris, França
• Claudio Luis Donnici – Professor, UFMG, Brasil
• Sophie Pène – Professora, Universidade de Paris, França
• Marilia Oliveira Fonseca Goulart – Professora da Universidade Federal de Alagoas, Brasil
• Sandra Sawaya – Professora, USP, Brasil
• Charles Rice – Professor, The Rockefeller University, Estados Unidos / Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2020
• Cristiane Maria Cornelia Gottschalk – Professora, USP, Brasil
• Danièle Kergoat – Socióloga, CNRS, Paris
• Ricardo Olimpio de Moura – Professor, Universidade Estadual da Paraíba, Brasil
• Luciana dos Santos Duarte – Doutoranda, Universidade Federal de Minas Gerais / Instituto Internacional de Estudos Sociais – Brasil / Holanda
• Steffen Fischer – Pesquisador, Greenside Design Centre (Johannesburg), África do Sul
• Janaína Vieira – Mestranda, USP, Brasil
• Marco Bacio – Doutorando, Universidade de Milão, Itália
• Heike Drotbohm – Professora de Antropologia, Universidade de Mainz, Alemanha
• Luc Bonte – Presidente do FONCABA asbl, Bélgica
• Peter Wagner – Professor-pesquisador, ICREA e Universidade de Barcelona, Espanha
• Christian Lavault – Professor Emérito, Sorbonne University Paris 12, França
• Simonne Teixeira – Professora, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Brasil
• Renee Sylvain – Professora, Universidade de Guelph, Canadá
• Paulina Garcia Del Moral – Mestre de conferências, Universidade de Guelph, Canadá
• Marie Chenet – Mestre de conferências, Université Panthéon-Sorbonne, França
• Marina Cadaval – Doutoranda, ISS-EUR Holanda, Holanda
• Romain Busnel – Doutor em Ciências Políticas, Universidade de Lille, França
• Artemisa Flores Espinola – Mestre de conferências em sociologia, Universidade Paris-Est Créteil, França
• Daniela Cherubini – Pesquisadora, Università Degli Studi di Milano Bicocca, Itália
• Yolande Benarrosh – Professora de Sociologia, Universidade de Aix-Marseille, França
• Vicente Martínez Barrios – Professor associado, Universidade de Brasília, Brasil
• Daniel Cefai – Diretor de estudos da EHESS, França
• Gianmaria Colpani – Doutor, Universidade de Utrecht, Holanda
• Stefania Voli – Pesquisadora, Università di Milano Bicocca, Itália
• Carlos Corredor – Reitor, Universidad Simón Bolívar, Colômbia
• Aurélie Damamme – Professora, Universidade Paris 8, França
• MF Deligne – IE / CNRS / França
• Chantal François – Pesquisador, INSERM, Paris, França
• Matteo Botto – Doutorando, Universidade de Gênova, Itália
• Rita Monticelli – Professora, Universidade de Bolonha, Itália
• Carmela Ferrara – Doutoranda, Universidade de Napoli Federico II, Itália
• Maria Peixoto – Doutoranda, OntarioTech University, Canadá
• Chiara Paglialonga – Doutoranda, Universidade de Pádua, Itália
• Yazid Ben Hounet – Pesquisador do CNRS, Laboratoire d’Anthropologie Sociale, Paris, França
• Claude Calame – Professor. dr., Escola de Estudos Superiores em Ciências Sociais, Paris, França
• Rose-Marie Lagrave – Diretora de estudos da EHESS, Paris, França
• Christelle Rabier – Mestre de conferências, EHESS (Marselha), França
• Sophie Bobbé – Antropóloga, Escola de Estudos Superiores em Ciências Sociais, França
• Carmen Lucia Soares – Professora, UNICAMP, Brasil
• Angela Aisenstein – Professora, Universidad Nacional de Luján, Argentina
• Rocio Guadarrama Olivera – Professora-pesquisadora, Universidad Autónoma Metropolitana, México
• Geraldine Jourdain – Doutoranda, Universal Technical Institute, Japão
• Giuseppe Burgio – Professor, Università “Kore” di Enna, Itália
• Zeynep Kaşlı – Mestre de conferências, Instituto Internacional de Estudos Sociais, Holanda
• Manuel Moreno – Professor, Universidad Nacional de Luján, Argentina
• Brigitte Morand – Professora-pesquisadora, Clermont Auvergne University, França
• Vincenza Perilli – Pesquisador precário – Itália
• Fernando Bomfim Mariana – Professor, Universidade de Brasília, Brasil
• Maria Arminda do Nascimento Arruda – Professora titular de Sociologia, USP, Brasil
• Conor Douglas – Mestre de conferências, York University, Canadá
• Julie Sedel – Professora, Université de Strasbourg, França
• Laura Lucia Parolin – Mestre de conferências, University of Southern Denmark, Dinamarca
• Yolaine Gassier – Doutoranda, Universidade de Aix-Marseille, França
• Sharie Neira Rios – Doutoranda, Universidade de Paris, França
• Pierre Bataille – Mestre de conferências, UGA , França
• Frédéric Lebaron – Professor de Sociologia ENS Paris-Saclay, França
• Inês Bragança – Professora, UNICAMP, Brasil
• Kaja Antlej – Mestre de conferências, Deakin University, Austrália
• Alberica Bazzoni – Pesquisadora, ICI Berlin Institute for Cultural Inquirt, Alemanha
• Peter Ratcliffe – Diretor de Pesquisa Clínica, The Francis Crick Institute, Londres, Reino Unido / Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2019
• Sandra Challin – Pesquisadora, CNRS, Paris, França
• Romain Leclercq – Doutorando, Université Paris 8, França
• Maira Abreu – Pós-doutoranda USP/Cresppa, Brasil/França
• Elodie Picard – CNRS / OpenEdition – France
• Urbano Nojosa – Professor de Jornalismo, PUC/SP, Brasil
• Simonne Teixeira – Docente, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Brasil

AVICENA É UMA LUZ NA IDADE MÉDIA



Avicena é uma luz na Idade Média. Mais do que um médico, foi um grande filósofo, buscador da verdade. Sua forte busca pelo saber não se limitava às dimensões de sua personalidade; suas obras enciclopédicas nos mostram essa vontade inquebrantável que habitava seu coração. Busca no neoplatonismo e em Aristóteles as bases para seus ensinamentos, mantendo viva a memória desses grandes filósofos. Foi exemplo de médico e de filósofo.
ABN ALI AL HOSAIN IBN ABDALLAH IBN SINA, também conhecido como Avicena, foi filósofo, médico, matemático, astrólogo, alquimista, poeta, músico, físico, político e místico. Segundo H.P.Blavatsky, Avicena era um “filósofo persa, nascido em 980, apelidado de “o famoso”, autor das primeiras obras de alquimia conhecidas na Europa; diz a lenda que tendo o conhecimento do Elixir da vida, ainda está vivo, como um adepto que se manifestará aos profanos no fim de certo ciclo”. Devido a sua ânsia de saber, também era chamado de al-Shaij al-Rais “o primeiro dos sábios”. Nasceu em Afshana, fronteira com Afeganistão. Ao nascer sua família mudou para Brujara.
Desde cedo mostrou suas aptidões intelectuais. Aos dez anos recitava o Alcorão de memória. Antes dos dezesseis, quando já estudava e praticava medicina; conhecia lógica, física, matemática e metafísica. Empenhou-se muito nos estudos da filosofia e das ciências com uma vontade inquebrantável para além do sono e da fadiga. Sua fama como médico era tão conhecida que, com apenas 18 anos, foi nomeado médico da corte do soberano samaní de Bujara. Permaneceu nesse cargo até a queda do império samaní em 999, e passou os últimos 14 anos de sua vida atuando como conselheiro científico e médico do governante de Ispahán.
Conta Yuzyani, seu fiel discípulo, que aos dezenove anos não se encontrava ninguém que pudesse se igualar a ele nas diversas disciplinas. Sua memória era surpreendente. Quando a monumental biblioteca de Brujara foi queimada, as pessoas se consolavam: “o santuário da sabedoria não pereceu; transferiu-se para o cérebro de Al-Shaij al-Rais.”
Antes de completar 21 anos, escreveu o seu Cânone de Medicina que por muitos anos permaneceu como a principal autoridade nas escolas médicas tanto da Europa quanto da Ásia. É um compêndio estruturado de todos os conhecimentos médicos existentes na época, que constava de 5 livros, a obra é uma síntese que recolhe todo o conhecimento dos grandes médicos greco-romanos: Hipócrates, Galeno, Dioscórides e Aristóteles. A essa base teórica somam-se os conhecimentos de caráter prático da antiga Pérsia e da Índia. Escreveu “O sentido e a Essência”, de quase vinte fascículos, e o livro “O Bem e o Mal”.
Em 1014 (ano 450 da emigração muçulmana) estabeleceu-se em Hamadán. Avicena era, naquela época, um médico famoso e foi chamado para atender o Emir de Hamadán, Shamsodawlah. Aqui começa sua etapa política: o Emir dá-lhe o título de primeiro ministro. Pela primeira vez, Avicena tem a oportunidade de transformar seu ideal filosófico em um ideal político e passará da teoria à prática. Como ocorreu com Platão e Confúcio, tenta aplicar seus conhecimentos ao serviço público em benefício da comunidade com um claro fim pedagógico.
Avicena transmite, tanto na medicina como na política, um único fim: “fazer que os homens sejam melhores e mais felizes, aplicando normas estabelecidas de justiça e direito”.
Evidentemente, seu trabalho lhe trouxe muitos inimigos. Como ele mesmo deixou escrito em uma de suas obras: “Se não houvesse deixado sinal algum no coração dos homens, não teriam se ocupado comigo. Não estariam nem a favor nem contra mim.”
Escreveu o Kitab al-Shifa (O Livro da Cura), conjunto de 18 livros que tratam das ciências fundamentais, da lógica, matemática, física e astronomia. A filosofia de Avicena era uma combinação da filosofia de Aristóteles, neoplatonismo e teologia islã. O título dessa obra explica sua intenção humanista e filosófica, porque se o Preceito estava destinado à cura do corpo. Al-Shifa pretende curar a alma, para que os homens sejam moralmente fortes e nobres. Foi a primeira enciclopédia do saber na Europa. É a obra de recompilação e investigação mais ambiciosa que havia sido escrita até aquele momento.
Despertava antes da alvorada para redigir sua obra a um ritmo de quase cinqüenta páginas diárias e recebia seus discípulos ao amanhecer para instruí-los antes de conduzi-los à oração. Por causa das muitas viagens, demorou dez anos para terminar sua obra, que consta de quatro partes: lógica, física, matemática e metafísica. Nela estão expostas idéias de Platão, Aristóteles, Plotino, Zenón e Crisipo, entre outros, unificadas pelo estilo próprio do autor. A intenção de Avicena era expor o fruto das ciências dos antigos, dos filósofos clássicos. Não era um simples comentário de Aristóteles, e sim um compêndio da sabedoria que havia perdurado até então. Como definiu recentemente um dos comentaristas de sua obra, Al-Shifa “é o universo em um livro”.
O Cânone de Avicena tornou-se, ao fim de uma lenta evolução, que levou cerca de um século, a obra básica do ensino universitário medieval, e ainda era largamente usado no século XVI, apesar da ascensão do antiarabismo. Oferecia soluções a pontos de discordância entre dois mestres do pensamento da Idade Média, que foram Aristóteles e Galeno. Dava, principalmente, um conselho geral: deve-se seguir o filósofo em matéria de filosofia, o médico em matéria de medicina. Devido à vasta extensão dessa enciclopédica obra, escreveu posteriormente “Al-Nayat” (a Salvação), que é um resumo do “Shifa”.
Acusaram sua filosofia de falta de originalidade. Ele não pretendia fazer algo novo ou velho, mas sim resgatar o atemporal. Sua obra era uma síntese de mística e filosofia e foi atacada também por teólogos. Avicena abandona a corte e foge com seu discípulo para Ispahán. Nessa cidade escreveu mais livros. Em agosto de 1037, durante uma campanha bélica para Hamadán, Avicena morre. Conta-se que, sabendo-se gravemente doente, libertou seus serviçais e repartiu seus bens com os pobres.
Descobriu muitos medicamentos, identificou e tratou várias doenças tal como a meningite, mas a sua maior contribuição foi na filosofia da medicina. Criou um sistema de medicina no qual a prática médica podia ser realizada e os fatores físicos e psicológicos, medicamentos e dieta eram combinados. Seu tratado tornou-se a matéria médica mais autêntica de sua era.
A Medicina Islâmica combinava o uso de drogas para fins medicinais com considerações dietéticas – como podemos notar no Cânone de Avicena – e um modo de vida totalmente derivado dos ensinamentos do Islã, para criar uma síntese, que não se extinguiu até aos dias de hoje, apesar da introdução da medicina moderna em quase todo o Mundo Islâmico.
Alberto Magno e Tomás de Aquino nutriam grande admiração por Avicena. Sua influência no Oriente não foi duradoura devido à oposição também dos teólogos ortodoxos. No Ocidente, contudo, Avicena foi decisivo para a difusão do pensamento de Aristóteles nos séculos XII e de igual maneira XIII.
Profundo estudioso de Aristóteles, deu, não obstante, interpretações originais à teoria do conhecimento, observando-se em seus estudos forte influência neoplatônica, que talvez tenha motivado sua intenção de criar uma teosofia mística que sustentasse a fé islâmica. Seu pensamento preparou as descobertas do Renascimento
O mundo Otomano era também uma arena de grande atividade médica derivada da herança de Avicena. Os turcos Otomanos eram principalmente conhecidos pela criação de grandes hospitais e centros médicos.
Fez diversas observações astronômicas e planejou um contrivance para aumentar a precisão de leituras instrumentais. Na física, realizou o estudo de formulários diferentes da energia, do calor, de claro e de mecânico, e conceitos como a força, o vácuo e a infinidade. Propunha uma interconexão entre o tempo e o movimento, com investigações também feitas na gravidade específica, usou um termômetro de ar. Seu tratado em minerais era uma das fontes principais da geologia dos enciclopedistas cristãos do décimo terceiro século. São atribuídos a ele 456 livros em árabe e 23 em persa. Também escreveu inúmeras poesias.

Como ocorre com outros personagens proeminentes da história, querer restringir Avicena apenas a uma faceta de filósofo seria injusto. Ele era médico, filósofo, matemático, astrólogo, alquimista, poeta, músico, físico, astrônomo, político e místico. Sua ânsia de saber não tinha limites. Por isso, a palavra que melhor o define é, tal como lhe chamavam seus contemporâneos, al-Shaij al-Rais, “o primeiro dos sábios”.

FONTE: NOVA ACRÓPOLE

BIBLIOGRAFIA:
* http://www.pucsp.br/~filopuc/verbete/avicena.htm
* http://www.islam.org.br/a_medicina.htm
* Canon de Avicena. Autor del Trabajo: Gabriel Garde Herce.
* http://www.newadvent.org/cathen/02157a.htm
* http://faculty.salisbury.edu/~jdhatley/MedArabPhil.htm
* Tradução do Árabe para o Português, do Tratado I, da obra intitulada AL-MABDA’WA AL-MA’_D (A Origem e o Retorno), DE IBN SINA (Avicena 980-1037). Jamil Ibrahim Iskandar.
* Caderno de Cultura. Nº46 . Editora Nova Acrópole – Brasil. Texto de Alberto Granero.
* Glossário Teosófico. Helena Petrovna Blavatsky. Ed. Ground.

O FÍSICO | UM FILME HISTÓRICO INDISPENSÁVEL


Avicena é uma luz na Idade Média. Mais do que um médico, foi um grande filósofo, buscador da verdade. Sua forte busca pelo saber não se limitava às dimensões de sua personalidade; suas obras enciclopédicas nos mostram essa vontade inquebrantável que habitava seu coração. Busca no neoplatonismo e em Aristóteles as bases para seus ensinamentos, mantendo viva a memória desses grandes filósofos. Foi exemplo de médico e de filósofo.

Fonte: Nova Acrópole