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ALUÍZIO BEZERRA COUTINHO


(1909-1997) Biólogo Homenageado em 2007
Série Sinopses Biográficas

Aluízio Bezerra Coutinho nasceu na cidade de Nazaré da Mata, no dia 29 de março de 1909, tendo obtido toda a sua formação básica em Recife, no Colégio Americano Batista e no Ginásio Pernambucano. Em 1925, ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, graduando-se em 1930 e já no ano seguinte foi cumprir estágio em Toronto – Canada e na Columbia University – Estados Unidos.

Motivou-se para a Patologia quando ainda estudante, tendo sido convidado pelo Prof. Aggeu Magalhães (igualmente notável cientista pernambucano) para trabalhar com ele em sua cátedra na Escola de Medicina do Recife. Aos 27 anos obteve, por concurso, a cátedra de Patologia na Escola de Medicina do Recife, na qual passou a ensinar até 1979, quando se aposentou compulsoriamente.

Manteve-se, entretanto, como professor da pós-graduação, além de orientar teses de mestrado e de doutorado. Bezerra Coutinho foi pioneiro em diversas áreas das ciências, sobretudo nos aspectos hoje conhecidos como multidisciplinaridades das interações biológicas e não biológicas, entre animais e vegetais. Nessa seara fazia hipóteses teóricas e se interessava, particularmente, pela vivência prática das questões.

Prova disso foi a notável pesquisa com caramujos urbanos do gênero Biomphalaria, encontrando-os infestados com formas larvárias de Schistosoma mansoni, em percentuais considerados altos. Postulou, então, que os casos humanos da doença decorrente desse parasita, vistos nas metrópoles, seriam mais graves que aqueles detectados na zona rural, em função da carga parasitária a que estariam submetidos os doentes da cidade.

A questão da Esquistossomose serviu de grande polêmica quando se discutia o tratamento da parasitose, haja vista as posições rígidas de Bezerra Coutinho sobre a não indicação de terapêutica farmacológica, pelo risco de levar para o fígado grande volume de vermes mortos. Como argumentava o mestre: “o órgão seria transformado em cemitério de vermes”. Dessa forma, ele postulava que as drogas eram ótimas para matar os vermes, mas também matavam o hospedeiro, ou seja, o homem doente.

O pensamento e as contribuições de Bezerra Coutinho nesta área estão inseridos em diversos periódicos nacionais e estrangeiros. Como médico, a preocupação natural de Bezerra Coutinho era com a higiene da habitação, objeto de estudo que partilhava com os engenheiros sanitaristas que o precederam no século XIX.

As propostas de Coutinho para a casa higiênica tinham, também, um componente social significativo, propondo como solução a produção em escala da maior parte possível dos componentes das habitções, a fim de obter a redução do custo de construção.

No ensaio intitulado “Ideias sobre um Recife de amanhã”, de 1932, Coutinho profetiza, quando sustenta que a circulação de veículos é um dos mais graves problemas do Recife e formula a ideia de bairros satélites, alinhando-se com as atuais preocupações de mobilidade veicular na cidade do Recife.

Bezerra Coutinho não era um médico comum, foi um cientista. Deixou 54 trabalhos publicados na sua área específica e com especulações, contestações e contribuições brilhantes em outras áreas de conhecimento, como a arquitetura e o urbanismo. Proferiu inúmeras palestras e conferências, bem como apresentou resultados de pesquisas em congressos científicos. Como Professor de Patologia, suas aulas teóricas eram marcadas pelo domínio e profundidade do conteúdo, com exposição dos temas de modo fascinante, sempre com um sorriso cativante. Faleceu no Recife, em 31 de julho de 1997.

Fonte: Espaço Ciência de PE

Aluízio Bezerra Coutinho | Um Sábio Pernambucano do Século XX (*)

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