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MULHERES NA MEDICINA |AS PIONEIRAS


Maria Amélia Cavalcanti de Albuquerque

As pioneiras da medicina no Brasil e Pernambuco

As pioneiras da Medicina no Brasil e Pernambuco

Mário V. Guimarães        

  Foi no fim do século XIX que a mulher brasileira resolveu desafiar os rígidos princípios da época, enfrentou a sua intangibilidade e ir de encontro a tudo que a cercava, e estudar medicina. Era uma época em que até ir a um médico para uma consulta que se impunha constituía um desafio, pois a moralidade reinante não admitia que o corpo da mulher, solteira ou casada, fosse tocado ou vislumbrado por um estranho. Óbitos foram inclusive registrados face a recusa formal da própria paciente ou de seus familiares, em permitirem o exame médico. Predominavam na época as parteiras e as chamadas “curiosas”. Entre as primeiras algumas estrangeiras e devidamente qualificadas, que para aqui vinham por saberem dos costumes vigentes. Só em 1879, foi que ato do imperador D.Pedro II abriu as escolas médicas brasileiras para as mulheres.         Surgiu então a primeira desafiante: MARIA AUGUSTA GENEROSO ESTRELA, nascida no Rio de Janeiro em 1860, filha de um rico comerciante português, bem criada, e que aos 14 anos resolveu estudar medicina. Foi em 1875, para os Estados Unidos, tendo enfrentado alguns percalços face a idade. Só no ano seguinte conseguiu matricular-se na New York College and Hospital for Women, terminando o curso em 1879, mas teve de esperar por março de  1881, quando completou maioridade, então foi diplomada solenemente tendo recebido uma medalha de ouro pela melhor dissertação de tema clínico, e ainda foi a oradora da turma. Naquele ano, graduaram-se apenas quatro médicas, sendo duas norte americanas, uma alemã e uma brasileira. Detalhe: Durante o curso o pai perdeu a fortuna e ela foi ajudada pelo imperador D Pedro II, um Mecenas da época,que lhe concedeu uma pensãoanual de 1.500$000 réis para seu estudo. Faleceu em 1946.        Contudo, a primeira médica brasileira a se formar numa faculdade brasileira, foi a gaúcha RITA LOBATO VELHO LOPES. Formou-se na Bahia em 1887, setenta e nove anos após a criação do curso médico. Nasceu em 1867, e faleceu em 1954. Recebeu o diploma após defender a tese “métodos preconizados nas operações cesarianas”.        A segunda médica a colar grau em uma escola brasileira também era gaúcha. ERMELINDA LOPES DE VASCONCELOS, nascida cega por infecção e depois curada, foi a primeira formada no Rio de Janeiro em 1888. Nasceu em 1866 e faleceu na década de 50. Defendeu a tese intitulada “Formas clínicas da meningite na criança, diagnóstico diferencial”.        Quanto a Pernambuco, a nossa primeira médica foi MARIA AMÉLIA CAVALCANTI  DE ALBUQUERQUE, que também teria sido a nossa pioneira na toco-ginecologia, por ter exercido vitoriosamente a especialidade. Também chamada de Dra Amélia Cavalcanti, ou ainda Amélia Doutora, como era conhecida. Filha de João Florentino Cavalcanti de Albuquerque e Herundina de Siqueira Cavalcanti de Albuquerque, nasceu em 8 de agosto de 1854, na casa grande do engenho Dromedário, Sirinhaém, Zona da Mata. Formou-se no Rio de Janeiro em 16 de janeiro de  1892, defendendo a tese “Do eritema nodoso palustre”. Foi também a primeira médica a clinicar no Recife, com consultório na Rua 1ª Março, atual Conde da Boa Vista. Faleceu cega em 27 de outubro de 1934, mas com grande apoio de familiares e amizades que soube conquistar. Coincidência: Em 1934, formaram-se as primeiras médicas pela Faculdade de Medicina do Recife.        As primeiras médicas formadas pela FMR, foram as paraibanas EUDESIA DE CARVALHO VIEIRA, de Livramento, e NEUSA VINAGRE DE ANDRADE, de João Pessoa, antiga Paraíba do Norte, isto em 21 de dezembro de 1934. A terceira medica da FMR foi a também paraibana ARACILDA BENTHEMMULLER MEDEIROS, em cerimônia realizada no então teatro moderno, em 06 de dezembro de 1935. Neste mesmo ano, tivemos também a formatura da primeira pernambucana ISAURA LEMOS MESQUITA, nascida em 07de fevereiro de 1910, e diplomada em cerimônia simples na secretária da faculdade em 26 de março de 1936.       Como vemos, muito diferente dos dias atuais nos quais há uma predominância absoluta do elemento feminino, enriquecendo, estimulando e embelezando as nossas faculdades.        OBS: Agradecemos ao Dr Cláudio Renato Pina Moreira(Unicordis), sua valiosa colaboração para esse trabalho, assim como dados colhidos do livro “ Uma ciência da diferença: sexo e gênero na medicina da mulher”, de Fabíola Rhoden (Edt.Fiocruz ).                                                    Recife, 29/05/06. Cópia de um e-mail recebido do pernambucano Delano M. de Barros Carvalho e residente na cidade de Saint Petersbourg, FL, USA :       “Pesquisando sobre a minha família, li com interesse o artigo sobre Maria Amélia de Carvalho e Albuquerque. Gostaria de acrescentar um outro dado interessante.O avô de Amélia Doutora foi o Dr. Aluízio Marques, filho de José Marques, o primeiro médico negro de Pernambuco. Ele casou com uma das filhas do meu tetravo, o Cel. Florentino Cavalcanti de Albuquerque, que por ironia, foi “guabirú-mor” (defensor da escravidão). Cearense, radicado em Cimbres, hoje Peaqueira, em 1845, onde foi dono de muitos engenhos.”  (O Dr. Aluízio Marques foi diretor da Casa da Saúde São Vicente , no RJ. em 1836).

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