MAPAS DO TRÁFICO


Mapas do Tráfico Escravo

O Brasil foi a região que mais recebeu escravos no período de 1501 a 1900. De acordo com o Banco de Dados do Comércio Transatlântico de Escravos (The Transatlantic Slave Trade Database, em inglês), 4,86 milhões de escravos foram desembarcados no território brasileiro nesse período – mais do que em qualquer outro destino. Como a fonte é a mais completa e confiável disponível sobre esse tema, o Truco – projeto de checagem de fatos da Agência Pública – classificou a afirmação como verdadeira.

O levantamento faz parte de uma iniciativa internacional de catalogação de dados sobre o tráfico de escravos que inclui, entre outras instituições, a Universidade Harvard e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). As estatísticas são citadas por pesquisadores brasileiros como Luiz Felipe de Alencastro. Em artigo publicado no livro Dicionário da Escravidão e Liberdade (Companhia das Letras, 2018), o historiador destaca a “reconhecida precisão do levantamento” e afirma que os dados oferecem “um panorama amplo e, em boa medida, definitivo do tráfico e do transporte transatlântico de africanos

Empreendido por governos e companhias mercantis, o comércio transatlântico de africanos escravizados deixou numerosos registros, que permitem estimar o total de escravos desembarcados. Segundo o banco de dados, entre 1501 e 1900 foram desembarcados 4,86 milhões de escravos no Brasil, mais que o dobro do que na segunda macrorregião que mais recebeu trabalhadores, o Caribe britânico, com 2,31 milhões de desembarcados. Já a América espanhola, que inclui Chile e Argentina, recebeu 1,29 milhão de escravos. O Caribe francês, que corresponde hoje a países como Haiti, Martinica e Guadalupe, recebeu 1,12 milhão. As colônias holandesas na América foram destino de 444.728 escravos africanos e a América do Norte continental, notadamente os Estados Unidos, recebeu 388.746 escravos no mesmo período. Completam a lista de macrorregiões a África (155.569 escravos desembarcados), as Antilhas dinamarquesas, que correspondem à atual Ilhas Virgens Americanas (108.998 escravos desembarcados), e a Europa (8.861).

Fonte: Fundação Getúlio Vargas

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ESCADA-PE | PATRIMÔNIO HISTÓRICO


Escada, na Mata Sul de Pernambuco, revela relíquias de engenhos de açúcar; veja

O projeto Turismo Rural em Escada promoveu visita a cinco engenhos e prevê novos passeios na cidade da Zona da Mata Sul de PernambucoCleide Alves

Cleide Alves

Publicado em 29/12/2019

Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Leitura: 9min

Houve um tempo em que o município de Escada, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, tinha mais de 150 engenhos de cana-de-açúcar funcionando. Com o declínio da tradicional atividade agroindustrial, muitos desapareceram. Restam na cidade uns 70, alguns preservados e vários em ruínas. Cinco deles foram escolhidos para inaugurar, domingo passado (22), o projeto Turismo Rural de Escada, que prevê visitas a casarões de antigos engenhos, passeios por cachoeiras e caminhadas nas estradas com fama de mal-assombradas, em cinco rotas distintas.

A Rota dos Barões, a primeira a ser explorada, levou 50 pessoas aos Engenhos Sapucaji, Barra, Limoeiro Velho, Jundiá Grande e Preferência (localizado em Primavera após mudanças nos limites municipais). “Essa é uma forma de estimular as pessoas a conhecerem a sua história”, afirma o arqueólogo Álex Anthony, coordenador do projeto. O próximo passeio é o Caminho das Águas, em 12 de janeiro de 2020, numa trilha para percorrer as cachoeiras Pé de Serra, Rasga Sunga e Pedra Americana.

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Com 12 janelas na fachada principal e 15 quartos, o Engenho Sapucaji fica no município de Escada – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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A casa-grande do Engenho Sapucaji foi construída na segunda metade do século 19 em Pernambuco – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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O casarão pertence à família Dias Lins e conserva mobiliário antigo nas salas e nos quartos – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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O casarão pertence à família Dias Lins e conserva mobiliário antigo nas salas e nos quartos – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Em 1887, no século 19, o Engenho Sapucaji recebeu a visita do príncipe Adalberto da Prússia – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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A casa-grande do Engenho Preferência é de 1917 e foi construída sobre a moradia antiga, de 1875 – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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O casarão do Engenho Preferência mantém o piso de mosaico inglês na sala e no terraço – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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O casarão do Engenho Preferência mantém o piso de mosaico inglês na sala e no terraço – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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De propriedade da família Pontual, o Engenho Preferência nasceu em Escada e hoje fica em Primavera – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Preferência não moía cana, o engenho mantinha o cultivo da cana e a criação de gado e cavalo – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Casarão de estilo neogótico do Engenho Limoeiro Velho, construído em meados do século 19 em Escada – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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A casa-grande de Limoeiro Velho foi restaurada em 2017, vendida em 2019 e passa por reforma interna – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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O Engenho Limoeiro Velho foi residência do Barão de São Braz e do segundo Barão de Suassuna – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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O pintor Cícero Dias nasceu no casarão do Engenho Jundiá Grande em 1907 e faleceu em 2003 na França – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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A casa-grande de Jundiá é uma construção neoclássica do século 19. O engenho remonta ao século 18 – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Sem uso há anos, o casarão do Engenho Jundiá Grande está destelhado, sem portas e janelas – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Apenas quatro casarões de engenho tinham pátio interno em Pernambuco. Jundiá Grande era um deles – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Antônio Silvino matou uma menina em Jundiá em 1899. É o único crime do qual se arrependeu na vida – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Construída em 1880, a casa-grande do Engenho Barra continua habitada pela família proprietária – Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

No Engenho Sapucaji, um do poucos com móveis do passado, o visitante foi apresentado ao modo de vida da época na sala decorada com espelho majestoso, mesa para dez lugares, piano e gramofone. O casarão de 12 janelas na fachada principal é uma construção da segunda metade do século 19, com porão alto e escadaria em pedra lioz, um calcário português. “Em 1887, o príncipe Adalberto da Prússia, filho do último kaiser da Alemanha, Guilherme 2º, passou um dia lá”, recorda Reinaldo Carneiro Leão, 1º secretário do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano.

O casarão do Engenho Barra, também da segunda metade do século 19, pertencia ao Barão de Pirangi e encontra-se nas proximidades de um riacho afluente do Rio Ipojuca. “Antigamente, a casa era distante dos limites da cidade, mas foi substituída e a nova construção ficou quase na cidade, isso permitia que os moradores pudessem ver a rua”, comenta Reinaldo Carneiro Leão.

Antiga propriedade do Barão de São Braz, a casa-grande do Engenho Limoeiro Velho tem estilo arquitetônico neogótico. “É típico da segunda metade do século 19 em Pernambuco”, informa Reinaldo. O casarão, restaurado em 2017, foi vendido há três meses e o novo proprietário ainda está concluindo reformas internas. “Ela é bem moderna por dentro e mantém os traços antigos nas fachadas”, diz Álex Anthony.

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Jundiá Grande, onde nasceu o pintor Cícero Dias (1907-2003), é um dos exemplos de engenho em ruínas de Escada. Destelhada, sem portas, piso e janelas, a casa é uma construção neoclássica do século 19, mas o engenho remonta à segunda metade do século 18. Antes de ser parcialmente demolida, tinha 26 quartos, observa Álex Anthony. “Era o casarão com o maior pátio interno de Pernambuco”, acrescenta Reinaldo. Tudo está sendo tragado pelo mato.

Chalé com sótão de propriedade da família Pontual, a casa-grande do Engenho Preferência foi construída em 1917 sobre a moradia mais antiga, de 1875, no alto de uma colina. “Meu avó tinha serralharia e aqui mesmo ele confeccionou madeiras do forro, tacos do piso e gradis para a casa”, afirma Fausto Falcão Pontual, o atual proprietário. O engenho, diz ele, aliava o cultivo de cana com criação de gado e cavalo.

Rotas

As outras rotas do projeto são: Passos da Escravidão, com visita a engenhos que usavam mão de obra escrava representativa (Escada era a segunda vila com maior número de escravos em Pernambuco, em 1872) segundo Álex Anthony; Circuito das Capelas (remanescentes de oratórios e capelas que as famílias construíam em casa para mostrar que eram católicas); e Estradas mal-assombradas, para rememorar as lendas mantidas por moradores da zona rural, como a conhecida comadre florzinha, que fazia pessoas se perderem na mata.

O projeto Turismo Rural tem apoio do Instituto Histórico de Escada, da Secretaria de Cultura da cidade e do proprietário de um posto de combustíveis.

Serviço

Valor do passeio: R$ 40 por pessoa, incluindo translado, água mineral e frutas
Reserva: (81) 99115-6667 (WhatsApp)
Informações: @turismoescada

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13 DE MAIO


Confira a história de seis mulheres negras protagonistas da abolição da escravidão

Alma Preta

  • Combatentes da luta pelo fim do regime escravista, elas dedicaram à vida pela libertação de seus futuros descendentes e não são reconhecidas pela história como deveriam
  • Confira a quinta matéria da série “O mito da abolição”, que toma como ponto de partida o 13 de maio para refletir sobre as práticas racistas que perduram na nossa sociedade e demonstram a importância de olhar para o hoje desmistificando mentiras contadas no passado

A história oficial da abolição da escravidão no Brasil dá conta de que no dia 13 de maio de 1888 a Princesa Isabel, filha de Dom Pedro II, assinou à Lei Áurea, decretando assim, de forma simples, o fim da escravidão no Brasil. Na realidade, fora dos livros escolares e da dramaturgia, sabe-se que o processo anti-escravismo não começou ali e seus protagonistas foram outros.

Há nomes conhecidos como o do líder quilombola Zumbi dos Palmares, do engenheiro André Rebouças e o do jornalista Luiz Gama, mas a luta contra a desumanização da população negra no período colonial teve como alicerce também mulheres negras. Elas comandaram grupos de resistência contra o escravismo, documentaram o próprio sofrimento e reivindicaram sua humanidade bravamente. Conheça seis dessas mulheres abolicionistas:

1. Aqualtune

Princesa africana, filha do rei do Congo, no final do século XVI, Aqualtune precisou enfrentar um grupo de mercenários que invadiram sua nação e, apesar de comandar um grupo de cerca de 10 mil homens e mulheres contra os invasores, seu povo foi derrotado. Assim, a princesa guerreira foi capturada e trazida para o Brasil em 1597 na condição de escrava reprodutora.

Chegou no Recife, em Pernambuco, já grávida e foi levada para uma fazenda em Porto Calvo, Alagoas. Foi nessa região que ouviu os primeiros relatos sobre um reduto de africanos livres e decidiu comandar uma fuga para ajudar a construir aquele que se tornou o maior símbolo da resistência negra em terras brasileiras, o Quilombo dos Palmares, instalado na Serra da Barriga.

Graças a seu histórico combativo, Aqualtune recebeu uma aldeia para liderar e ajudou a erguer o que seria “um império em meio à selva”. Além de sua visão administrativa, gerou filhos importantes para a consolidação da resistência africana em terras brasileiras como os guerreiros Gamba Zumba, Gana Zona, e Sabina, mãe de Zumbi, o último líder do Quilombo dos Palmares. A líder quilombola desapareceu dos registros históricos em 21 de setembro de 1677, quando sua cidade foi atacada por tropas portuguesas. Na época do ataque, ela já era idosa.

Aqualtune. Ilustração: Stefany Lima (@ste_fanylima)
Aqualtune. Ilustração: Stefany Lima (@ste_fanylima)

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2. Maria Firmina dos Reis

Considerada a primeira romancista brasileira, Maria Firmina Reis também é autora do primeiro romance abolicionista, “Úrsula”, que narra a condição da população negra no Brasil. A partir de elementos da tradição africana, Firmina é considerada pioneira na crítica antiescravista da literatura brasileira, antes até de “Navio negreiro” (1880), de Castro Alves, e “A Escrava Isaura” (1875), de Bernardo Guimarães.

Negra, filha de mãe branca e pai negro, nasceu na olha de São Luís, no Maranhão, em 1822, e foi registrada sob o nome de um pai ilegítimo. O romance “Úrsula” é tido como um instrumento contra a escravidão por meio da humanização de personagens que retratou. Quando se tornou professora, em 1847, Firmina já tinha uma postura antiescravista. Ao ser aprovada no concurso, recusou-se a andar em um palanque desfilando pela cidade de São Luís nas costas de escravos.

Maria Firmina dos Reis. Ilustração: Stefany Lima (@ste_fanylima)
Maria Firmina dos Reis. Ilustração: Stefany Lima (@ste_fanylima)

3. Esperança Garcia

Negra e escravizada, Esperança Garcia provavelmente é autora do primeiro ‘Habeas Corpus’ que se tem registro no Brasil. No ano de 1770, no Piauí, ela escreveu uma carta que revolucionou a história do país. No texto, Esperança se queixa de uma série de maus tratos praticados pelo administrador da fazenda em que vivia. O documento foi revelado em 1979, pelo historiador Luiz Mott, que descobriu uma cópia no arquivo público do Estado. Acredita-se que a carta original esteja em Portugal.

Atualmente, essa é considerada a primeira reivindicação, ou petição, de uma escravizada no Brasil que foi enviada a uma autoridade. Além disso, até agora esse é o primeiro documento encontrado no Piauí que levou a assinatura de uma figura feminina.

Esperança Garcia. Ilustração: Stefany Lima (@ste_fanylima)
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