BRINDES QUE VIRAM LIVROS


BABILÔNIA


A INTRIGANTE INSCRIÇÃO DEIXADA PELO ÚLTIMO REI DA BABILÔNIA

No último mês, arqueólogos descobriram o mais longo texto cuneiforme já encontrado na Arábia Saudita, que apresentava figuras possivelmente religiosas

ISABELA BARREIROS, SOB SUPERVISÃO DE THIAGO LINCOLINS PUBLICADO EM 22/08/2021, ÀS 08H00

Nabonido foi o último a governar a Babilônia, enorme império que, durante o seu auge, se estendeu pelos territórios que iam do Golfo Pérsico até o Mar Mediterrâneo. Durante grande parte de seu reinado, o rei viveu na Arábia Saudita, o que até hoje não tem uma explicação clara para especialistas.

Como ressalta o portal LiveScience, existem historiadores que destacam as divergências entre Nabonido e os sacerdotes e oficiais da Babilônia para esclarecer a longa estadia do governante na região que viria a ficar conhecida como o país do Oriente Médio. Ele reinou a civilização entre 556 e 539 d.C., antes de perdê-la para Ciro da Pérsia.O rei Nabonido representado em uma estela de Haran / Crédito: Klaus-Peter Simon via Wikimedia

Embora esse seja um mistério histórico que ainda não foi desvendado, a Arábia Saudita possibilitou uma série de descobertas arqueológicas relacionadas ao governo do último rei da Babilônia nos últimos séculos. Uma delas foi, inclusive, feita no último mês, anunciada pela Comissão Saudita para Turismo e Patrimônio Nacional no dia 13 de julho.

Pesquisadores descobriram uma inscrição de 2.550 anos deixada em nome do rei Nabonido. O impressionante achado surpreendeu a comunidade científica e foi repercutido ao redor do mundo, especialmente pela possibilidade de trazer novas informações sobre o período.

A inscrição do último rei

A região de Al Hait, no norte da Arábia Saudita, é conhecida por guardar uma série de locais antigos, entre muitos que remontam ao período que Nabonido reinava na Babilônia. Já foram encontradas instalações de água, artes rupestres, restos de fortalezas, obeliscos, inscrições e muitos outros vestígios históricos. 

No passado, o local era conhecido como Fadak e possui registros arqueológicos de períodos distintos, que vão desde o primeiro milênio a.C. até o começo da era islâmica, como relatou o portal SmithSonian. Hoje, a região fica na cidade de Hail e tem “grande importância”, segundo os especialistas informaram pelo Twitter.

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A mais recente descoberta foi feita em uma pedra de basalto no mesmo sítio arqueológico. Segundo o Ministério da Cultura da Arábia Saudita, trata-se da inscrição cuneiforme mais longa já encontrada no país até agora, com 26 linhas de texto que foram assinadas em nome do rei Nabonido.

Além da extensa passagem, a pedra mostra algumas gravuras no topo que apresentam o próprio governante babilônico segurando um cetro e outras figuras interessantes, que ainda estão sendo examinadas por uma equipe de especialistas. A descoberta foi feita recentemente, então as conclusões ainda são poucas.

Os arqueólogos destacam uma cobra, o sol, uma flor e a representação de uma lua crescente que foram cravadas no local há pelo menos 2.550 anos. Acredita-se que as gravuras tenham significado religioso e que estejam relacionadas ao reinado do último governante da Babilônia, possivelmente dando detalhes sobre o período histórico.

Como ressalta o jornal britânico Daily Mail, alguns cientistas ressaltam a possibilidade das imagens estarem ligadas às divindades do panteão mesopotâmico, como a estrela de Ishtar, o disco alado do deus sol Shamash e o crescente da divindade lunar Sin. 

Fonte: AH

RENATO JANINE REAGE EM DEFESA DA UNIVERSIDADE PARA TODOS


Quando um engenheiro trabalha como Uber, é preciso melhorar a economia e não fechar universidades

Renato Janine discorda que a “universidade é para poucos”, pois, quando o Brasil prospera, uma das primeira coisas que aparecem é a falta de pessoal qualificado, como engenheiros

  Publicado: 17/08/2021Por Valéria Dias

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Nesta coluna, Renato Janine Ribeiro comenta uma fala do ministro da Educação, Milton Ribeiro, que afirmou que a universidade deve ser para poucos e que o foco deveria ser a formação técnica, por meio dos institutos federais.

Para o colunista, a afirmação é um equívoco. Janine lembra que, em 2002, o Brasil tinha cerca de 3 milhões de alunos no ensino superior e, quando a ex-presidente Dilma Rousseff saiu do cargo, em 2016, esse número era de cerca de 8,5 milhões. Um aumento aproximado de 10% para mais de 20% de jovens entre 18 e 24 anos no ensino superior, nesse período.

Janine conta que, ao ocupar o cargo de ministro da Educação, entre abril e setembro de 2015, aprendeu que há uma linha divisória de 16%: abaixo disso, o País é muito elitista; acima disso, as coisas começam a melhorar. Argentina e Uruguai, diz o colunista, têm mais de 30%, enquanto os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) estão na faixa dos 50%.

“Quanto ao argumento do ministro de que há engenheiros que estão trabalhando como Uber, esse problema é mais da economia do que da educação, é um sinal de que a economia não está bem, é um sinal de que o Brasil está desperdiçando talentos”, aponta. Para Janine, há todo um potencial humano no País que precisa ser desenvolvido. E, nos momentos em que a economia do País está prosperando, uma das primeiras coisas que aparecem é a falta de pessoal qualificado, principalmente engenheiros.

Janine comenta ainda sobre os institutos federais, que têm um papel importante no ensino técnico, a exemplo do que é feito pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Para o professor, é muito importante a formação de técnicos para a economia, mas isso não significa, de modo algum, que a formação universitária deva ser liquidada.


Ética e Política
A coluna Ética e Política, com o professor Renato Janine Ribeiro, vai ao ar toda quarta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.