A histórica exploração da Amazônia


A história da Amazônia tem sido uma trajetória de perdas e danos

A HISTÓRIA da região tem sido, da chegada dos primeiros europeus à Amazônia até os dias atuais, uma trajetória de perdas e danos. E nela, a Amazônia tem sido, e isso paradoxalmente, vítima daquilo que ela tem de mais especial — sua magia, sua exuberância e sua riqueza.

Não se trata de uma queixa, mas de uma constatação simples: a Amazônia foi sempre mais rentável e, por isso, mais útil economicamente à Metrópole no passado e hoje à Federação, do que elas o tem sido para a região. A Amazônia foi no passado “um lugar com um bom estoque de índios”para servirem de escravos, no dizer dos cronistas da época; uma fonte de lucros no período das “drogas do sertão”, enriquecendo a Metrópole; ou ainda a maior produtora e exportadora de borracha, tornando-se uma das regiões mais rentáveis do mundo, numa certa fase. Na Segunda Guerra Mundial, fez um monumental esforço para produzir borracha para as tropas e equipamentos dos Aliados. Mas é mais recentemente que ela tem sido mais explorada: seja como fonte de ouro, como em Serra Pelada, que serviu para pagar parte da dívida nacional, deixando na região apenas as belas reproduções das fotografias que percorreram o mundo, mostrando a condição subumana do trabalho dos homens no garimpo; seja como geradora de energia elétrica para exportar para outras regiões do Brasil e para os grandes projetos, que a consomem a preços subsidiados, enquanto o morador da região paga pela mesma energia um preço bem mais elevado; seja como última fronteira econômica para a qual milhões de brasileiros têm acorrido nas últimas décadas, com vistas a fugirem da persistente crise econômica do país, buscando na Amazônia um destino melhor (o que, infelizmente, poucos encontram).

E, se poucos migrantes têm conseguido ascender socialmente no novo lugar de destino (a Amazônia), em compensação, devido à histórica política de abandono das classes pobres pelo Estado brasileiro, a região vem se convertendo desde as últimas décadas num espaço onde se registram o conflito no campo, a miséria urbana e o desperdício de recursos naturais. Embora seja, talvez, a maior província mineral de todo o planeta e produza ferro e outros minérios, ajudando o país a manter sua balança comercial, pouco se tem beneficiado das exportações em geral, já que a maioria dos impostos não fica retida na região.

Se a Amazônia tem gerado riqueza, a riqueza não se vê nem se fixa nela. É verdade que tem havido um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da Amazônia nas últimas décadas. No caso do Pará, por exemplo, onde houve um crescimento econômico expressivo, no ano de 1975 o PIB era US$ 2,408 bilhões e em 1987 havia ascendido a US$ 5,332 bilhões, o que significa um fantástico aumento de 121% no período. No entanto, como o crescimento da população foi igualmente grande (face à migração), a renda per capita que era de US$ 946,83 em 1975 passou para US$ 959,01 em 1987, com um crescimento relativo de apenas 1,29% no período. Em contrapartida, os recursos naturais da Amazônia vêm sendo engajados nesse esforço de exploração da região pela União com uma força extraordinária e com grande desperdício, já que é justamente para explorá-los a custo baixo, ou próximo de zero (como no caso da floresta), que os novos capitais vêm se dirigindo nas últimas décadas para a região.

Ao longo de sua história, a Amazônia tem gerado sempre mais recursos para fora (Metrópole e Federação) do que tem recebido como retorno; tem sido, permanentemente, um lugar de exploração, abuso e extração de riquezas em favor de outras regiões e outros povos. Mesmo nos últimos trinta anos, quando grandes investimentos foram feitos em infra-estrutura, estes visaram possibilitar a exploração de riquezas em favor da Federação.

Uma história construída entre o mito e a violência

O primeiro europeu a pisar as terras amazônicas, o espanhol Vicente Pinzon (em janeiro de 1500), percorreu a foz do Amazonas, conheceu a ilha de Marajó e surpreendeu-se em ver que se tratava de uma das regiões mais intensamente povoadas do mundo então conhecido. Ficou perplexo vendo a pororoca e maravilhado com as águas doces do mais extenso e mais volumoso rio do mundo. Foi bem acolhido pelos índios da região. Mas, apesar de fantástica, sua viagem marca o primeiro choque cultural e o primeiro ato de violência contra os povos da Amazônia: Pinzon aprisiona índios e os leva consigo para vender como escravos na Europa.

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Raul Seixas / O maluco beleza


Raul Santos Seixas (1945-1989) foi um músico, cantor e compositor brasileiro, considerado um dos principais representantes do rock no Brasil.

Raul Seixas nasceu em Salvador, Bahia, no dia 28 de junho de 1945. Admirador do Rock and Roll, fundou o primeiro fã clube de Elvis Presley, no Brasil. Em 1962, criou o grupo “Relâmpagos do Rock”, que depois com nova formação passou a se chamar “Os Panteras”.

Em 1973, Raul lançou seu primeiro disco solo, intitulado “Krig-há, Bandolo”, com músicas feitas em parceria com Paulo Coelho, que se tornou seu parceiro musical. Desse disco, várias músicas fizeram sucesso, entre elas: “Ouro de Tolo”, “Mosca na Sopa”, “Metamorfose Ambulante” e “Al Capone”.

Em 1974, Raul Seixas, junto com Paulo Coelho, criou uma Sociedade Alternativa, um conceito de sociedade livre inspirada no ocultista Aleister Crowler, que foi tema de uma de suas canções do disco “Gita” (1974). Durante os shows de promoção do disco, distribuíam panfletos sobre a sociedade, foram caçados pelo DOPS, presos e exilados nos Estados Unidos.

Em 1975 termina o exílio. Nesse mesmo ano, o disco Gita já havia vendido mais de 500 mil cópias. Entre as músicas do álbum se destacaram “Sociedade Alternativa”, “Medo de Chuva” e “Super Heróis”. Lança ainda o álbum “Novo Aeon”, com destaque para as músicas “Tente Outra Vez” e “Eu Sou Egoísta”.

Em 1976, Raul Seixas lança o álbum “Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás”, com algumas canções de temática mística como “Canto Para Minha Morte” e “Ave Maria da Rua”. A faixa título foi um dos grandes sucessos do cantor. Em 1977 lança “O Dia em Que a Terra Parou”, com dez faixas, entre elas, “Maluco Beleza”, música que lhe valeu o apelido.

Entre os diversos lançamentos de Raul Seixas, o último, “A Panela do Diabo”, em parceria com o roqueiro Marcelo Nova, foi lançado em 1989, ano de sua morte.

Raul Seixas enfrentou sérios problemas de saúde pelo consumo de álcool, falecendo em São Paulo, no dia 21 de agosto de 1989.

Fonte: Ebiografia

A cultura para a filosofia


A CULTURA é fundamental para a compreensão de diversos valores morais e éticos que guiam nosso comportamento social.   Entender como estes valores se internalizaram em nós e como eles conduzem nossas emoções e a avaliação do outro, é um grande desafio.

CULTURA – É o conjunto de atividades e modos de agir, costumes e instruções de um povo. É o meio pelo qual o homem se adapta às condições de existência transformando a realidade.

Cultura é um processo em permanente evolução, diverso e rico. É o desenvolvimento de um grupo social, uma nação, uma comunidade; fruto do esforço coletivo pelo aprimoramento de valores espirituais e materiais.  É o conjunto de fenômenos materiais e ideológicos que caracterizam um grupo étnico ou uma nação ( língua, costumes, rituais, culinária, vestuário, religião, etc ), estando em permanente processo de mudança.A Filosofia espera contribuir para uma reflexão mais profunda sobre as questões relativas ao tema e à partir desta, contribuir para a superação de valores de herança colonial que entravam o desenvolvimento da sociedade.

AFRICANIDADES é um tema que está em pauta para reflexão, em todas as esferas da sociedade: educação, política, religião, economia ( nas leis sancionadas no governo Lula, conquista dos movimentos negros nas políticas de Ação Afirmativa, no processo de mudança social onde cada vez mais se torna visível a questão da discriminação em contradição com a visibilidade das potencialidades étnico-raciais e sociais em todos os níveis ( idade, cor, religião, gênero, manifestação cultural, classe social, etc ).Cada vez mais se exige o conhecimento da cultura africana sem o véu do folclore que minimiza sua  importância junto ás matrizes indígenas e principalmente européia.O Brasil é considerado o mais africano entre os países americanos, pois foi o principal receptor de escravos originários de África e, atualmente, 45 por cento dos seus 180 milhões de habitantes são negros ou mulatos.  “O Brasil não só é um país da diáspora africana, mas também um país africano, a segunda maior nação negra do mundo”Se entendermos que cada grupo étnico possui sua forma de se expressar no mundo, ampliamos nossa compreensão de que há uma diversidade cultural que deve ser respeitada, senão compreendida.  E o respeito compreende a liberdade de expressão.A história ocidental nos deixou de herança o olhar etnocêntrico. Este olhar foi um dos fatores desencadeadores do fenômeno social da atitude preconceituosa e da discriminação.No séc. XXI, uma parcela da população em um processo que é natural de mudança de mentalidade, se debruça sobre estes aspectos herdados com o objetivo de superá-los.  Nesta parcela estão artistas, livres pensadores, educadores, governo e grupos sociais, editores de jornais, livros e revistas, etc.  Em todos os setores e através de todos os meios de comunicação, o tema diversidade cultural está sendo tratado de forma profunda, pois entendem que só assim, se poderá avançar.“Em geral, o senso comum emprega as expressões ‘ter cultura’ e ‘não ter cultura’ como sinônimos de culto e inculto, o que gera uma série de distorções e preconceitos”.No sentido Antropológico, não falamos em Cultura, no singular, mas em culturas, no plural, pois a lei, os valores, as crenças, as práticas e instituições variam de formação social para formação social. Além disso, uma mesma sociedade, por ser temporal e histórica, passa por transformações culturais amplas e, sob esse aspecto, Antropologia e História se completam, ainda que os ritmos temporais das várias sociedades não sejam os mesmos, algumas mudando mais lentamente e outras mais rapidamente.Se reunirmos o sentido amplo e o sentido restrito, compreenderemos que a Cultura é a maneira pela qual os humanos se humanizam por meio de práticas que criam a existência social, econômica, política, religiosa, intelectual e artística.A religião, a culinária, o vestuário, o mobiliário, as formas de habitação, os hábitos à mesa, as cerimônias, o modo de relacionar-se com os mais velhos e os mais jovens, com os animais e com a terra, os utensílios, as técnicas, as instituições sociais (como a família) e políticas (como o Estado), os costumes diante da morte, a guerra, o trabalho, as ciências, a Filosofia, as artes, os jogos, as festas, os tribunais, as relações amorosas, as diferenças sexuais e étnicas, tudo isso constitui a Cultura como invenção da relação com o Outro.O Outro, antes de tudo, é a Natureza. A naturalidade é o Outro da humanidade. A seguir, os deuses, maiores do que os humanos, superiores e poderosos. Depois, os outros humanos, os diferentes de nós mesmos: os estrangeiros, os antepassados e os descendentes, os inimigos e os amigos, os homens para as mulheres, as mulheres para os homens, os mais velhos para os jovens, os mais jovens para os velhos, etc.Em sociedades como a nossa, divididas em classes sociais, o Outro é também a outra classe social, diferente da nossa, de modo que a divisão social coloca o Outro no interior da mesma sociedade e define relações de conflito, exploração, opressão, luta. Entre os inúmeros resultados da existência da alteridade (o ser, um Outro) no interior da mesma sociedade, encontramos a divisão entre cultura de elite e cultura popular, cultura erudita e cultura de massa.DEFINIÇÕES A PARTIR DO ENTENDIMENTO DO QUE É CULTURADISCRIMINAÇÃO – Discriminar significa “fazer uma distinção”. O significado mais comum, tem a ver com a discriminação sociológica: a discriminação social, racial, religiosa, sexual, étnica ou especista.DIVERSIDADE – Movimento que vai na contra-corrente da monocultura ou cultura única.‘A diversidade é percebida, com freqüência, como uma disparidade, uma variação, uma pluralidade, quer dizer, o contrário da uniformidade e da homogeneidade. Em seu sentido primeiro e literal, a diversidade cultural referia-se apenas e simplesmente, em conseqüência, à multiplicidade de culturas ou de identidades culturais. Mas, nos dias de hoje, esta visão está ultrapassada pois, para inúmeros especialistas, a «diversidade» não se define tanto por oposição à «homogeneidade» quanto pela oposição à «disparidade». Ela é sinônimo de diálogo e de valores compartilhados.’ Alain Kiyindou

“A sociedade brasileira reflete, por sua própria formação histórica, o pluralismo. Somos nacionalmente, hoje, uma síntese intercultural, não apenas um mosaico de culturas. Nossa singularidade consiste em aceitar – um pouco mais do que outros – a diversidade e transformá-la em algo mais universal. Este é o verdadeiro perfil brasileiro… Sabemos, portanto, por experiência própria, que o diálogo entre culturas supera – no final – o relativismo cultural crasso e enriquece valores universais”.ETNOCENTRISMO é uma atitude na qual a visão ou avaliação de um grupo sempre estaria sendo baseado nos valores adotados pelo seu grupo, como referência, como padrão de valor. Trata-se de uma atitude discriminatória e preconceituosa. Basicamente, encontramos em tal posicionamento um grupo étnico sendo considerado como superior a outro.Não existem grupos superiores ou inferiores, mas grupos diferentes. Um grupo pode ter menor ou maior desenvolvimento tecnológico se comparado um ao outro, possivelmente, é mais adaptavel a determinados ambientes, além de não possuir diversos problemas que esse grupo “superior” possui.

FOLCLORE – Gênero de cultura de origem popular, constituído pelos costumes, lendas, tradições e festas populares transmitidos por imitação e via oral de geração em geração. “Folclore é tradição! Passado e presente! É cultura embasada nos usos e costumes de uma Nação!Todos os povos possuem suas tradições,crendios e supertições,que transmitem atrvés de lendas ,contos, proverbios e canções “.

PRECONCEITO – É uma atitute discriminatória que baseia conhecimentos surgidos em determinado momento como se revelassem verdades sobre pessoas oRELATIVISMO CULTURAL –  é uma ideologia politico-social que defende a validade e a riqueza de qualquer sistema cultural e nega qualquer valorização moral e ética dos mesmo.O relativismo cultural defende que o bem e o mal são relativos a cada cultura. O “bem” coincide com o que é “socialmente aprovado” numa dada cultura. Os princípios morais descrevem convenções sociais e devem ser baseados nas normas da nossa sociedade. Harry Gensler

 Ex: Na cultura européia-ocidental, o ato de comer é feito com garfo, faca e colher.  Excetuando-se os cerimoniais, não há ordem estabelecida para sentar na mesa. Na China o costume é comer sentado.  No interior do nordeste é costume comer utilizando-se os dedos.  Junta-se um punhado de comida, em geral com farinha e com os dedos leva-a à boca.  Hábitos diferentes que naturais em seus contextos, podem ser mal interpretados fora deles.  Assim, comer com a mão pode ser uma falta de educação, comer com colher pode ser coisa de pobre ou comer com garfo e faca ou palitos pode parecer estranho a quem não tem este hábito.

Fonte: http://www.orixas.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=21&Itemid=60

Texto Adaptado por Ifatolà de Sonia Jobim  –  2006



MODELOS DE ESTADO

Pode-se entender Estado como instituição, e de forma  abstrata, o que não quer dizer que não exista e exiba uma função relevante. A definição de Estado soberano está intimamente ligada às ideias de território, povo e governo. O Estado é uma instituição definida, portanto, e organizada política, social e juridicamente.

Já experimentamos diversas modalidades de Estado ao longo da História. Começaremos com o modelo de Estado concretizado e definido no século XVI: os Estados Nacionais Modernos, comumente chamados e atrelados aos modelos absolutistas de governo.

Os Estados absolutistas foram gerados em um momento de transformação social e, consequentemente, política. Por se tratar de um período de transição, o Estado absolutista tinha o poder centralizado nas mãos do rei, de um soberano. Segundo a perspectiva marxista, o poder político centralizado pelo aparelho do Estado possui vínculos com a economia e o modo como os homens produzem os meios de sua sobrevivência.

Além disso, essa mesma perspectiva entende o Estado ou o rei – que, neste caso se confunde com o próprio Estado – como mediador, aquele que funciona equilibrando forças sociais e políticas. Em um momento de transição do Feudalismo para o modo de produção capitalista, foi analisado o seu poder como aquele que tinha como função equilibrar as forças entre uma nobreza constituída e tradicional e uma burguesia ascendente.

O Estado liberal apareceu ainda no século XVII, na Inglaterra, com a Revolução Gloriosa, que tinha como objetivo atender aos direitos individuais. Esse Estado é crítico ao modelo anterior, ao que intitulam de “Antigo Regime” – cujo próprio nome traduz algo arcaico – e é criado a partir de uma conciliação de poderes, como já vimos com Montesquieu e o próprio Rousseau, em sua Teoria do Contrato Social. O Estado é liberal em ações políticas, sua forma de governo sai em defesa das liberdades individuais, princípios de legitimidade, soberania, direito à propriedade privada e, assim, ganha campo através de revoluções ao longo da História, na Europa e também no chamado Novo Mundo, com a independência dos Estados Unidos, entre outros países da América.

TIPOS DE ESTADO

O Estado liberal apareceu ainda no século XVII, na Inglaterra, com a Revolução Gloriosa, que tinha como objetivo atender aos direitos individuais. Esse Estado é crítico ao modelo anterior, ao que intitulam de “Antigo Regime” – cujo próprio nome traduz algo arcaico – e é criado a partir de uma conciliação de poderes, como já vimos com Montesquieu e o próprio Rousseau, em sua Teoria do Contrato Social. O Estado é liberal em ações políticas, sua forma de governo sai em defesa das liberdades individuais, princípios de legitimidade, soberania,  direito  à propriedade privada e, assim, ganha campo através de revoluções ao longo da História, na Europa e  também no  chamado Novo Mundo, com  a independência dos Estados Unidos, entre outros países da América.

O Estado democrático se dá, no exercício jurídico, na possibilidade de oposição, de contrapartida e contraposição. É passível de movimentos de resistência ao status quo e ordem então vigentes. O princípio de Estado democrático está intimamente ligado ao princípio de cidadania e exercício da mesma, da qual trataremos em outro momento.

Debaixo das pressões sociais e ideológicas do marxismo, o Estado liberal não sucumbiu, mas se transformou no Estado social. O Estado social representa efetivamente uma transformação superestrutural do Estado liberal. O Estado social busca superar a contradição entre a igualdade política e a desigualdade social. O Estado pode receber a denominação de Estado social quando confere os direitos do trabalho, da previdência, da educação, bem como quando intervém na economia, regula o  salário, a  moeda  e os preços, combate o desemprego etc. Quando o Estado se põe a concorrer com a iniciativa privada, ele ingressa na socialização parcial. Esse Estado é chamado de Welfare State, ou Estado de Bem-Estar  Social,  na Europa que já tinha suas bases ideológicas desde as Revoluções Liberais de 1848, mas que se consolida após a II Guerra Mundial até o final da década de 80 – quando o próprio Estado social sucumbe diante da crise produzida pela lógica econômica do neoliberalismo.

New Deal, que se baseava na escola economista de Keynes, foi o marco desse Estado conhecido como de Bem-Estar Social. Existem aqueles que diferenciam Estado social de Welfare State, percebendo como Estado social aquele que afirma direitos e políticas socializantes (a maioria das conquistas da classe trabalhadora), a exemplo dos próprios direitos sociais e trabalhistas. Ocorre que o Estado social não foi capaz de romper os limites e as barreiras do capitalismo, uma vez que se desenvolveu em países de economia capitalista.

De qualquer forma, no entanto, tratava-se de um processo de intensas lutas operárias e sindicais anarquistas e socialistas, que se iniciou nos anos 1848-50, em países como França, Alemanha e Inglaterra, e formou a base ideológica do Estado social. Já o Estado do Bem-Estar social é uma resposta eminentemente capitalista ao desenvolvimento e avanço do socialismo que vinha do Leste Europeu (a Revolução Russa foi apenas o primeiro passo). Portanto, o núcleo do Welfare State sempre esteve permeado por um posicionamento conservador diante das propostas socialistas testadas na prática desde o início do século XX.

O Estado totalitário tem uma finalidade em si mesmo. É ele que determina aspectos jurídicos, sociais e econômicos, por isso tem a totalidade de todas as coisas. Ele cria e  controla as instituições, e  se basta em si mesmo. Tem como características o unipartidarismo, a opressão, o uso da propaganda como veículo de massificação para manipular a população. Tem apoio popular, manifesta-se em torno de um líder carismático e manipulador, apoia-se no mecanismo de instituições policiais criadas pelo Estado em sua ação total. Como exemplos de totalitarismo existem os fascistas (de extrema-direita) e o comunismo de Stálin (de extremaesquerda).

O Estado neoliberal aparece no esvaziamento do Estado intervencionista. Essa prática tem como função tirar do Estado o ônus da aplicação de recursos diretos em determinados casos, estimulando as iniciativas privadas ou, por vezes, privatizando e facilitando a especulação, a livre competitividade dentro de uma lógica global. Esse tipo de Estado tem como base o liberalismo, mas se vale de ações que estão de acordo com a nossa realidade.

Fonte: ProEnem

Mortes evitáveis no topo da lista de perdas de vidas no mundo


O que mais mata as pessoas ao redor do mundo?


A crowd rushing past

As pessoas estão vivendo mais ao redor do mundo.

Em 1950, a expectativa de vida média global ao nascer era de apenas 46 anos. Em 2015, cresceu para mais de 71.

Em alguns países, as conquistas não foram fáceis. Doenças, epidemias e eventos inesperados são um lembrete de que vidas cada vez mais longas não são garantidas.

Enquanto isso, as mortes que podem nos deixar mais preocupados – terrorismo, guerra e desastres naturais – compõem menos de 0,5% do total de mortes

Mas em todo o mundo, muitos ainda estão morrendo jovens e de causas evitáveis.

E como as pessoas morrem? O que mudou ao longo do tempo?

expectativa de vida ao nascer por regiao
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Causas de mortes ao redor do mundo

Cerca de 56 milhões de pessoas morreram no mundo em 2017.

Isso representa 10 milhões a mais do que em 1990, à medida que a população global aumentou e as pessoas vivem mais, em média.

principais causas de morte
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Mais de 70% delas morreram em decorrência de doenças crônicas não transmissíveis – não passam de pessoa para pessoa e progridem lentamente.

O maior “assassino” é a doença cardiovascular, que afeta o coração e as artérias e é responsável por um terço das mortes.

Essa cifra representa o dobro da taxa por câncer – a segunda causa principal – que responde por quase 1 em cada 6 mortes.

Outras doenças não contagiosas, como diabetes, algumas doenças respiratórias e demência, também estão no topo da lista.

Mortes evitáveis

O que pode ser mais chocante é o número de pessoas que ainda morrem de causas evitáveis.

Em 2017, cerca de 1,6 milhão de pessoas morreram de doenças relacionadas à diarreia, uma das 10 principais causas de morte. Em alguns países, essa categoria é uma das que mais mata.

As mortes neonatais – de um bebê nos primeiros 28 dias – atingiram 1,8 milhão de recém-nascidos naquele ano.

A frequência dessas mortes varia muito de país para país. No Japão, menos de 1 em 1.000 bebês morre nos primeiros 28 dias de vida, em comparação com pouco menos de 1 em cada 20 em alguns dos países mais pobres do mundo.

morte de menores de cinco anos por região
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Outras mortes evitáveis estão no topo da lista.

Os acidentes de trânsito geram altos índices de mortalidade tanto nos países mais ricos quanto nos mais pobres, com 1,2 milhão de mortes em 2017.

Embora muitos países de renda alta tenham visto quedas significativas nas mortes nas estradas nas últimas décadas, globalmente o número de mortes no trânsito quase permaneceu o mesmo.

Enquanto isso, cresceu o número de pessoas que morreram em suicídios ou homicídios.

No Reino Unido, as mortes por suicídio estão 16 vezes maiores, e é a principal causa de morte de homens entre 20 e 40 anos.

O que o tipo de morte diz sobre nós

A causa da morte das pessoas muda ao longo do tempo e à medida que o país se desenvolve.

No passado, as doenças infecciosas desempenhavam um papel maior do que hoje em dia.

Em 1990, 1 em cada 3 mortes resultou de doenças contagiosas e infecciosas; em 2017, essa taxa caiu para 1 em cada 5.

As crianças são particularmente vulneráveis a doenças infecciosas. Ainda no século 19, um terço das crianças do mundo morreram antes dos cinco anos de idade.

taxa de mortalidade infantil
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As taxas de mortalidade infantil caíram significativamente desde então graças à vacinação em massa e melhorias na higiene, na nutrição, nos cuidados de saúde e no acesso a água potável.

As mortes de crianças nos países ricos são raras, enquanto as regiões mais pobres têm taxas de mortalidade semelhantes ao Reino Unido e à Suécia na primeira metade do século 20.

O declínio nas mortes infantis ao redor do mundo é uma das maiores histórias de sucesso dos cuidados de saúde modernos.

O número de crianças que morrem a cada ano caiu para menos de metade em décadas, pois melhoramos o combate a doenças contagiosas e infecciosas.

Isso também mudou as taxas de mortalidade para doenças não contagiosas em pessoas idosas.

Muitos países têm cada vez mais preocupações com a crescente carga sobre os familiares e os sistemas de saúde à medida que as pessoas envelhecem e têm doenças de longo prazo.

Eventos inesperados podem, por outro lado, reduzir os efeitos desses avanços.

A crise de HIV/Aids dos anos 1980 é um exemplo conhecido.

expectativa de vida ao nascer na áfrica
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A epidemia atingiu todas as regiões do mundo, mas o impacto mais forte na expectativa de vida foi na África Subsaariana.

A expectativa de vida caiu substancialmente em diversos países na região.

Mas uma combinação de terapia anti-retroviral, tratamento e educação sobre prevenção fez com que as mortes globais por doenças relacionadas à Aids caíssem pela metade na última década – de 2 milhões por ano para 1 milhão.

A expectativa de vida desde então começou a se recuperar nesses países, só agora está voltando aos níveis anteriores à crise.

Mesmo nos países mais ricos, não há garantias de progresso contínuo.

Group of people on a zebra crossing
Image captionEpidemias como a da Aids podem mexer drasticamente com as taxas de expectativa de vida

A expectativa de vida nos EUA caiu pouco nos últimos anos, em grande parte por causa da crise do consumo de opiáceos. Segundo o governo americano, 70 mil pessoas morreram de overdose de drogas em 2017 – no início dos anos 2000, morriam cerca de 20 mil anualmente.

A expectativa de vida das novas mães também não aumentou de forma consistente.

Em dez países, incluindo os EUA, uma jovem hoje tem, em relação à sua mãe no passado, uma probabilidade maior de morrer durante o parto ou logo após dar à luz.

Mais além

O panorama geral hoje é positivo: estamos vivendo vidas mais longas, enquanto menos pessoas – especialmente crianças – estão morrendo de causas evitáveis. Mas também é verdade que ainda temos um longo caminho a percorrer.

Melhorias em saneamento, higiene, nutrição, vacinação e cuidados básicos de saúde são cruciais para isso.

O mesmo acontece com o aumento de medidas de segurança (no trânsito, principalmente) e oferta de saúde mental.

Entender do que as pessoas morrem é crucial se quisermos que esse progresso continue.

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Sobre essa reportagem

Essa análise foi produzida por uma especialista ligada a uma organização fora da BBC.

Hannah Ritchie é fellow da Oxford Martin School e atualmente trabalha como pesquisadora na OurWorldinData.org . Este é um projeto conjunto entre a Oxford Martin e a organização sem fins lucrativos Global Change Data Lab, que tem como objetivo apresentar, por meio de visualizações interativas, pesquisas sobre como o mundo está mudando. Você pode segui-la no Twitter aqui

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