DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA INDÍGENA | 20 DE JANEIRO


Ao vivo
https://youtu.be/YZizEHRwnZ4

ELZA SOARES, A VOZ DO MILÊNIO


Biografia de Elza Soares, a mulher do fim do mundo

Biografias · Por Camila Fernandes

Elza Soares biografia
Créditos: Divulgação

Relembre a vida da cantora que deixou saudades.

Biografia de Elza Soares

Foram 91 anos de vida, 71 de carreira e uma história tão impactante que fica difícil resumir. Afinal, como diz a música que Chico Buarque compôs especialmente pra ela, Elza Soares era Dura Na Queda.

Elza nasceu no dia 23 de junho de 1930, no Rio de Janeiro. De família humilde, cresceu morando em um cortiço no bairro Água Santa, na capital carioca. Nessa época já gostava da música: cantava quando ia buscar água no poço e com o pai, que tocava violão nas horas vagas.

A infância da menina, entretanto, terminou cedo. Aos 11 anos, Elza Gomes da Conceição foi obrigada a se casar com Lourdes Antônio Soares, um amigo do pai, bem mais velho que ela. Foi nessa época que ela virou Elza Soares.

Menos de um ano depois do casamento, Elza deu à luz ao seu primeiro filho. Nessa época, ela tinha cerca de 12 ou 13 anos. 

Durante a adolescência, transformada em uma mulher adulta pelo casamento precoce, Elza sofreu agressões e violências sexuais que a marcaram pelo resto da vida — e que se transformaram em protestos que ela apresenta por meio de sua música.

Primeiro passo na música

A primeira apresentação pública da Elza Soares não aconteceu por bons motivos: com o filho pequeno doente, sem poder contar com ajuda dos pais ou do marido, a menina se inscreveu para participar do tradicional programa de calouros do radialista Ary Barroso. 

Ary Barroso
Ary Barroso / Créditos: Divulgação

Pode até ser que naquela época ela já tivesse pretensões artísticas, mas o que Elza queria de verdade era o dinheiro dado aos vencedores do programa, para que pudesse cuidar do filho. Ela se apresentou no programa escondida, sem que a família soubesse. 

Planeta fome 

A figura de uma menina minúscula, que tinha só 32kg, usando roupas emprestadas da mãe, presas com alfinetes pra não caírem, chamou atenção do público e do apresentador.

Naquele dia, Elza não só ganhou o prêmio, como também disse uma das frases mais icônicas de sua carreira. 

Ao ser questionada por Ary Barroso sobre “que planeta vinha”, Elza já tinha a resposta na ponta da língua: do planeta fome. Também foi naquele dia que o radialista deu o veredito sobre a carreira de Elza, ao dizer que, naquele momento, nascia uma grande estrela. 

Uma história de muita luta

Infelizmente, a aparição no programa não resolveu os problemas de Elza. Seus dois primeiros filhos morreram ainda bebês, por causa da desnutrição.

Em 1950, teve uma filha sequestrada, e só voltou a reencontrá-la 30 anos mais tarde. Mais ou menos na mesma época, Elza ficou viúva, e teve que fazer de tudo e mais um pouco para sustentar os filhos.

Já na década de 60, Elza Soares participou de outro concurso musical no rádio, e venceu novamente. Dessa vez, ela ganhou um contrato fixo pra se apresentar semanalmente. Com o rádio e as apresentações em casas de show, Elza finalmente conseguiu começar a viver de música. 

Elza Soares quando jovem
Elza Soares no Festival de Musica Popular Brasileira da TV Record em 1968 / Créditos: Divulgação

Casamento com Garrincha e morte de mais um filho

Alguns anos depois, veio o segundo casamento, com o jogador de futebol Mané Garrincha. A relação conturbada durou 16 anos e terminou devido a uma nova onda de agressões.

Novamente, assim como no primeiro casamento, Elza sofreu violência física, que era agravada pelo alcoolismo do marido. 

Mané Garrincha e Elza Soares
Mané Garrincha e Elza Soares / Créditos: Divulgação

Um ano depois da separação, Garrincha faleceu, deixando um filho pequeno com Elza, que ficou conhecido como Garrinchinha. O menino morreu três anos depois, aos nove anos, em um acidente de carro, somando mais uma perda na longa lista de sofrimentos da mãe.

As histórias de violência vividas durante a vida são presentes também nas músicas de Elza. A letra de Maria da Vila Matilde, que se tornou um hino do movimento feminista, é o retrato mais sincero da reação que a cantora sempre teve diante de tudo isso: resistência.

Melhor Cantora do Milênio

A voz rouca e o jeito “exótico”, como a própria Elza se definia, sempre foram motivos que chamaram atenção do público e de outros artistas.

Em 2000, Elza Soares recebeu da BBC Londres o título de Melhor Cantora do Milênio. Naquela época, ela já tinha mais de 40 anos de carreira e uma longa lista de sucessos. 

Cada vez mais empoderada e consciente de sua grandeza, Elza seguiu a carreira com grandes parcerias e um sucesso crescente. Em 2015, ela gravou o álbum A Mulher do Fim do Mundo, o primeiro de sua carreira a conter só músicas inéditas.

Uma promessa cumprida

Em 2013, Elza Soares sofreu um acidente no palco e desde então passou a se movimentar com muita dificuldade. Em 2014 ela passou por uma cirurgia em que precisou colocar 8 pinos na coluna.

Apesar de tudo isso, Elza continuou se apresentando e gravando novos sucessos, sob a promessa de cantar até morrer. E assim ela fez.

Durante muito tempo, ela só se apresentava sentada e praticamente imóvel, mas não perdeu a imponência.

Elza soares show
Créditos: Divulgação

A cantora faleceu aos 91 anos, no dia 20 de janeiro de 2022, por causas naturais. Elza Soares resistiu à violência, à fome, ao preconceito e até mesmo ao tempo, para se tornar um ícone da música nacional e um símbolo de luta contra a opressão.

Elza Soares é inesquecível!

Elza Soares foi uma mulher que fez história na música com seu jeito irreverente e voz marcante. A cantora deixa uma imensa saudade e um legado que jamais será esquecido.

Fonte: https://www.letras.mus.br/blog/biografia-elza-soares/

CAPITALISMO VERSUS SOCIALISMO NA PANDEMIA | LEIA E OPINE


COMO O CAPITALISMO E O SOCIALISMO ENFRENTARAM A PANDEMIA?
Nesse final de 2021, estamos completando 21 meses da pandemia da COVID-19, que infectou 288,3 milhões de pessoas em todo o mundo e causou a morte de 5,5 milhões de pessoas.
É necessário examinar criteriosamente essa mortandade, para evitar que a humanidade venha a passar novamente por catástrofes como essa.
A primeira questão que salta aos olhos é o contraste abismal entre a extensão da tragédia nos países capitalistas e nos países socialistas – China, Vietnã, RPD da Coreia, Laos e Cuba.
No mundo capitalista desenvolvido e subdesenvolvido – que compreende 80% da população mundial – foram infectados pelo coronavírus, até hoje, mais de 285,4 milhões de pessoas (99% do total) e morreram mais de 5 milhões e 400 mil pessoas (99,2% do total).
Em contrapartida, nos países socialistas – que totalizam 20% dos habitantes do planeta – foram infectados apenas 2,87 milhões de pessoas (1% do total) e morreram somente 46 mil pessoas (0,8% do total).
Alguém poderia pensar que o grande número de mortos e contaminados no mundo capitalista se deveu ao atraso e péssimas condições de vida dos chamados países do “Terceiro Mundo”, espoliados há séculos pelas potências ocidentais.
Ledo engano!
Foi exatamente nos países capitalistas mais avançados onde a pandemia contaminou mais pessoas e ceifou mais vidas, a começar pelos Estados Unidos onde – apesar de contar com apenas 4,2% da população mundial – tivemos 55,6 milhões de infectados (19,2% do total) e 847 mil mortos (16% do total).
Lhes segue com o “vice-campeão mundial” o Brasil do presidente “genocida”, que apesar de ter apenas 2,7% da população do planeta, registrou 22,3 milhões de contaminados (7,8% do total) e 620 mil mortos (11,4% do total).
Se somarmos Estados Unidos, Brasil, Grã-Bretanha, Itália, França, Alemanha e Espanha – os principais países capitalistas ocidentais, que têm 11% da população mundial – contabilizamos 120 milhões de infectados (42% do total) e 2,1 milhões de mortos (39% do total).
Como entender a amplitude dessa tragédia nos países capitalistas, em comparação com o que ocorreu nos países socialistas?
A primeira razão está na prioridade que o mundo capitalista deu aos “negócios” e ao “lucro’ das empresas – que continuaram funcionando quase normalmente – enquanto que os países socialistas privilegiaram a vida e a saúde de suas populações, paralisando as atividades produtivas sempre que necessário.
A segunda razão, foi o predomínio nos países capitalistas de uma mentalidade individualista exacerbada e de completa irresponsabilidade social, o que inviabilizou medidas coletivas para controlar a pandemia, como o distanciamento social, o uso de máscaras e a vacinação massiva. Em nome da “liberdade individual”, cada um se considerou no direito de contaminar os demais…
Já nos países socialistas – onde é cultivado um profundo sentimento de responsabilidade social – não só essas medidas de controle da pandemia foram possíveis e eficazes, como ainda se desenvolveu uma ampla solidariedade social, como a compra e entrega de produtos essenciais para as parcelas mais vulneráveis da população. Além disso, o Estado assegurou a subsistência dos trabalhadores que precisaram paralisar o trabalho.
A esse individualismo doentio, somou-se o obscurantismo e o irracionalismo de amplas parcelas da população dessas nações capitalistas-imperialistas, levando inclusive a protestos contra as medidas preventivas e contra a vacinação. Assim, apesar da abundância de vacinas nesses países, um alto percentual da sua população se nega a vacinar-se…
Uma quarta razão foi o desmantelamento dos sistemas públicos de saúde nesses países, em decorrência do “fundamentalismo neoliberal”, que levou à privatização de todos os serviços público e que entregou ao “mercado” – preocupado somente com o “lucro máximo” – a solução dos problemas sociais. E o que se viu foi a completa incapacidade das empresas privadas em enfrentar a pandemia! Um corolário disso, foi a inexistência nos países capitalistas de um planejamento sério e de políticas públicas científicas para enfrentar a pandemia.
Já nos países socialistas, a existência de um Estado forte garantiu o planejamento científico desse enfrentamento à pandemia. A experiência da China socialista é exemplar. Além de bloquear e isolar rapidamente as áreas atingidas pela pandemia – impedindo a sua disseminação a todo o país – passou a ser feita a “busca ativa” dos infectados e de quem havia tido contato com eles, através da testagem massiva, impondo-lhes um rígido isolamento. Toda e qualquer pessoa que chegava ao país precisava fazer quarentena, antes de poder circular no país.
O uso de máscaras, o isolamento social, a higienização das mãos, generalizaram-se. Foram construídos em tempo recorde hospitais específicos para os infectados com COVID-19 e feita uma ampla desinfecção nas áreas onde houve ocorrência da pandemia. O aparato produtivo foi rapidamente direcionado pra a produção de insumos e equipamentos para enfrentar a epidemia (máscaras, testes, respiradores, etc.), inclusive fornecendo-os para todo o mundo.
Por fim, a China fez um esforço concentrado – apoiando-se tanto no sistema público quanto no sistema privado de pesquisas – para desenvolver as suas próprias vacinas contra a COVID-19, declarando desde o início que elas seriam de domínio público e que suas patentes seriam cedidas gratuitamente aos países que quisessem produzi-las.
Como resultado desse esforço planificado, das 38 vacinas que hoje já se encontram nas fases III e IV de testes clínicos no mundo, 14 são chinesas (37%), apesar do país estar em um estágio inferior ao dos países capitalistas em P&D na área de vacinas. Centenas de milhões dessas vacinas chinesas foram fornecidas aos países mais pobres, principalmente da África e Ásia, além do próprio Brasil, onde tanto o IVA da Coronavac quanto da Astrazeneca vêm da China.
Em situação similar está Cuba, que – apesar do cruel e ilegal bloqueio estadunidense, que proíbe suas empresas e as empresas dos países vassalos de vender qualquer insumo ou equipamento médico a Cuba – já desenvolveu cinco vacinas próprias, de alta resolutividade, e já vacinou toda sua população. E agora começou a fornecê-las a diversos países latino-americanos e do Terceiro Mundo.
Fruto disso, dos 4,8 bilhões de vacinas aplicada no mundo, mais de 3 bilhões (62,5%) o foram nos países socialistas.
A pandemia da COVD-19 deixou clara a incapacidade das sociedades capitalistas, mesmo as mais avançadas, de enfrentar com eficácia os grandes problemas da humanidade, algo que os países socialistas – apesar do cerco que sofrem e de suas atuais dificuldades – foram capazes de fazer com grande eficiência.
É mais atual do que nunca a afirmação de Rosa Luxemburgo – SOCIALISMO OU BARBÁRIE!
Raul Carrion – 31.12.21

LEONEL BRIZOLA | 100 ANOS EM 2022


Leonel Brizola é considerado herdeiro político de Getúlio Vargas e João Goulart. Foi governador do Rio Grande do Sul, onde iniciou sua carreira política, e do Rio de Janeiro, onde fixou residência em meados da década de 1960.

Simpatizante do presidente Getúlio Vargas, Brizola ingressou no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em agosto de 1945, integrando o primeiro núcleo gaúcho do novo partido. Foi eleito deputado estadual, quando participou da elaboração da Constituição gaúcha. Em 1950, Brizola se casou com Neuza Goulart, irmã do então deputado estadual João Goulart. O padrinho do casamento foi o próprio Getúlio Vargas, que naquele mesmo ano foi eleito presidente da República. No mesmo pleito, Brizola foi reeleito deputado estadual.

Em 1958, elegeu-se governador do Rio Grande do Sul, com mais de 55% dos votos válidos. Em 1962, pela primeira vez, Brizola foi eleito deputado federal pelo antigo Estado da Guanabara. Como parlamentar, fez discursos veementes defendendo a implantação da reforma agrária e a distribuição de renda no Brasil. Com a deposição do presidente João Goulart pelos militares, em 1964, Leonel Brizola foi obrigado a se exilar no Uruguai.

Brizola teve participação importante no Comício das Reformas, conhecido como Comício da Central, organizado na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em março de 1964. Na ocasião, Jango anunciou a decisão de implementar as chamadas reformas de base. Entre os oradores que precederam o discurso de Jango, Brizola foi o mais aplaudido. Ele exortou o presidente a “abandonar a política de conciliação” e instalar “uma Assembleia Constituinte com vistas à criação de um Congresso popular, composto de camponeses, operários, sargentos, oficiais nacionalistas e homens autenticamente populares”.

Voltou ao Brasil somente em 1979, com a Lei da Anistia. Em 1984, apoiou a campanha das Diretas Já, um projeto derrotado do então deputado Dante de Oliveira. Cinco anos mais tarde, participou da primeira eleição direta à presidência da República no Brasil desde o golpe militar, ficando em terceiro lugar. Na época, no segundo turno, apoiou o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, derrotado por Fernando Collor, que, anos depois, veria o seu sonho de chegar ao Palácio do Planalto se tornar realidade.

Em 1990, pela segunda vez, Brizola conquistou o governo do Rio de Janeiro. Com posições firmes em defesa dos produtores nacionais e sempre defendendo restrições ao capital estrangeiro no país, Brizola disputou novamente a presidência da República em 1994, mas sua participação foi decepcionante, obtendo apenas 3,2% dos votos válidos. Brizola foi candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Luiz Inácio Lula da Silva em 1998 e novamente foi derrotado, quando os eleitores brasileiros conduziram Fernando Henrique Cardoso à reeleição.

Em dezembro de 2003, já com Lula como presidente, Leonel Brizola rompeu com a base aliada e começou a fazer críticas constantes à administração federal. Morreu aos 82 anos, em junho de 2004, de infarto decorrente de complicações infecciosas, no Rio de Janeiro.

FRASES

  • “A educação é o único caminho para emancipar o homem. Desenvolvimento sem educação é criação de riquezas apenas para alguns privilegiados.”“O Rio tem de fazer uma espécie de Revolução de 30, sem armas: vamos derrubar o regime neoliberal para o Rio resolver seus problemas.”
  • “Todo mundo sabe que, ainda nos momentos de divergência, sempre nutri um profundo respeito e admiração pela história política de Brizola”, Luiz Inácio Lula da Silva.“Brizola provocou uma inflexão na política, mostrando a necessidade de a polícia tratar os moradores das regiões pobres, dos morros, da mesma maneira como tratava a classe média”, Fernando Gabeira, deputado federal.

Fonte: Memórias da Ditadura

%d blogueiros gostam disto: