Mídia Golpista?


Jornalismo fajuto




O Paulo Henrique Amorim costuma dizer que o Jornalismo brasileiro é, antes de tudo, ruim. É fraco. É um produto de baixa qualidade.

Recebi em casa, sem pedir, um exemplar da Revista da Semana, da editora Abril.

É a capa previsível: Lula de bermuda estrelada, sem fazer nada, enquanto o mundo acaba e a manchete pergunta: “A crise vai passar longe? Lula diz que o Brasil está imune, mas não é o que os economistas pensam”.

A data da publicação: 27 de agosto. Portanto, mais de dois meses se passaram. E aí? Acabou o mundo? Acabou o Brasil? O Brasil não só não acabou como os próprios tucanos falam em “revolução capitalista”. Ou seja, a distância entre a capa da revista e a realidade é absurda.

Vou lá dentro, ver quem são os economistas aos quais se refere o título na capa.

1. Luiz Carlos “No Limite da Irresponsabilidade” Mendonça de Barros, segundo o qual “Mantega (o ministro de Lula) é um ignorante sobre a crise financeira.”

2. Leda Paulani, da USP: “Ao optar por uma política de juros altos, o Brasil atrai capital de curto prazo. E quando há problemas lá fora, esse dinheiro sai rapidamente daqui.”

Ou seja, a revista ouviu DUAS opiniões de economistas, sendo uma delas a de um tucano que quer ver o circo pegar fogo. Ouviu duas pessoas, sendo uma delas um tucano da oposição, e afirmou na capa que “não é o que pensam os economistas.”

Poderia ter dito: “Não é o que pensam alguns economistas”.

Ou melhor, ainda: “Lula diz que o Brasil está imune, mas não é o que pensam dois economistas, um deles porta-voz do PSDB.”

É ou não é jornalismo fajuto?

A revista foi para o lixo.

Opinião


Criminalização da pobreza


Escrito por Léo Lince do Correio da Cidadania

Em matéria de Sérgio Cabral, eu prefiro o original. O pai do governador, que na juventude foi boxeador no subúrbio de Quintino, sabe que a favela não é fábrica de marginais. Pelo contrário, doutor em samba e freqüentador de rodas de bamba, ele deve partilhar a opinião de Zé Kéti: “o morro não tem vez e o que ele fez já foi demais, mas quando derem vez ao morro toda cidade vai cantar”.

O governador, tudo indica, não saiu ao pai. E, como diz o avesso do ditado popular, quem não sai aos seus, degenera. É o que se deduz das palavras terríveis saídas de sua boca, preconceituosas e reveladoras de uma escolha política assustadora. Se o rapaz não fosse governador, o problema seria apenas dele. No entanto, como ele é o titular da principal alavanca do poder político em nossa infeliz província, tal disposição de ânimo é um risco para todos nós.

O governador Cabral Filho, por certo, não é um idiota. Ele sabe o que está fazendo. Cita números errados, lê as estatísticas que lhe convêm, usa de maneira intempestiva o trabalho polêmico dos dois pesquisadores americanos, mas é tudo calculado. Mesmo quando recua de declarações infamantes (pegou mal em muitos setores da sociedade), não se afasta da linha escolhida. Trabalha com pesquisas de opinião que lhe revelam a onda de desespero que a violência cotidiana espalha em nossa população. É um surfista da violência.

O bombardeio ao Complexo do Alemão, a matança na Comunidade da Coréia, em Senador Câmara, além da truculência diária que alimenta o clima de medo na cidade, são passos de uma escalada. Ao apoiar o aborto como política de segurança e dizer que a mãe de favela é fábrica de marginais, o governador coloca os pobres na linha de tiro de sua política. Humilhados e ofendidos, eles agora são apontados como responsáveis pela violência de que são vítimas.

Os barões do crime organizado, os grandes traficantes de drogas e armas, fora da linha de tiro, estão absolutamente tranqüilos. Eles, e os que lhes prestam serviços no aparato contaminado da política, aguardam o rescaldo da batalha para recompor o varejo do negócio. Qualquer governo sério e polícia inteligente começariam por tal ponto o combate efetivo ao narcotráfico e ao crime organizado.

No entanto, é mais fácil combater os tiranetes na ponta do varejo. São múltiplas as vantagens. Rende popularidade e não compromete a malha de cumplicidades que espalha seus tentáculos nos mais variados aparatos do poder. Ademais, cumpre uma função política geral. O modelo econômico de exclusão social, causa poderosa da violência nos grandes centros urbanos, tem na repressão truculenta a sua contrapartida natural e necessária.

Ao ostentar a truculência como se fora firmeza, o governador recebe aplausos daquela parcela cada vez mais atemorizada com a espiral de violência e, por outro lado, o apoio dos pontos fortes que se beneficiam com o modelo econômico injusto. Daí a sua condição de pregador e praticante ativo da política aterrorizante de criminalização da pobreza.

Léo Lince é sociólogo.

Só falta o filho!


Ronaldo Cunha Lima renuncia ao mandato – do Congresso em Foco


O deputado Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB) renunciou, há pouco, “em caráter irrevogável e irretratável”, ao seu mandato parlamentar. O tucano é ex-governador do seu estado natal e pai do atual governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB).

Ronaldo responde a uma ação penal por tentativa de homicídio contra Tarcísio de Miranda Buriti, outro ex-governador paraibano. Em 1993, o tucano governava a Paraíba e atirou em seu desafeto político dentro de um restaurante em João Pessoa, capital paraibana. Buriti morreu dez anos depois do atentado em razão de um problema de saúde. Em sua defesa, ele alegou que a ação não foi premeditada e que recebia ameaças de Buriti.

Com a renúncia de Ronaldo Cunha Lima, ele perde o direito ao chamado “foro privilegiado” (ser julgado apenas pelo Supremo Tribunal Federal) e seu processo deve ser enviado à Justiça comum. A corte federal havia marcado para a próxima semana o julgamento do ex-parlamentar.

Suplente

De acordo com a Secretaria Geral da Mesa, quem assume a vaga do deputado tucano é Walter Brito, que se elegeu pelo PFL (atual DEM) e atualmente está no PRB. No entanto, segundo o secretário-geral do PSDB da Paraíba, João Fernandes, a coligação eleitoral formada na eleição de Ronaldo Cunha Lima (PSDB e DEM) vai “buscar o mandato” de Walter Brito.

“Se a vaga for do DEM, é do Major Fábio. Se for do PSDB, é de João Batista Viegas”, afirmou o secretário tucano ao Congresso em Foco, lembrando que o Supremo Tribunal Federal decidiu recentemente que os mandatos de deputados e vereadores pertencem ao partido político e não ao candidato eleito. A decisão do TSE vale para as trocas feitas a partir de 27 de março deste ano e é apontada como o início da reforma política no país, uma vez que institui a fidelidade partidária.

Apesar de não saber precisar a data da troca partidária de Walter Brito, o secretário-geral do PSDB “tem certeza” de que ela foi posterior a 27 de março. (Rodolfo Torres)

Confira a íntegra da renúncia de Ronaldo Cunha Lima

“Sr. Presidente, nesta data e por este instrumento, em caráter irrevogável e irretratável, renuncio ao mandato de deputado federal, representando o povo da Paraíba, a fim de possibilitar que esse povo me julgue, sem prerrogativa de foro como um igual que sempre fui.

Requeiro a leitura em plenário desta renúncia, a respectiva publicação e a comunicação dela a S.Exa, a presidenta do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie”.

Quarto Poder na berlinda


TV Globo deve indenizar delegado da PF em R$ 300 mil

Redação Portal IMPRENSA

A TV Globo terá que pagar uma indenização no valor de R$ 300 mil para o delegado aposentado da Polícia Federal Luiz Carlos de Oliveira Zubcov. A emissora teria sido condenada na 4ª Vara Cível do Distrito Federal por afirmar que o delegado estava envolvido no esquema de venda de sentenças judiciais, descoberto pela Polícia Federal na Operação Anaconda. A emissora ainda terá de reproduzir o conteúdo da sentença no “Jornal Nacional” e no programa “Retrospectiva 2007”, porém cabe recurso.

O delegado apareceu em relatórios da Operação Anaconda como um dos supostos envolvidos no esquema de venda de sentenças judiciais, mas não gostou da forma como a imprensa tratou o assunto e entrou na Justiça. A Editora Três, responsável pelas publicações das revistas IstoÉ e IstoÉ Dinheiro, também terá de indenizar por danos morais o delegado. O valor será de R$ 30 mil, mas ainda cabe recurso.

Na ação de indenização, Zubcov alegou que sua foto e imagens teriam sido usadas sem autorização, já que ele tinha se negado a dar entrevista. Também afirmou que não era réu em nenhuma Ação Penal, mas acabou condenado publicamente por causa da reportagem (exibida em 20 de novembro de 2003 no “Jornal Naional”, e reprisada na “Retrospectiva 2003”).

O juiz acolheu os argumentos e ressalta: “É indevido, ilegal e inconstitucional o execramento público de todo cidadão brasileiro, não podendo a imprensa ser propaladora de aleivosias lançadas para o ar, com o intuito de promoção pessoal e ou corporativa, em detrimento de pessoas que tem a seu favor toda a consagração constitucional da inocência”.

“A malsinada lesão moral ilegalmente causada ao autor Zubcov afeta toda a sua vida profissional, pois foi execrado publicamente com amplitude nacional e internacional, caindo em descrédito perante os cidadãos, maculando não só os trabalhos que desenvolveu na qualidade de delegado federal, como também na qualidade de advogado militante depois da aposentadoria”, concluiu o juiz.

Caso não entre com recurso, a TV Globo terá 60 dias, contados a partir de 29 de outubro, para exibir o conteúdo da sentença condenatória, sob pena de multa diária de R$ 100 mil por dia de descumprimento. Da condenação de R$ 300 mil, R$ 150 mil servirá para indenizar os danos morais e R$ 150 mil para reparar a violação do direito de imagem. As informações são do site Consultor Jurídico.

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