DIA INTERNACIONAL CONTRA A DISCRIMINAÇÃO RACIAL


✊ O Dia Internacional contra a Discriminação Racial é celebrado anualmente em 21 de março.

Esta é uma importante data que reforça a luta contra o preconceito racial em todo o mundo.

A luta contra a discriminação racial só começou a se intensificar no Brasil após a Constituição Federal de 1988, que incluía o crime de racismo como inafiançável e imprescritível.

A eliminação de qualquer tipo de discriminação é um dos pontos centrais da Declaração Universal das Nações Unidas:

“Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública” (Artigo I da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial).

ONG’s e instituições contra o preconceito racial organizam debates e outras atividades que auxiliem na tentativa de conscientizar a população a acabar com qualquer referência ao racismo e discriminação racial.

Infelizmente, ainda hoje o preconceito e discriminação racial é latente em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.

Quando se fala em “combate a discriminação racial” significa acabar com todos os tipos de intolerâncias relacionadas com a etnia ou cor de pele do indivíduo, seja ele negro, branco, índio, oriental e etc.

Fonte: calendarr.com

QUEM FOI O PASTOR MARTIN LUTHER KING?


Em 4 de abril de 1968, o mundo perdia um sonhador. Décadas depois, as palavras do famoso ativista continuam a inspirar defensores da igualdade de direitos, sobretudo entre brancos e negros.

“Eu tenho um sonho.” Martin Luther King será sempre lembrado por seu famoso discurso e por seu grande sonho: negros e brancos vivendo em paz uns com os outros; liberdade e justiça sendo desfrutadas por todos os americanos; e seus quatro filhos vivendo em um país onde não são julgados pela cor da pele, mas sim por seu caráter.

Com tal ideal, King entrou para a história. Mais de 250 mil pessoas, incluindo brancos, acompanharam seu discurso durante a Marcha sobre Washington, em 23 de agosto de 1963. O objetivo de King era fortalecer os direitos dos negros e chamar atenção para os problemas cotidianos por eles enfrentados.

Com seu discurso e suas ideias, King inspirou as pessoas, estimulando-as a imaginar uma coexistência mais justa entre negros e brancos. Ele próprio vivenciou a segregação racial desde cedo. Nascido em 15 de janeiro de 1929, em Atlanta, na Geórgia, sob o nome de Michael King Jr., filho de um pastor e de uma professora, ele passou grande parte da infância brincando com dois vizinhos brancos – até que um dia seus pais o proibiram de ver os amigos.

Mudança de nome em homenagem a Martinho Lutero

Mas King não se deixou abalar. Tanto na escola quanto nos estudos de Sociologia e na Teologia, ele brilhou – mesmo que, após sua morte, tenha vindo à tona que ele plagiou partes de sua tese de doutorado. Aos 17 anos, ele se tornou pastor assistente do pai em Atlanta. Tanto pai como filho tinham uma profunda fé em Deus, o que acabou manifesto em seus nomes.

Em 1934, King Pai viajou para Berlim para participar do Congresso Mundial Batista. Durante a viagem, ele aprendeu muito sobre o reformador Martinho Lutero – e ficou fascinado. Ao voltar para casa, King Pai mudou seu nome e o nome do filho para Martin Luther King.

O filho não se interessava apenas por religião. Ele também lia Aristóteles, Platão e Marx e gostava particularmente dos escritos de Mahatma Gandhi. “Através do foco de Gandhi no amor e na não violência, descobri o método de reforma social que eu buscava”, disse King. Em 1953, ele se casou com Coretta Scott Williams, com quem teve quatro filhos.

Estopim: a resistência de Rosa Parks

King se engajou de fato pela primeira vez depois que a ativista negra dos direitos civis Rosa Parks foi presa em 1955 por se recusar a dar lugar para um homem branco em um ônibus público em Montgomery, no Alabama.

Por mais de um ano, King e outros ativistas boicotaram ônibus públicos. A resistência foi bem-sucedida: em 1956, a Suprema Corte proibiu a segregação racial no transporte público de Montgomery. No ano seguinte, King fez dezenas de discursos e escreveu um livro sobre suas experiências na cidade.

King também apoiou os integrantes das chamadas Freedom Rides (Viagens da Liberdade) na Geórgia, nas quais os negros se manifestavam em pequenos grupos e de maneira pacífica contra a segregação no espaço público.

Por fim, os protestos da população negra em todo o país acabaram surtindo efeito. Em junho de 1963, o então presidente, John F. Kennedy, apresentou a Lei dos Direitos Civis, que previa igualdade ampla e nacional. Um ano depois, após o assassinato de Kennedy, o novo presidente, Lyndon B. Johnson, ratificou a lei.

Igualdade racial apenas no papel

Apesar dos desdobramentos políticos, King e outros líderes de vários movimentos de direitos civis não desistiram de sua manifestação em Washington, D.C., programada para 28 de agosto de 1963. Caso contrário, o famoso discurso “Eu tenho um sonho” (I have e dream) de Martin Luther King em frente ao Lincoln Memorial provavelmente nunca teria acontecido.

Um ano depois, King recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Mas sua luta pela igualdade de direitos não parou por aí. A igualdade racial existia apenas no papel, razão pela qual ele organizou em 1965 as Marchas de Selma a Montgomery, no Alabama, a fim de chamar a atenção para a desigualdade entre brancos e negros quanto ao direito ao voto.

As marchas foram reprimidas pela polícia diversas vezes, mas acabaram alcançando a cidade vizinha. Na sequência, o presidente Johnson mudou de ideia e se disse favorável a uma nova lei eleitoral. A Lei dos Direitos de Voto foi aprovada pelo Congresso no verão de 1965.

Enquanto isso, grupos violentos se organizavam sobretudo em cidades na Califórnia e nos estados do norte. Para eles, o progresso era muito lento. Desilusão e decepção se alastraram até que finalmente Malcolm X e o Partido dos Panteras Negras colocaram em xeque as ideias não violentas de Martin Luther King.

Mas King não desistiu. Seguindo o exemplo de Lutero, ele pregou, após um discurso em 1966, 48 teses na porta da Prefeitura de Chicago. Inicialmente, lá também houve resistência a King, que não deveria interferir nos interesses dos negros em Chicago. Mas King permaneceu firme. Do mesmo modo, suas mais de 30 detenções não o desviaram de sua convicção.

O assassinato de um herói

King não encontrou rejeição apenas entre a população. Durante anos, ele teve um relacionamento difícil com o FBI, o principal órgão investigativo do Departamento de Justiça. O FBI o interrogou, considerou-o comunista.

Além disso, os investigadores ameaçaram publicar informações privadas do ativista, incluindo suas infidelidades, se ele não parasse de fazer campanha pelos direitos civis dos negros. King acusou o FBI de não fazer nada diante da violência contra os negros.

Mas novamente King não se intimidou. O FBI não conseguiu interromper seu trabalho – somente James Earl Ray conseguiria tal feito. O racista diversas vezes condenado atirou em King no dia 4 de abril de 1968 na varanda de um hotel em Memphis, Tennessee. King tinha 39 anos de idade.

O assassinato provocou revoltas significativas em muitas cidades dos EUA. Um total de 39 pessoas foram mortas, e cerca de 10 mil foram presas.

Até hoje, King é considerado um herói da história americana, e seus sonhos acompanham muitos negros nos Estados Unidos, incluindo sua neta Yolanda Renee King, que só recentemente apareceu em público.

No último dia 24 de março, durante a Marcha pelas nossas vidas, em Washington, ela expressou seus desejos: “Meu avô sonhou que seus quatro netos não seriam julgados pela cor da pele, mas pelo caráter deles. Eu tenho um sonho de que já basta. De que este deveria ser um mundo livre de armas e ponto”, disse a menina de nove anos, não muito longe do lugar onde o avô realizou seu famoso discurso.

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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas

3 ANOS SEM MARIELLE FRANCO. QUEM MANDOU MATAR MARIELLE?


CASO MARIELLE


CASO MARIELLE

Marielle Franco recebe homenagens na Itália e Suíça três anos após assassinato

Divulgação/Globo
Imagem: Divulgação/Globo

Valéria Maniero, correspondente da RFI na Suíça

14/03/2021 05h50

Com o passar do tempo, o nome de Marielle Franco ganha cada vez mais força fora do Brasil. Exatos três anos após o assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes no Rio de Janeiro, em 14 de março de 2018, Marielle é lembrada na Itália, onde dará nome ao terraço de uma biblioteca, e na Suíça, que terá mais um ato em sua memória. Três anos já se passaram, mas os mandantes do crime ainda não foram identificados.null

A RFI conversou com a professora Ana Luiza Oliveira de Souza, fundadora da Casa do Brasil em Florença, instituição que promove a língua portuguesa e a cultura brasileira na região da Toscana. Foi a Casa do Brasil que pediu à prefeitura local que o nome de Marielle Franco fosse dado a algum lugar da cidade.

“Nós mandamos uma carta para a Prefeitura de Florença junto com o sindicato aqui da cidade, o CGIL de Florença. Entramos em contato com esse sindicato porque sabíamos da ligação que eles tinham com o Brasil. Era março de 2019. Naquela ocasião, a prefeitura buscava nomes de mulheres para poder nomear praças, ruas e outros lugares da cidade”, diz Ana Luiza, explicando como tudo começou.

Dois anos depois daquele pedido, um espaço dedicado a Marielle, que já é homenageada com um jardim em Paris, na França, será inaugurado em Florença, na Itália.null

“É um espaço maravilhoso. O terraço que terá o nome da Marielle Franco é o da biblioteca delle Oblate, uma biblioteca municipal. Florença tem várias bibliotecas e as mais importantes são a Nacional e a Municipal. E essa tem seu terraço com uma vista magnífica para a cúpula da Catedral de Florença, Santa Maria del Fiore, a cúpula de Brunelleschi. É um símbolo mesmo ter o nome de uma brasileira que lutava pelos direitos humanos, ter o nome de Marielle Franco no terraço da Biblioteca delle Oblate, que é um símbolo da cidade”.

A professora conta que há sempre pelo terraço muitos jovens lendo, tomando café. “É muito, muito bonito e muito simbólico como espaço para ser doado ao nome de Marielle Franco”.

A inauguração do espaço, com direito a placa com o nome da vereadora, seguido pelas datas de nascimento e morte e a inscrição “ativista pelos direitos humanos”, em italiano, irá ocorrer nesta segunda-feira (15), às 11h pelo horário local. Representantes da cidade de Florença, da Casa do Brasil e do sindicato, assim como a cônsul honorária do Brasil em Florença, devem estar presentes.null

Quem mandou matar Marielle?

Já na Suíça, é um ato em frente à ONU que vai marcar os três anos do assassinato da vereadora. A ativista pelos direitos humanos Angela Wiebusch de Faria, que representa o comitê Internacional Lula Livre de Genebra.

“O comitê vai realizar um ato simbólico em memória de Marielle Franco, que foi assassinada brutalmente três anos atrás na cidade do Rio de Janeiro. Esse ato tem um significado muito grande para manter viva a memória e o legado dela”, explicou Angela Wiebusch de Faria à RFI.

“Nós estaremos hoje [domingo], às 15h, em frente à ONU, na Praça das Nações Unidas, nosso tradicional ponto de manifestações e de encontros. Seguimos na denúncia e pedindo justiça por Marielle, porque até o momento esse crime não foi elucidado. Quem mandou matar Marielle? Seguimos com Marielle Presente”, diz.

Por já ser a quarta manifestação realizada em Genebra desde 2018, quando Marielle foi morta no Brasil, a RFI perguntou à ativista por que ela considera importante esse tipo de mobilização.null

“Foi um crime político que chocou o mundo. Então, enquanto não houver justiça por Marielle, nós não vamos parar de nos manifestar. Essa é a nossa mensagem. Essse crime também está sendo, em nível internacional, acompanhado por uma relatora especial da ONU. Ainda está impune, mas deve ser esclarecido o mais rápido possível para se fazer justiça para a família e pela memória em si de Marielle”, afirma.

Fonte: UOL

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