NOTA PÚBLICA DA SBPC SOBRE O DESMANCHE DA ESTRUTURA DA CAPES



A CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), desde sua fundação em 11 de julho de 1951, desempenha um papel fundamental no crescimento científico e tecnológico do país. A CAPES nasce no âmbito do aparelho estatal federal em um contexto histórico dominado pelo modelo nacional-desenvolvimentista e, mesmo com todos os percalços das últimas décadas (incluindo cortes-orçamentários), é irrefutável que a agência tem sido exitosa em sua função técnica e social. Mais recentemente foi criado o programa PRINT (Programa Institucional de Internacionalização), concebido para desenvolver e implementar a internacionalização das áreas de conhecimento. A partir de 2019, a CAPES investiu R$ 300 milhões anuais neste programa. Esta ação é de suma importância para o desenvolvimento da pesquisa no país.
Ontem, a Diretora de Relações Internacionais (DRI) da agência foi exonerada e substituída pela Sra. Lívia Pelli Palumbo, uma estudante de doutorado da atual presidente. Não obstante o fato da Sra. Lívia Pelli Palumbo atender aos requisitos exigidos pela CAPES para a ocupação do cargo, assim como, atender ao artigo 2º do Decreto 9.727/19, é válido pontuar que ainda não concluiu sua formação acadêmica , como também não possui qualquer experiência em coordenação de redes de colaboração internacional ou outra
distinção que a credenciem para o cargo. Isto é particularmente preocupante para o período que passamos, que demanda para a DRI um perfil de liderança com grande experiência acadêmica para rearticular as redes e os projetos institucionais de internacionalização da pesquisa científica do Brasil. Os alicerces do sistema responsável pela formação de recursos humanos de alto nível e pela tão propalada inserção internacional de nossos pesquisadores estão, claramente, abalados.
Uma entidade como a CAPES, responsável pela alta qualidade de nossos programas de pós-graduação, precisa ter na direção de suas atividades-fim pessoas que não apenas atendam os requisitos de lei, mas também com a legitimidade conferida por uma formação qualificada e uma autoridade na pesquisa. Por estas razões, a SBPC manifesta sua
preocupação com o que pode constituir um desmanche da estrutura de uma agência à qual o Brasil deve tanto, no tocante à pesquisa e à formação de recursos humanos altamente
qualificados.


São Paulo, 05 de agosto de 2021
RENATO JANINE RIBEIRO
Presidente da SBPC

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A GEOLOCALIZAÇÃO DOS ANIMAIS E EISNTEIN


Um artigo publicado em 10 de maio na revista científica Journal of Comparative Physiology A revela que Albert Einstein sugeriu, em uma carta escrita em 1949 ao pesquisador Glyn Davys, que o comportamento de aves migratórias e pombos-correio poderia algum dia levar à compreensão de algum processo físico ainda não conhecido. Mais uma vez matemático e físico alemão estava certo: ele havia previsto um processo descoberto em 2008 – a geolocalização das aves por meio de campo magnético.

Albert Einstein, físico alemão responsável pela teoria da relatividade geral.Fonte:  Pixabay 

A carta veio à luz depois de 72 anos, após a esposa do destinatário, Judith Davys, ter lido um artigo publicado pelos autores do estudo a respeito das habilidades matemáticas das abelhas. A equipe, então, passou um ano investigando o conteúdo da correspondência.

A história por trás da carta 

Em 1933, Einstein deixou a Alemanha para trabalhar na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Lá, em abril de 1949, ele conheceu o cientista Karl von Frisch em uma palestra. Von Frisch estava apresentando sua nova pesquisa sobre como as abelhas navegavam com mais eficácia utilizando padrões de polarização da luz. Ele usou essa informação para ajudar a traduzir a agora famosa linguagem de dança das abelhas, pela qual recebeu o Prêmio Nobel.

Um dia após a palestra de von Frisch, o pesquisador e Einstein compartilharam um encontro privado. A reunião não foi documentada formalmente, mas a carta recentemente descoberta fornece alguns insights sobre o que pode ter sido discutido na ocasião.

A equipe da pesquisa suspeita que a carta de Einstein seja a resposta a uma pergunta enviada originalmente por Glyn Davys – que em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, ingressou na Marinha Real Britânica. Como engenheiro, Davys pesquisou o uso de radares para detectar navios e aeronaves – uma nova tecnologia mantida em segredo na época.

Carta escrita por Albert Einstein em 18 de outubro de 1949.Fonte: Dyer et al., J Comp Physiol A./Reprodução

Por coincidência, o sentido adicional presente nos morcegos, conhecido como biosonar ou ecolocalização, foi descoberto na mesma época. Isso despertou a ideia de que os animais poderiam ter sentidos diferentes dos humanos. O time do estudo não encontrou qualquer correspondência anterior entre Davys e Einstein, mas seguiu buscando o que poderia tê-lo levado a escrever para o famoso físico. Foi quando pesquisaram arquivos online de notícias publicadas na Inglaterra em 1949. 

Assim descobriram que os estudos de von Frisch sobre a navegação das abelhas já eram grandes notícias em julho daquele ano, inclusive noticiada pelo jornal britânico The Guardian

Os responsáveis pelo estudo acreditam que isso foi o que levou Davys a escrever para Einstein. É provável que a carta inicial mencionasse as abelhas e von Frisch, pois Einstein respondeu: “Estou bem familiarizado com as admiráveis investigações do Sr. v. Frisch”. Einstein também sugere na resposta que, para as abelhas ampliarem nosso conhecimento da física, novos tipos de comportamento precisariam ser observados. 

Einstein imaginou que novas descobertas poderiam vir do estudo do comportamento dos animais: “É de se pensar que a investigação do comportamento de aves migratórias e pombos-correio possa algum dia levar à compreensão de algum processo físico que ainda não é conhecido”, afirmou, à época.

Einstein estava certo, de novo

Pesquisas recentemente vêm revelando os segredos da navegação de aves migratórias, que voam milhares de quilômetros para chegar a um destino preciso. Um estudo com tordos equipados com transmissores de rádio revelaram, em 2018, que essas aves usam uma espécie de bússola magnética como guia de orientação principal durante o voo.

Rastro de voo de nove pássaros equipados com transmissores via satélite.Fonte:  The Royal Society/Reprodução 

Leia a carta na íntegra:

“Prezado senhor, estou bem familiarizado com as admiráveis investigações do Sr. v. Frisch. Mas não consigo ver a possibilidade para utilizar esses resultados na investigação a respeito das bases da física. Tal só seria o caso se um novo tipo de percepção sensorial, respectiva de seus estímulos, fosse revelada por meio do comportamento das abelhas”. “É de se pensar que a investigação do comportamento de aves migratórias e pombos-correio possa algum dia levar à compreensão de algum processo físico que ainda não é conhecido”.

Fonte: TecMundo

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JOSUÉ DE CASTRO


Por lutar contra a fome no Brasil, ele foi punido pela Ditadura Militar

 Maria Fernanda Garcia

Josué de Castro escreveu obras clássicas sobre o quadro trágico da fome no Brasil e no mundo

Josué Apolônio de Castro, mais conhecido como Josué de Castro, foi um influente médico, nutrólogo, professor, geógrafo, cientista social, político, escritor e ativista brasileiro do combate à fome.

Josué de Castro nasceu no dia 5 de setembro de 1908, no Recife (PE). Aos 20 anos, formou-se na Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, atual UFRJ.

Apesar do interesse inicial pela psiquiatria, resolveu fazer nutrição e abriu sua clínica no Recife. Na mesma época, foi contratado por uma fábrica para examinar trabalhadores com problemas de saúde indefinidos e diagnosticou: “sei o que meus clientes têm. Mas não posso curá-los porque sou médico e não diretor daqui. A doença desta gente é fome”. Logo foi demitido da fábrica. Vislumbrou então a dimensão social da doença, ocultada por preconceitos raciais e climáticos.

A partir de 1940, participou de todos os projetos governamentais ligados à alimentação, coordenando a implantação dos primeiros restaurantes populares, dirigindo as pesquisas do Instituto de Tecnologia Alimentar e colaborando para a execução de várias políticas públicas, como a educação alimentar. Sob sua direção foi lançado o periódico ‘Arquivos Brasileiros de Nutrologia’.

O ano de 1946 foi marcado pela publicação de ‘Geografia da fome‘. Obra clássica da ciência brasileira, o livro buscou tirar da obscuridade o quadro trágico da fome no país. Enfatizou as origens socioeconômicas da tragédia e denunciou as explicações deterministas que naturalizavam este quadro.

No mesmo ano, foi o fundador e primeiro diretor do Instituto de Nutrição da Universidade do Brasil. ‘Geopolítica da fome‘, livro publicado em 1951, concebido como uma extensão da ‘Geografia da fome’, tornou-se um marco histórico e político nas questões de alimentação e população. Os princípios ecológicos e geográficos foram desta vez utilizados na escala da fome mundial.

Respeitado internacionalmente, Josué de Castro foi eleito por representantes de 70 países Presidente do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), cargo que exerceu entre 1952 e 1956. Exerceu dois mandatos como deputado federal eleito pelo estado de Pernambuco. Entre diversos projetos ligados a questões agrárias, educacionais, culturais e econômicas, apresentou o de regulamentação da profissão de nutricionista, que dispõe sobre o ensino superior de Nutrição. Em 1963, tornou-se embaixador brasileiro junto à sede europeia da Organização das Nações Unidas, em Genebra.

Com o Golpe de Estado de 1964, foi destituído do cargo de embaixador-chefe em Genebra e seus direitos políticos foram suspensos pela Ditadura Militar no Brasil em seu primeiro Ato Institucional.

No exílio, sentiu muita falta do Brasil. Impedido de voltar ao país, aceitou asilar-se na cidade de Paris, onde procurou dar prosseguimento a suas atividades.

Fundou e dirigiu o Centro Internacional para o Desenvolvimento, além de ter presidido a Associação Médica Internacional para o Estudo das Condições de Vida e Saúde. Foi designado professor estrangeiro associado ao Centro Universitário Experimental de Vincennes (Universidade de Paris VIII), onde trabalhou até sua morte.

Faleceu em Paris, em 24 de setembro de 1974. Seu corpo foi enterrado no cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro.

Josué de Castro mostrou ao mundo a dor da fome no Brasil, que infelizmente até hoje causa o sofrimento de milhões de brasileiros. O relatório ‘O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2018′, da FAO, mostrou que 5,2 milhões de pessoas passam fome no Brasil.

Observatório 3 setor