O PERIGO DO NEGACIONISMO


Negacionismo: o perigo do pensamento negacionista

Por Psicóloga Sonia Pittigliani – CRP 06/14188010673

Atualmente, vivemos uma crise da verdade. O negacionismo ganha novamente espaço dentro da sociedade e coloca em xeque preceitos básicos e já sedimentados pela ciência no mundo. Esse movimento se apresenta travestido de “polêmicas”, por isso, é importante tomar cuidado com ele.

A problemática da veracidade é irrigada por ingredientes presentes nas estratégias dos “mercadores da dúvida”. Dessa forma, tais agentes procuram uma falsa simetria na argumentação científica e criam teorias conspiratórias para explicar o inexplicável.

Um bom exemplo da atuação do negacionismo é em relação ao aquecimento global. De fato, existe uma desestruturação do conhecimento por parte da população, gerando um descrédito em relação ao tema, entretanto, também vemos empresas de petróleos e indústrias ajudando a disseminar contestações à ciência do clima.

A movimentação dessas particularidades é perigosa. O campo do debate vira uma discussão ideológica capaz de influenciar a opinião pública e legitimar governantes com posições anticientíficas.

Entretanto, infelizmente, o aquecimento global não é o único consenso científico questionado pelos negacionistas. Temos o movimento antivacinas, a crença de que a terra é plana, o dito de que o Holocausto não existiu, entre outros. Portanto, é necessário compreender melhor o negacionismo a as suas consequências.

O que é negacionismo?

Negacionismo é a escolha de negar a realidade como forma de escapar de uma verdade desconfortável. Na ciência, o negacionismo é definido como a rejeição dos conceitos básicos, incontestáveis e apoiados por consenso científico a favor de ideias, tanto radicais quanto controversas.

Dessa forma, o negacionismo costuma se fortalecer quando a sociedade se depara com situações de instabilidade, como uma crise ou algo nunca antes presenciado. Quando em oposição a evidências científicas, o movimento encontra sustentação em teorias e discursos conspiratórios, sem aprofundamento e isolados, que acabam favorecendo disputas ideológicas, interesses políticos e religiosos.

Nesse sentido, alguns autores colocam o negacionismo como uma “pseudociência que contradiz um mundo imenso de teorias, verdades comprovadas e pesquisas sérias”. Sendo assim, o objetivo final dele – além de criar polêmicas retóricas e desnecessárias – é rejeitar alguma afirmação que encontra consenso no meio científico e em teorias solidamente comprovadas.

Além disso, as pessoas que seguem essa ideologia tentam propor experimentos para comprovar seus ideais na prática. Entretanto, encontram limitação teórica e de equipamentos, o que os leva a criar falácias com uma conclusão inválida.

Origem da teoria negacionista

A teoria negacionista é uma estratégia antiga e bem sucedida de “minar” conceitos científicos. A ideia foi aplicada pela primeira vez nos EUA, em 1950, quando a indústria de tabaco desenvolveu um manual de relações públicas para reagir às evidências científicas das pesquisas clínicas, que ligavam o fumo ao câncer. O objetivo, ao constatar essas evidências e contrapô-las ao consenso científico, era o de criar a “dúvida”.

Essa mesma “dúvida” do negacionismo foi utilizada para negar o buraco da camada de ozônio em 1980. Na mesma época, evangélicos americanos também usaram a mesma estratégia para forçar o ensino do “criacionismo” nas escolas, equiparando a inspiração bíblica da criação e derrotando a teoria da evolução.

Ainda, as indústrias de carvão mineral e petróleo, em 1990, fizeram de tudo para desacreditar a ciência climática e barrar a ação contra o aquecimento global. Por isso, vemos hoje, em pleno século XXI, o desmatamento da Amazônia e a “permissão” para as queimadas e exploração dos garimpos e minério, que tanto causa debates e discussões políticas, inclusive em âmbito internacional.

O fenômeno da pós-verdade

Era comum a geração mais velha dizer “é comprovado cientificamente” quando queria sustentar uma argumentação. Hoje, essa tática já não tem a mesma eficácia, pois a confiança na ciência está diminuindo.

Dessa forma, os que apoiam a teoria negacionista generalizam dúvidas e argumentos superficiais não comprovados, o que provoca uma descrença nas instituições científicas. Tal movimento favorece a disseminação de fatos escancaradamente anticientíficos, contando inclusive, com o apoio de governos e setores políticos.

O fenômeno da pós-verdade (fatos objetivos que passam a ter menos influência do que crenças pessoais na opinião pública) é um sintoma extremo dessa crise. Muitas pessoas não enxergam que a ciência existe para beneficiar a sociedade e seus indivíduos. A pós-verdade não designa só o uso oportunista da mentira: sinaliza um ceticismo quanto ao benefício das verdades e suas evidências factuais, comprovadas pela ciência.

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A educação e os meios de comunicação sérios são determinantes para gerar confiança nos conhecimentos científicos. No entanto, não podemos deixar de apontar que a distribuição de renda e as sociedades desiguais economicamente tendem a desconfiar da ciência, pois acabam não tendo acesso, principalmente, à educação de qualidade.

A maior riqueza da ciência não são as certezas produzidas ao fim de um processo de investigação, mas sim o modo qualificado de tratar as dúvidas durante este processo. Ser “cético” é o que se exige de todo cientista. Incertezas, perguntas, problemas e questões são matéria-prima da ciência. Dessas dúvidas é que se extraem as certezas.

Psicologia do negacionismo

A ideia de negação foi definida por Freud como um mecanismo psicológico, que tem a finalidade de reduzir qualquer manifestação capaz de colocar em perigo a integridade do ego dos sujeitos. Então, essas pessoas não conseguem enfrentar os fatos que julguem ameaçadores.

Dessa forma, trata-se de um mecanismo de defesa, que leva as pessoas, inconscientemente, a evitar a realidade em que vivem. Em termos psicanalíticos, a negação é um fenômeno típico de indivíduos que não querem lidar com as situações que geram incertezas.

A origem da negação é a angústia, que se recusa em reconhecer o problema que está acontecendo. Os indivíduos afetados agem como se nada tivesse acontecido, se comportando de maneira confusa e visto pelos outros como um comportamento insensato.

Nesse sentido, essa negação resulta num alto custo socioemocional a si mesmas e aos outros. Então, esse custo se traduz na prepotência e na intolerância, que, muitas vezes, leva ao obscurantismo das crenças e superstições.

Os negacionistas se consideram os “buscadores da verdade” e todos eles rejeitam/negam o conhecimento, porque isso é inconveniente para suas crenças e fantasias. No fundo, esse movimento revela posições autoritárias e preconceituosas. O mecanismo de negação, enquanto defesa inconsciente do indivíduo, é passível de tratamento terapêutico.

Enquanto psicólogos(as), estudamos durante anos a ciência do comportamento humano. Nos vemos, em pleno século XXI, enquanto profissionais que se defrontam com esses processos de desinformação, com a confusão entre o fato e a ficção, e as mentiras que se tornam verdades.

O MAIOR ESCÂNDALO JURÍDICO DA HISTÓRIA


Projeto político e financeiro uniu a Lava Jato e a Transparência Internacional

A parceria visava administrar 5 bilhões de reais em prol do ‘Partido da Lava Jato’; a ONG nega as acusações e se diz vítima de perseguição

“O maior escândalo judicial da história”, segundo o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, está longe de ser completamente desvendado. O que se sabe até agora, a partir do vazamento das mensagens dos procuradores da força-tarefa do Ministério Público e do ex-juiz Sérgio Moro, é suficiente para chocar os cidadãos de bom senso, mas constitui uma parte ínfima do esquema político-partidário e econômico montado na “República de Curitiba”. Há muito mais. As ambições pessoais e os interesses pecuniários, revelam novos diálogos, uniram procuradores da República e diretores da Transparência Internacional, organização que, em tese, nasceu para denunciar a corrupção mundo afora.

Juntas, a força-tarefa e a ONG pretendiam gerenciar 5 bilhões de reais recuperados dos desvios na Petrobras em prol de um projeto eleitoral: consolidar o “Partido da Lava Jato” e pavimentar as ambições de poder de Moro e companhia.

Nessa parceria nada transparente, a Transparência Internacional e o Ministério Publico celebraram contratos que transferiam à ONG poderes de decisão e interferência sobre cerca de 5 bilhões de reais oriundos de acordos de leniência assinados por empresas acusadas de corrupção. O acerto, como outros do gênero firmados pela força-tarefa, passam ao largo dos órgãos de controle brasileiros.Leia também:Procuradores da Lava Jato se referiam a Gabriela Hardt como ‘Russa’Fachin rejeita recurso da PGR contra Lula, mas manda plenário do STF dar palavra final

Os negócios obscuros terão consequências. A direção mundial da organização, sediada em Berlim, decidiu abrir uma investigação a respeito da conduta de seus representantes no Brasil e de uma possível interferência na política do País, comportamento vedado pelas regras internas. Um grupo de advogados brasileiros se prepara para viajar à Alemanha e entregar ao board da Transparência os documentos, memorandos e acordos que comprovam a denúncia.Leia também:Rui Falcão aciona o STJ e denuncia ilegalidades na relação entre MPF e Transparência Internacional

Em paralelo, o deputado federal Rui Falcão, do PT, solicitou ao Superior Tribunal de Justiça que investigue os possíveis crimes de improbidade administrativa, infrações penais, faltas disciplinares e funcionais e graves prejuízos aos cofres públicos cometidos nesses acordos. Falcão também acionou o Tribunal de Contas da União a respeito de possíveis danos ao erário. Quem cuida do caso no STJ é o ministro Luis Felipe Salomão. Integrantes do Supremo Tribunal Federal apoiam a investigação. “Aguardamos a primeira manifestação do STJ. Todos os encaminhamentos estão prontos e os primeiros contatos com as autoridades alemãs foram feitos”, declarou o advogado Marco Aurelio Carvalho, fundador do grupo Prerrogativas e um dos responsáveis pela denúncia protocolada no tribunal superior junto ao advogado Fernando Hideo.

Diálogos entre Bruno Brandão, diretor-executivo da Transparência Internacional no Brasil, e Deltan Dallagnol, então chefe da força-tarefa, revelam que a ONG era convocada a defender a Lava Jato, em artigos e entrevistas, sempre que a operação era posta em dúvida. Ao mesmo tempo, as declarações dos representantes da Transparência se convertiam em libelos dos procuradores para pressionar as autoridades.

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As conversas também indicam a intenção de influenciar, inclusive, os rumos da política. Em maio de 2018, Dallagnol procura Brandão e solicita uma defesa pública do procurador Fernando Santos Lima, alvo de uma investigação por quebra de decoro no Conselho Nacional do Ministério Público.