REVOLUÇÃO DOS CRAVOS | PORTUGAL


HÁ 47 ANOS, A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS DERRUBAVA A DITADURA DE DIREITA EM PORTUGAL

Neste dia, no ano de 1974, tinha fim o regime salazarista, instaurado por António de Oliveira Salazar

GIOVANNA GOMES, SOB SUPERVISÃO DE THIAGO LINCOLINS PUBLICADO EM 25/04/2021, ÀS 00H00

A Revolução dos Cravos pôs fim à ditadura em Portugal
A Revolução dos Cravos pôs fim à ditadura em Portugal – Divulgação

Ao longo de mais de quatro décadas, o regime salazarista, imposto pelo político António de Oliveira Salazar, moldou o poder em Portugal. Foi apenas em meados da década de 1970 que o povo finalmente se viu livre do jugo de uma ditadura que se inspirava nos governos de HitlerMussolini.

Conforme documentado pelo Brasil Escola, uma série de fatores contribuiu para que o regime começasse a enfraquecer, como a morte do líder fascista no ano de 1968. Em seu lugar, entrou Marcelo Caetano, quem começou a realizar medidas que resultariam, mais tarde, no fim da ditadura.

Movimentos pela independência

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, muitas colônias se tornaram independentes de dos países que as exploravam. Nos territórios dominados por Portugal não foi diferente, tendo surgido grupos independentistas que se fortaleceram na década de 1960. Esse foi, portanto, um período marcado pelas duras repressões por parte do governo contra os insurgentes nas colônias africanas. Antonio de Oliveira Salazar – Crédito: Wikimedia Commons

Tropas portuguesas nas colônias

Os portugueses enviaram tropas aos territórios de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau para que pudessem conter as rebeliões.

Tal medida foi capaz adiar a independência algum tempo, mas bastou adentrar na década seguinte que os desgastes, devido à contenção dos grupos insurgentes, somados a uma grande crise econômica levaram ao surgimento de um movimento interior das Forças Armadas que viria a ser contrário ao governo.

Assim, em 25 de abril de 1974 ocorreria a a revolução que colocaria fim aos mais de quarenta anos de ditadura em Portugal. Naquele dia, oficiais de média patente finalmente derrubaram Marcelo Caetano do poder, encerrando a era do fascismo no país.

Logo em seguida, a população portuguesa foi para as ruas para apoiar os militares rebeldes. Muitas pessoas começaram a distribuir cravos aos oficiais que participaram daquele evento histórico, razão pela qual esse momento ficou conhecido como a Revolução dos Cravos.

Mudando os rumos

Com Caetano afastado, António de Spínola se tornou o novo presidente de Portugal. Iniciando uma nova fase, o político dissolveu a polícia política do regime salazarista e legalizou o sistema pluripartidário. Foi então que as esquerdas passaram a se organizar para assumir o comando.

Na época, militares e políticos portugueses de esquerda tomaram o poder por meio do Movimento das Forças Armadas (MFA). Desta forma, o governo acabou por ser dividido entre três oficiais: Costa GomesOtelo Saraiva de Carvalho e Vasco Gonçalves.Costa Gomes – Crédito: Divulgação

Novas medidas

A partir de 1975, o governo passou a promover a estatização dos bancos e das indústrias do país, uma vez que o Partido Socialista ganhou maioria na Assembléia Constituinte. Na época, setores ainda mais à esquerda tentaram dar um golpe militar, porém sem êxito. No ano seguinte, foi aprovada uma nova Constituição no país.

Também em 1976, ocorreram novas eleições e Antônio Ramalho Eanes tornou-se o novo presidente. Com o tempo, o governo foi adotando medidas liberais economica e socialmente, marcando o início de uma nova era na política portuguesa.

Fonte: Aventuras na História

Assista a “MÚSICA E RESISTÊNCIA AO REGIME DITATORIAL BRASILEIRO” no YouTube


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FUTEBOL E DITADURA


Seis histórias sobre futebol e política na ditadura

O golpe de 64 completa 55 anos e nós selecionamos alguns fatos que mostram as ligações do futebol com o regime

Marcelo FerreiraBrasil de Fato | Porto Alegre (RS) | 28 de Março de 2019 às 07:18

A primeira faixa pela anistia aberta publicamente foi num jogo do Corinthians e Santos, em 1989 no Morumbi
A primeira faixa pela anistia aberta publicamente foi num jogo do Corinthians e Santos, em 1989 no Morumbi – Foto: Arquivo O Globo

O fiasco do Brasil na Copa do Mundo de 2014 foi seguido pela queda da presidenta Dilma, com apoio de manifestantes vestindo a camiseta da seleção brasileira. O sucesso do futebol na Copa de 1970 foi seguido pela “lua de mel” do governo militar com o povo em geral, que não sabia das prisões e torturas por causa da forte censura do regime.

As relações entre o futebol e a ditadura militar tanto no Brasil quanto na Argentina, Chile e Uruguai estão bem registradas no documentário “Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor”, produzido pelo jornalista e historiador Lúcio de Castro. Filme está disponível no YouTube.

Cartolagem e ditadura

O marechal-presidente Arthur da Costa e Silva comunicou a João Havelange, então presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD, hoje CBF), que planejava apostar no futebol. Era final de 1968 e o ditador queria festejar o Tri mundial no seu governo. Costa e Silva, porém, morreu. Veio a junta militar e, após, o general mais afeiçoado ao esporte: Garrastazu Médici. Em 1971, surgiu o Brasileirão. A parceria ajudou Havelange a chegar à presidência da Fifa em 1974.

Depois da conquista de 1970, o autoritarismo e a cartolagem esmeraram-se nos festejos dos 150 anos do Grito do Ipiranga. Em 1972, trouxeram 20 seleções para disputarem a Taça Independência. A finalíssima juntou duas ditaduras: o Brasil de Médici e o Portugal de Marcelo Caetano. Brasília também estimulou a CBD a inflar o campeonato nacional. De 20 clubes, saltou para 40 e cresceu até 1979 quando bateu seu recorde: 94 equipes. Seguia-se o preceito “Onde a Arena vai mal, mais um time no Nacional”.

Ditadura demite João Saldanha

A seleção que traria o Tri, com nomes como Pelé, Tostão e Jairzinho, era conhecida como as “Feras do Saldanha”. O técnico João Saldanha obtivera 100% de aproveitamento nas eliminatórias. Mas foi demitido a seis dias do embarque da seleção para o México.Atribuiu-se a demissão à não convocação de Dario, o Dadá Maravilha. O centroavante seria do gosto de Médici.

Mas os atritos iam muito além. Saldanha era filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), na clandestinidade. “Sua escolha, um pouco foi para acalmar as críticas à seleção após o fiasco de 1966. A aceitação foi um pouco de pragmatismo do Partidão, tipo ‘melhor a gente no cargo que alguém pior’”, explica o jornalista esportivo Juca Kfouri.

Após o assassinato de Carlos Marighella em 1969, Saldanha teria distribuído um dossiê a autoridades internacionais citando milhares de presos políticos e centenas de mortos e torturados pela ditadura. Com a seleção já classificada, foi substituído por Zagallo, que voltaria ao Brasil trazendo a taça Jules Rimet.

Pra frente Brasil, salve a seleção

Com sua propaganda, o regime insuflou o ufanismo / Foto: Reprodução Internet

Médici aproveitou a euforia pela vitória do selecionado – fora a primeira copa transmitida ao vivo pela TV brasileira – para massificar campanhas publicitárias. Milhões de brasileiros se emocionavam com a seleção e cantavam “De repente é aquela corrente pra frente/ Parece que todo o Brasil deu a mão! (…) Pra frente Brasil! Salve a seleção!”.

Essa marchinha foi a vencedora de um concurso organizado pelas empresas patrocinadoras das transmissões e pela rede Globo. Caiu como uma luva para o culto ao ufanismo e a proposta de integração nacional.

Pelé, o rei do futebol

Ao retornar do México, Pelé ganhou passaporte diplomático para ser garoto-propaganda do governo na inauguração da praça Brasil, na cidade mexicana de Guadalajara. Em carta de agradecimento, afirmou “imensa satisfação” com a missão.

Em entrevista ao jornal uruguaio La Opinión, em 1972, Pelé afirmaria: “Não há ditadura no Brasil”. Anos depois, alegou que não foi à Copa de 1974 por descobrir que havia tortura no Brasil. “Ele era bom no futebol e ruim na política. Ao longo da história, esteve ao lado da maioria dos presidentes, foi inclusive ministro dos Esportes de FHC”, recorda Kfouri.

Os movimentos de Havelange

Em 2012, a Fifa divulgou documentos da justiça suíça confirmando que o ex-presidente da entidade, João Havelange, e seu genro, o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, receberam subornos milionários, somando R$ 45,5 milhões.

“Esse foi movimentador de ditaduras, mentiu a vida inteira”, acusa o jornalista. Presidiu a CBD de 1958 a 1975. Dias antes da publicação do Ato Institucional (AI-5), fechou um acordo com o então presidente Costa e Silva ele para investimento do Estado no futebol nacional. Veio a criação da Loteria Esportiva e exibições da seleção para o exterior, bancadas pela CBD, alçando-o ao cargo de presidente da Fifa, de 1974 a 1998.

Também foi membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) de 1963 até 2011, quando renunciou ao mandato. Em 2013, renunciou também à presidência de honra da Fifa. As renúncias foram para escapar de punições pela condenação por corrupção.

Futebol e política hoje

Futebol e política se misturam. Nos últimos anos, observa-se desde protestos verde-amarelos contra a “corrupção” até o fenômeno das torcidas antifascistas.

Kfouri considera uma “suprema ironia você usar camisa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para protestar contra corrupção porque é uma entidade cujos três últimos presidentes foram afastados por corrupção.”

Ao mesmo tempo, recorda ele, “a primeira faixa pela anistia aberta publicamente foi num jogo do Corinthians e Santos, em 1989 no Morumbi. Tivemos a Democracia Corinthiana, com jogadores como Sócrates e Wladimir, totalmente imbricada com as diretas. Tem de tudo”.


Este conteúdo foi originalmente publicado na versão impressa (Edição 12) do Brasil de Fato RS. Confira a edição completa. 

ÍEdição: Ayrton Centeno

DITADURA MILITAR E POPULAÇÕES INDÍGENAS


Brasil Doc.

Arquivo Digital

NAVEGAÇÃO

5. Ditadura militar e populações Indígenas

Heloisa Starling

Ainda hoje sabemos muito pouco sobre os crimes cometidos pela ditadura contra as populações indígenas. O mais importante documento de denúncia sobre esses crimes – o “Relatório Figueiredo” – foi produzido pelo próprio Estado brasileiro e ficou desaparecido durante 44 anos – durante todo esse período a informação oficial era a de que o Relatório havia sido destruído em um incêndio. A alegação não procede. O Relatório foi encontrado quase intacto, por pesquisadores independentes, em 2013, com 5 mil páginas e 29 tomos – das 7 mil páginas e 30 tomos que constavam da versão original. Para escrever seu relatório, encomendado pelo general Albuquerque Lima, ministro do Interior, com o objetivo de apurar práticas de corrupção no Serviço Nacional do Índio – o órgão indigenista oficial brasileiro que antecedeu à Fundação Nacional do Índio (FUNAI) –, o procurador geral Jader de Figueiredo Correia percorreu com sua equipe mais de 16 mil quilômetros, visitando 130 postos indígenas em todo o país.  

O resultado apresentado pelo procurador em seu Relatório é estarrecedor: matanças de tribos inteiras, torturas e toda sorte de crueldades foram cometidas contra indígenas no país, principalmente pelos grandes proprietários de terras e por agentes do Estado. Figueiredo fez um trabalho de apuração impressionante: incluiu relatos de dezenas de testemunhas, apresentou documentos e identificou cada uma das violações que encontrou – assassinatos de índios, prostituição de índias, sevícias, trabalho escravo, apropriação e desvio de recursos do patrimônio indígena. Ele também apurou as denúncias sobre a existência de caçadas humanas de indígenas feitas com metralhadoras e dinamite atiradas de aviões, as inoculações propositais de varíola em populações indígenas isoladas e as doações de açúcar misturado a estricnina.

Os militares tinham um projeto de desenvolvimento em grande escala que articulava o programa econômico concebido no IPES e as diretrizes de segurança interna desenvolvida pela ESG e que pretendia realizar a integração completa do território nacional. Isso incluía um ambicioso programa de colonização que implicava no deslocamento de quase um milhão de pessoas com o objetivo de ocupar estrategicamente a região amazônica, não deixar despovoado nenhum espaço do território nacional e tamponar a área de fronteiras. Para seu azar, as populações indígenas estavam posicionadas entre os militares e a realização do maior projeto estratégico de ocupação do território brasileiro. Pagaram um preço altíssimo em dor e quase foram exterminados por isso.

Os documentos disponíveis são: Relatório Figueiredo; vídeos.

Para saber mais

DAVIS, Shelton H. Vítimas do Milagre; o desenvolvimento e os índios do Brasil. São Paulo: Zahar, 1978;

MARTINS, Edilson. Nossos índios, nossos mortos. Rio de Janeiro: CODECRI, 1978;

HEMMING, John. Die If You Must: Brazilian Indians in the Twentieth Century. Londres: Macmillan, 2003. 03 volumes.