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O GÉOGRAFO MILTON SANTOS | PROF. DRA. EDVÂNIA TORRES


JOSUÉ DE CASTRO: SUA TRAJETÓRIA INTELECTUAL E POLÍTICA | PROF. DR. HÉLDER REMÍGIO – UNICAP – ANPUH


JOSUÉ DE CASTRO


Por lutar contra a fome no Brasil, ele foi punido pela Ditadura Militar

 Maria Fernanda Garcia

Josué de Castro escreveu obras clássicas sobre o quadro trágico da fome no Brasil e no mundo

Josué Apolônio de Castro, mais conhecido como Josué de Castro, foi um influente médico, nutrólogo, professor, geógrafo, cientista social, político, escritor e ativista brasileiro do combate à fome.

Josué de Castro nasceu no dia 5 de setembro de 1908, no Recife (PE). Aos 20 anos, formou-se na Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, atual UFRJ.

Apesar do interesse inicial pela psiquiatria, resolveu fazer nutrição e abriu sua clínica no Recife. Na mesma época, foi contratado por uma fábrica para examinar trabalhadores com problemas de saúde indefinidos e diagnosticou: “sei o que meus clientes têm. Mas não posso curá-los porque sou médico e não diretor daqui. A doença desta gente é fome”. Logo foi demitido da fábrica. Vislumbrou então a dimensão social da doença, ocultada por preconceitos raciais e climáticos.

A partir de 1940, participou de todos os projetos governamentais ligados à alimentação, coordenando a implantação dos primeiros restaurantes populares, dirigindo as pesquisas do Instituto de Tecnologia Alimentar e colaborando para a execução de várias políticas públicas, como a educação alimentar. Sob sua direção foi lançado o periódico ‘Arquivos Brasileiros de Nutrologia’.

O ano de 1946 foi marcado pela publicação de ‘Geografia da fome‘. Obra clássica da ciência brasileira, o livro buscou tirar da obscuridade o quadro trágico da fome no país. Enfatizou as origens socioeconômicas da tragédia e denunciou as explicações deterministas que naturalizavam este quadro.

No mesmo ano, foi o fundador e primeiro diretor do Instituto de Nutrição da Universidade do Brasil. ‘Geopolítica da fome‘, livro publicado em 1951, concebido como uma extensão da ‘Geografia da fome’, tornou-se um marco histórico e político nas questões de alimentação e população. Os princípios ecológicos e geográficos foram desta vez utilizados na escala da fome mundial.

Respeitado internacionalmente, Josué de Castro foi eleito por representantes de 70 países Presidente do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), cargo que exerceu entre 1952 e 1956. Exerceu dois mandatos como deputado federal eleito pelo estado de Pernambuco. Entre diversos projetos ligados a questões agrárias, educacionais, culturais e econômicas, apresentou o de regulamentação da profissão de nutricionista, que dispõe sobre o ensino superior de Nutrição. Em 1963, tornou-se embaixador brasileiro junto à sede europeia da Organização das Nações Unidas, em Genebra.

Com o Golpe de Estado de 1964, foi destituído do cargo de embaixador-chefe em Genebra e seus direitos políticos foram suspensos pela Ditadura Militar no Brasil em seu primeiro Ato Institucional.

No exílio, sentiu muita falta do Brasil. Impedido de voltar ao país, aceitou asilar-se na cidade de Paris, onde procurou dar prosseguimento a suas atividades.

Fundou e dirigiu o Centro Internacional para o Desenvolvimento, além de ter presidido a Associação Médica Internacional para o Estudo das Condições de Vida e Saúde. Foi designado professor estrangeiro associado ao Centro Universitário Experimental de Vincennes (Universidade de Paris VIII), onde trabalhou até sua morte.

Faleceu em Paris, em 24 de setembro de 1974. Seu corpo foi enterrado no cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro.

Josué de Castro mostrou ao mundo a dor da fome no Brasil, que infelizmente até hoje causa o sofrimento de milhões de brasileiros. O relatório ‘O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2018′, da FAO, mostrou que 5,2 milhões de pessoas passam fome no Brasil.

Observatório 3 setor

O IBGE E SUA IMPORTÂNCIA


IBGE

GEOGRAFIA

A importância do IBGE reside, principalmente, na produção de dados e informações para instrumentalizar estudos científicos e planejamentos de ações públicas.


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – o IBGE – é um órgão estatal criado na década de 1930 pelo Governo Vargas em substituição ao DNE (Departamento Nacional de Estatísticas) com o intuito de realizar estudos e levantar dados quantitativos e qualitativos sobre o território brasileiro e sua população. Segundo o próprio órgão, a sua missão institucional é “retratar o Brasil com informações necessárias ao conhecimento da sua realidade e ao exercício da cidadania”.
O instituto foi primeiramente idealizado em 1933, logo no início do Governo Provisório, em um anteprojeto iniciado por Juarez Távora, então ministro da agricultura. Após sua institucionalização em 1934, foi criado em 1936 o então Instituto Brasileiro de Estatística (INE), mesmo ano da criação do Conselho Nacional de Estatística (CNE).

No ano seguinte, foi criado o Conselho Nacional de Geografia (CGE), que era uma intendência subordinada ao INE e autorizada a aderir a UGI (União Geográfica Internacional). A intenção inicial do CGE era elaborar cartogramas e informações geográficas necessárias à estatística nacional.
Finalmente, em 1938, a articulação desses órgãos criou o IBGE, transformando, assim, o INE em uma entidade mais ampla, tendo os conselhos de Geografia e de Estatísticas subordinados e atuantes de forma autônoma. A partir de então, esse órgão passou a elaborar vários documentos acerca do território brasileiro, cumprindo a intenção de Getúlio Vargas, que era a de obter mais conhecimentos e informações sobre o espaço geográfico do país, a fim de melhor planejar e coordenar ações públicas, bem como para garantir a soberania nacional.
Um dos mais importantes trabalhos realizados pelo IBGE foi a divisão regional brasileira, finalizada no ano de 1942. Nessa primeira divisão, o país era dividido em Norte, Nordeste, Leste, Centro-Oeste e Sul.

Mas, com certeza, o mais importante dos estudos realizados pelo IBGE foi o Recenseamento ou Censo Demográfico brasileiro. Atualmente ele é realizado a cada dez anos e possui a qualidade de levantar dados estatísticos com base em visitas residenciais a toda a população brasileira. Apesar dessa pesquisa existir desde o século XIX, foi com o IBGE que ela ganhou uma melhor estruturação.
Com o passar dos anos, esse instituto conheceu várias reformulações e hoje está cada vez mais bem estruturado. Suas funções principais, além de produzir dados estatísticos, são: coordenar a leitura desses dados, produzir gráficos e mapas a partir das informações obtidas, associar informações quantitativas e matemáticas a dados e informações geográficas, elaborar e estruturar sistemas de informações ambientais, divulgar boletins e notícias referentes a informações obtidas, além de coordenar todos os sistemas estatísticos e cartográficos do país. Dessa forma, esse órgão, ao lado de outras instituições como o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espacias), é a principal fonte para cientistas, estudantes e, principalmente, gestores públicos que planejam e coordenam ações para melhoria estrutural e social do território brasileiro.

Fonte: Brasil Escola