A LUA NÃO ERA UM DEUS E A TERRA NUNCA FOI PLANA | FILOSOFIA



A SAGA DE ANAXÁGORAS, O PENSADOR REPREENDIDO POR ACREDITAR QUE A LUA NÃO ERA UM DEUS

Nascido em 500 a.C., Anaxágoras foi um importante filósofo, responsável pela fundação da primeira escola filosófica de Atenas

GIOVANNA GOMES, SOB SUPERVISÃO DE THIAGO LINCOLINS PUBLICADO EM 24/05/2021, ÀS 14H55

Houve um tempo em que toda uma sociedade acreditava que o Sol e a Lua eram deuses e, portanto, considerados sagrados. Mas em 500 a.C. nasceria um pensador que questionaria essa ideia.

Natural da cidade de Clazômenas, atual Turquia, seu nome era Anaxágoras e ficou conhecido tanto por ser o responsável pela criação da primeira escola filosófica de Atenas quanto por seus estudos sobre astronomia e filosofia.

O pensador pertencia a uma família nobre e rica, mas renunciou seus bens, dando-os aos parentes quando, aos 20 anos, decidiu se mudar para Atenas. Em seu novo lar, passou a estudar fenômenos naturais e iniciou a escrita de um livro que, infelizmente, se perdeu com o passar dos anos.

Tudo o que sabemos sobre seus pensamentos hoje em dia vem de fragmentos citados em obras de outros autores.

Novas ideias

Ao contrário de seus contemporâneos, Anaxágoras acreditava que as coisas eram feitas de uma série de elementos diferentes, e não de apenas um. Tales de Mileto, por exemplo, pensava que tudo fosse formado a partir da água.

O filósofo também não concordava com Empédocles, por exemplo, que dizia que tudo no mundo era formado pelos quatro elementos fundamentais: terra, água, ar e fogo. 

Para Anaxágoras, todo alimento ingerido se tornava uma parte do ser, formando cada parte do corpo, como a pele e os ossos, e também a fezes e a urina, por exemplo. Logo, o grego concluiu que tudo era formado pelos mesmos elementos, partículas bem pequenas as quais chamou de sementes ou gérmes.

Cosmologia

Anaxágoras, entretanto, não acertou ao afirmar que a terra era plana e que a mesma era sustentada pelo ar. Ele também acreditava erroneamente que o Sol tinha somente quatro vezes o tamanho do Peloponeso. Porém, ele defendia que a estrela não era um deus, mas sim uma gigantesca massa incandescente situada em uma região distante de nosso planeta. 

Além disso, mesmo não tendo sido o primeiro a surgir com a tese, já naquela época ele afirmava: “É o Sol que dá brilho à Lua.”

Para Daniel Graham, professor de filosofia da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, em entrevista ao Smithsonian, “Anaxágoras transforma o problema da luz lunar em um problema de geometria. (Ele produziu) um modelo do céu que prevê não apenas as fases da Lua, mas como os eclipses são possíveis.

Ideias polêmicas e condenação

Para o pensador, o nosso satélite era uma rocha, e não um deus, como muitos acreditavam na época. Ele passou a afirmar que, em algum momento, a Lua teria se desprendido do planeta Terra e assim começou a rodeá-lo.

Porém as ideias suas ideias eram contrárias às defendidas pelo governo e pelas autoridades religiosas. Se livrou da perseguição inicial por ser amigo do grande general Péricles, que liderou Atenas nas guerras do Peloponeso contra Esparta (não sendo uma pessoa muito querida pelos seus opositores da ala política), contudo, foi esse fator que traçou o futuro de Anaxágoras. 

A verdade é que, não podendo atingir o militar, os rivais de Péricles optavam por se voltar contra seus aliados. Assim, Anaxágoras acabou sendo preso e condenado à morte por heresia.

Felizmente, Péricles ainda tinha grande influência política e conseguiu libertar o filósofo. Então ele foi exilado, refugiando-se refugiou em Lâmpsaco, local em que morreria no ano 428 a.C, com aproximadamente 72 anos de idade.


Fonte: Aventuras na História

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HIPÁTIA DE ALEXANDRIA, A PRIMEIRA MULHER MATEMÁTICA DA HISTÓRIA



Conheça Hipátia de Alexandria, a primeira mulher matemática da história

Nascida no Egito no século 4, ela foi uma filósofa grega que lecionou matemática, filosofia e astronomia

 | NATHALIA FABRO

Foi por volta do ano de 355 que nasceu Hipátia,  em Alexandria, no Egito. Filha de Theon, que era matemático, filósofo, astrônomo e um dos últimos diretores do Museu de Alexandria, ela decidiu seguir os caminhos do pai em busca do conhecimento. Mas isso lhe custou a vida: foi assassinada por defender o racionalismo científico grego (a do raciocínio como lógica de pensamento). Hoje, Hipátia é considerada a primeira mulher matemática que a humanidade tem registros. Conheça a sua história:CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEnull

Educação e trabalho
Ela frequentou a Academia de Alexandria e, influenciada pelo pai, estudou astronomia, religião, poesia, artes e ciências exatas. Mais tarde, foi aluna de uma escola neoplatônica em Atenas, na Grécia, na qual as doutrinas seguiam aspectos espirituais e cosmológicos do pensamento de Platão, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da filosofia ocidental. Atuando na matemática, Hipátia desenvolveu estudos sobre a aritmética de Diofanto de Alexandria, matemático grego do século 3 a.C., considerado o pai da álgebra. Segundo estudiosos, Hipátia pretendia unificar as ideias de Diofanto com o neoplatonismo.

Hipátia ainda desenvolveu trabalhos de ciências exatas e medicina. Quando retornou ao Egito, tornou-se professora de matemática e filosofia. Com seu pai, Theon, lançou comentários sobre os Elementos de Euclides – que são 13 livros sobre geometria, álgebra e aritmética, escritos pelo matemático grego Euclides. 

Posteriormente, virou diretora da Academia de Alexandria. Ela também analisou os conceitos matemáticos da obra As Cônicas, escrita por Apolônio de Tiana, filósofo e professor grego. De acordo com historiadores, ela tornou o documento mais acessível e fácil de ser entendido. 

Reconhecimento
Poucas contribuições de Hipátia foram preservadas, pois muitos de seus projetos foram perdidos durante a destruição da Biblioteca de Alexandria, que teria ocorrido no século 6. Um de seus alunos, Sinésio de Cirene, declarou que ela construiu um astrolábio (instrumento naval), um hidrômetro e um higroscópico (material que absorve água). null

Hipátia também foi professora de matemática para aristocratas pagãos e cristãos. O livro brasileiro A História de Hipátia e de Muitas Outras Matemáticas, descreve que sua inteligência a levou a ser conselheira de Orestes, que fora seu aluno e depois foi prefeito do Império Romano no Oriente. “A natureza especial de Hipátia, tratando todos os seus alunos igualmente, sendo educada, tolerante e racional, desencadeou uma série de ciúmes que resultaram em inimizades”, aponta a obra. 

Perseguição 
Por defender o racionalismo científico, a matemática foi acusada de blasfêmia e sentimentos anticristãos. Ela, no entano, nunca declarou ser aversa ao cristianismo. Na verdade, Hipátia dava aulas para pessoas de diversas crenças religiosas. 

Uma emboscada tirou a sua vida. Há diferentes versões que contam seu assassinato; a mais aceita é a do historiador inglês Edward Gibbon na obra O Declínio e a Queda do Império Romano, publicada em seis volumes entre 1776 e 1778. Ele narra que, em uma manhã da Quaresma em 415, Hipátia foi atacada na rua. Ela estava voltando para casa em uma carruagem e pessoas lhe arrancaram os cabelos, as roupas, os braços e as pernas. Depois, o resto de seu corpo foi queimado. 

Legado
Hipátia nunca se casou e não teve filhos. Como a sua morte foi muito violenta, declarou-se então que havia chegado ao fim o período antigo da matemática grega. Por ter ousado a ser professora em uma época na qual as mulheres não podiam fazer quase nada, muito menos ter acesso ao conhecimento, sua trajetória torna-se uma inspiração até hoje.

Considerada a primeira mulher matemática da humanidade, ela ganhou um filme para contar a sua história: Alexandria, que estreou em 2009.

Fonte: Galileu Galilei

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