POVOS INDÍGENAS E HISTÓRIA DA ZONA DA MATA DE PE


PALAVRAS DE ORIGEM INDÍGENA EM PODCAST


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PALAVRAS DE ORIGEM INDÍGENA


Flávia Neves

Flávia Neves

Professora de Português

Existem diversas palavras de origem indígena no português falado atualmente. Há 200 línguas indígenas registradas no Brasil, sendo que 180 ainda são faladas atualmente. O Tupi é o tronco linguístico que engloba o maior número de línguas indígenas.

Quando da chegada dos colonizadores portugueses no Brasil, havia mais de mil línguas diferentes faladas pelas tribos indígenas que viviam no território brasileiro. Houve então um ensinamento lexical feito pelos índios aos portugueses, que desconheciam a fauna e flora brasileira. Assim, diversas palavras que indicam conceitos de fauna, flora e localidades têm uma origem indígena.

Nomes de fauna de origem indígena

  • araponga (do tupi wira-pónga)
  • arara (do tupi arára)
  • ariranha (do tupi ari’rana)
  • baiacu (do tupi wambaiakú)
  • capivara (do tupi kapii-wára)
  • chopim (do tupi xo’pi)
  • cupim (do tupi kupií)
  • cutia (do tupi akutí)
  • gambá (do tupi wa-ambá)
  • guará (do tupi awará)
  • irara (do tupi (e)i’rara)
  • jabiru (do tupi yambï’ru)
  • jabuti (do tupi iawotí)
  • jacaré (do tupi iakaré)
  • jararaca (do tupi iararáka)
  • jaú (do tupi ya’u)
  • jiboia (do tupi iuy-mbóia)
  • mamangaba (do tupi manga’nga)
  • maracanã (do tupi maraka’na)
  • perereca (do tupi pereréka)
  • piranha (do tupi pira-ãia)
  • pirarucu (do tupi pira-urukú)
  • poti (do tupi po’tĩ)
  • sabiá (do tupi sawiá)
  • sagui (do tupi sawín)
  • sariguê (do tupi sari’gwe)
  • saúva (do tupi ysaúwa)
  • siri (do tupi sirí)
  • suaçu (do tupi sïwa’su)
  • tamanduá (do tupi tamanduá)
  • tatuí (do tupi tatu’i)
  • traíra (do tupi tare’ïra)
  • tucano (do tupi tukána)
  • urubu (do tupi uru’wu)
  • urucum (do tupi uru’ku)
  • xororó (do tupi xoro’ro)

Nomes de flora de origem indígena

  • abacaxi (do tupi ywa-katí)
  • açaí (do tupi ywa-saí)
  • aipim (do tupi aipĩ)
  • amendoim (do tupi mandu’wi)
  • bacaba (do tupi ïwa’kawa)
  • bacupari (do tupi *ïwakupa’ri)
  • bacuri (do tupi ywa-kurí)
  • bocaiuva (do tupi mboka’ïwa)
  • buriti (do tupi *mbïrï’tï)
  • caatinga (do tupi kaa-tínga)
  • cajá (do tupi akaiá)
  • caju (do tupi akaiú)
  • capim (do tupi kapíi)
  • capoeira (do tupi ko’pwera)
  • cipó (do tupi ysypó)
  • cupuaçu (do tupi kupu-wasú)
  • inajá (do tupi ina’ya)
  • ipê (do tupi ypé)
  • jabuticaba (do tupi iawotikáwa)
  • jenipapo (do tupi iandypáwa)
  • jequitibá (do tupi yïkïtï’wa)
  • jerimum (do tupi yuru’mũ)
  • macaxeira (do tupi maka’xera)
  • mandioca (do tupi mandióka)
  • piaçaba (do tupi pïa’sawa)
  • pindaíba (do tupi pinda’ïwa)
  • piranga (do tupi pi’ranga)
  • pitanga (do tupi pytánga)
  • pitomba (do tupi pi’tomba)
  • pupunha (do tupi pu’puña)
  • samambaia (do tupi sama-mbái)
  • sapê (do tupi yasa’pe)
  • tapioca (do tupi typyóka)
  • tucumã (do tupi tuku’ma)
  • uvaia (do tupi ï’waya)

Outros nomes de origem indígena

  • arapuca (do tupi wira-púka)
  • biboca (do tupi ymby-mbóka)
  • caboclo (do tupi kara’iwa)
  • caipora (do tupi kaa-póra)
  • carioca (do tupi kariwóka)
  • catapora (do tupi tata-póra)
  • cumbuca (do tupi kui’mbuka)
  • curumim (do tupi kunumín)
  • curupira (do tupi kuru’pira)
  • guri (do tupi gwi’ri)
  • inhaca (do tupi yakwa)
  • jirau (do tupi yu’ra)
  • jururu (do tupi yuru-ru)
  • maniçoba (do tupi mandisówa)
  • mingau (do tupi minga’u)
  • nhe-nhe-nhem (do tupi nheeng-nheeng-nheeng)
  • paçoca (do tupi pasóka)
  • pajé (tupi pa’ye)
  • pereba (do tupi pe’rewa)
  • peteca (do tupi pe’teka)
  • pipoca (do tupi pipóka)
  • pororoca (do tupi poro’roka)
  • potiguar (do tupi potï’war)
  • saci (do tupi *sa’si)
  • suruba (do tupi suru’ba)
  • taba (do tupi ‘tawa)
  • tocaia (do tupi to’kaya)
  • tucupi (do tupi tiku’pir)
  • xará (do tupi xa’ra)

Nomes de localidades de origem indígena

  • Amapá
  • Copacabana
  • Curitiba
  • Goiás
  • Grajaú
  • Guanabara
  • Guarujá
  • Iguaçu
  • Ipanema
  • Ipiranga
  • Itapuã
  • Macapá
  • Maceió
  • Maranhão
  • Moji
  • Morumbi
  • Pará
  • Paraguai
  • Paraíba
  • Paraná
  • Pernambuco
  • Piauí
  • Piracicaba
  • Piraí
  • Piraíba
  • Sapucaí
  • Sergipe
  • Tietê
  • Tijuca
  • Ubatuba
  • Uruguai
  • Xingu

Nomes de pessoas de origem indígena

  • Anaí
  • Araci
  • Aruana
  • Iracema
  • Jaciara
  • Jacira
  • Janaína
  • Jandira
  • Juçara
  • Juraci
  • Jurandir
  • Jurema
  • Kaique
  • Kauã
  • Mayara
  • Moacir
  • Moema
  • Roani
  • Tainá
  • Ubirajara
  • Yara

Veja também: Palavras de origem árabe e Palavras de origem africana.Este conteúdo foi útil?SimNão

Flávia Neves

Flávia NevesProfessora de português, revisora e lexicógrafa nascida no Rio de Janeiro e licenciada pela Escola Superior de Educação do Porto, em Portugal (2005). Atua nas áreas da Didática e da Pedagogia.

DITADURA MILITAR E POPULAÇÕES INDÍGENAS


Brasil Doc.

Arquivo Digital

NAVEGAÇÃO

5. Ditadura militar e populações Indígenas

Heloisa Starling

Ainda hoje sabemos muito pouco sobre os crimes cometidos pela ditadura contra as populações indígenas. O mais importante documento de denúncia sobre esses crimes – o “Relatório Figueiredo” – foi produzido pelo próprio Estado brasileiro e ficou desaparecido durante 44 anos – durante todo esse período a informação oficial era a de que o Relatório havia sido destruído em um incêndio. A alegação não procede. O Relatório foi encontrado quase intacto, por pesquisadores independentes, em 2013, com 5 mil páginas e 29 tomos – das 7 mil páginas e 30 tomos que constavam da versão original. Para escrever seu relatório, encomendado pelo general Albuquerque Lima, ministro do Interior, com o objetivo de apurar práticas de corrupção no Serviço Nacional do Índio – o órgão indigenista oficial brasileiro que antecedeu à Fundação Nacional do Índio (FUNAI) –, o procurador geral Jader de Figueiredo Correia percorreu com sua equipe mais de 16 mil quilômetros, visitando 130 postos indígenas em todo o país.  

O resultado apresentado pelo procurador em seu Relatório é estarrecedor: matanças de tribos inteiras, torturas e toda sorte de crueldades foram cometidas contra indígenas no país, principalmente pelos grandes proprietários de terras e por agentes do Estado. Figueiredo fez um trabalho de apuração impressionante: incluiu relatos de dezenas de testemunhas, apresentou documentos e identificou cada uma das violações que encontrou – assassinatos de índios, prostituição de índias, sevícias, trabalho escravo, apropriação e desvio de recursos do patrimônio indígena. Ele também apurou as denúncias sobre a existência de caçadas humanas de indígenas feitas com metralhadoras e dinamite atiradas de aviões, as inoculações propositais de varíola em populações indígenas isoladas e as doações de açúcar misturado a estricnina.

Os militares tinham um projeto de desenvolvimento em grande escala que articulava o programa econômico concebido no IPES e as diretrizes de segurança interna desenvolvida pela ESG e que pretendia realizar a integração completa do território nacional. Isso incluía um ambicioso programa de colonização que implicava no deslocamento de quase um milhão de pessoas com o objetivo de ocupar estrategicamente a região amazônica, não deixar despovoado nenhum espaço do território nacional e tamponar a área de fronteiras. Para seu azar, as populações indígenas estavam posicionadas entre os militares e a realização do maior projeto estratégico de ocupação do território brasileiro. Pagaram um preço altíssimo em dor e quase foram exterminados por isso.

Os documentos disponíveis são: Relatório Figueiredo; vídeos.

Para saber mais

DAVIS, Shelton H. Vítimas do Milagre; o desenvolvimento e os índios do Brasil. São Paulo: Zahar, 1978;

MARTINS, Edilson. Nossos índios, nossos mortos. Rio de Janeiro: CODECRI, 1978;

HEMMING, John. Die If You Must: Brazilian Indians in the Twentieth Century. Londres: Macmillan, 2003. 03 volumes.

DIA INTERNACIONAL CONTRA A DISCRIMINAÇÃO RACIAL


✊ O Dia Internacional contra a Discriminação Racial é celebrado anualmente em 21 de março.

Esta é uma importante data que reforça a luta contra o preconceito racial em todo o mundo.

A luta contra a discriminação racial só começou a se intensificar no Brasil após a Constituição Federal de 1988, que incluía o crime de racismo como inafiançável e imprescritível.

A eliminação de qualquer tipo de discriminação é um dos pontos centrais da Declaração Universal das Nações Unidas:

“Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública” (Artigo I da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial).

ONG’s e instituições contra o preconceito racial organizam debates e outras atividades que auxiliem na tentativa de conscientizar a população a acabar com qualquer referência ao racismo e discriminação racial.

Infelizmente, ainda hoje o preconceito e discriminação racial é latente em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.

Quando se fala em “combate a discriminação racial” significa acabar com todos os tipos de intolerâncias relacionadas com a etnia ou cor de pele do indivíduo, seja ele negro, branco, índio, oriental e etc.

Fonte: calendarr.com