IV SEMINÁRIO DE SÍTIOS DE MEMÓRIA- 2021


FCJA realiza IV Seminário de Pesquisa e Documentação em Sítios de Memória

Entre novembro e dezembro deste ano, a Fundação Casa de José Américo (FCJA) promove a quarta edição do Seminário de Pesquisa e Documentação em Sítios de Memória, cujo tema de 2021 será Memórias Sensíveis: Modos e Meios de Narrar. Sob a coordenação do Memorial da Democracia da Paraíba, o evento acontece nos dias 18 e 25 novembro e 2 dezembro, das 9h às 11h30, pelo canal oficial da instituição no YouTube (FCJA Oficial).

O seminário será aberto pelo professor Renato Cymbalista, da Universidade de São Paulo (USP), que falará sobre “Democracia e os sítios de memória”. Logo depois, na mesa deste primeiro dia, será discutido o tema “Lugares de memórias difíceis: desafios e perspectivas das lutas pela democracia”, por nomes como Alane Lima (Memorial das Ligas Camponesas-PB); Marcelo Felix (Museu Casa Margarida Alves-PB); Lúcia Alencar (Memorial Frei Tito e Memorial da Resistência-CE); Anacleto Julião (Memorial das Ligas Camponesas do Brasil: Francisco Julião-PE); e Edival Nunes Cajá (Centro Cultural Manoel Lisboa-PE). A mediação ficará por conta da jornalista Sheila Raposo, Gerente Operacional de Gestão dos Órgãos Setoriais/ Memorial da Democracia.

O segundo dia do encontro virtual (25) tratará da temática “Educar para nunca mais? Os lugares de memória difícil como espaços de formação”, com as participações de Fabiana de Lima Sales (Museu da Abolição-PE); Aureli Alves de Alcântara (Memorial da Resistência-SP); Kátia Felipini (Núcleo de Preservação e Memória Política-SP); e Danilo Marques (Projeto República – UFMG e Memorial da Democracia – Instituto Lula-SP). A historiadora Suelen Andrade, coordenadora do projeto de implantação do Memorial da Democracia, mediará os convidados dessa mesa.

Na conclusão do seminário, no dia 2 de dezembro, teremos o tema “Patrimonialização e memorialização na (re)construção das narrativas oficiais”. Para debatê-lo, contaremos com Deborah Regina Leal Neves (Condephaat-SP); Lúcia Guerra (Memorial da Democracia da Paraíba); Rebeca Lopes (USP/Rebrapesc); e Mirela Araújo (Instituto Brasileiro de Museus-Ibram). A mesa será mediada pela socióloga Fernanda Rocha, também coordenadora do projeto de implantação do Memorial da Democracia.

Histórico – O Seminário de Pesquisa e Documentação em Sítios de Memória acontece desde 2018, sempre realizado pelo Memorial da Democracia da Paraíba – que é vinculado à Gerência de Documentação e Arquivo da FCJA. Nesse período, promoveu discussões e encontros importantes sobre as realidades de luta e resistência do povo brasileiro.

A primeira edição se destacou por evidenciar o Programa de Formação e Capacitação do Ibermuseos no Museo de la Memoria y los Derechos Humanos do Chile e o contexto histórico das Políticas Públicas de Memória no Brasil, além de promover uma roda de conversa sobre “Desenvolvimento da pesquisa nos sítios de memória”, criar a Rede Brasileira de Pesquisadores de Sítios de Memória e visitar o Memorial das Ligas e Lutas Camponesas de Sapé.

O segundo ano do evento trouxe o contexto paraibano, com a mesa redonda “Ações e perspectivas da luta pela Memória e Verdade na Paraíba e a Reunião da Rede de Educadores em Museus da Paraíba”. Já em seu terceiro ano, vivenciado dentro da realidade pandêmica, o evento migrou para uma estrutura digital, na qual promoveu debates sobre sítios de memória, palestras sobre bibliotecas memoriais e uma mesa redonda sobre Pensamento em Rede.

Direitos Humanos / Museu da Ditadura no Chile



Por que conhecer o Museo de la Memoria?

(por Bárbara Mussili)

O Palacio de La Moneda, sede do governo chileno, é um dos lugares mais visitados pelos turistas brasileiros. O interesse se deve à sua importância como prédio histórico, ao seu centro cultural, à sua localização no centro de Santiago e à tradicional troca de guarda. Mas nem todo mundo sabe a história que esse local guarda.

Em 11 de setembro de 1973, o palácio foi bombardeado pelo Exército em um episódio que culminou com a morte do presidente Salvador Allende e a instauração de uma ditadura que só terminou em 1990, após a votação de um plesbicito por uma reforma constitucional e o retorno à democracia.

Golpe de Estado_ 973

Fonte: Biblioteca del Congreso Nacional de Chile

O Museo de la Memoria y los Derechos Humanos é um local que conta esta história e, sobretudo, dignifica as pessoas que foram vítimas de tortura, desapareceram ou perderam suas vidas porque se manifestaram contra o regime.

Obviamente que lugares como este museu ou o Coliseu de Roma ou Auschwitz emocionam o turista-viajante. Mas por que é importante conhecer lugares como esses? Porque eles reservam mais que turismo. Reservam história.

Para tornar essa experiência mais interessante, as dicas da vez são de literatura: três livros de escritores chilenos para conhecer este período da história chilena.

A casa dos espíritos – Isabel Allende

Isabel Allende
Capa A casa dos espíritos

Isabel quase dispensa apresentações, mas não, ela não é filha de Salvador Allende. Seu pai era primo dele. A escritora era jornalista no Chile quando aconteceu o golpe e se auto-exilou na Venezuela quando começou a ditadura. De lá, em 1982, publicou este romance sobre várias gerações da Família Trueba, passando por acontecimentos baseados nos fatos reais deste episódio da história. O livro é best-seller internacional e já rendeu até um filme com Meryl Streep. A escrita de Allende emociona e seus personagens são apaixonantes.

Formas de voltar para casa – Alejandro Zambra

Alejandro Zamba Penguin Random House Beowulf Sheehan
Capa Formas de Voltar para Casa

Zambra era uma criança quando a ditadura chegou aos seus últimos anos. Mesmo assim, marcou sua vida e seu relacionamento familiar. A abordagem do autor mostra que nem todos se afetavam da mesma forma com o que acontecia na época. Zambra é menos conhecido que Allende no Brasil, mas é um representante de peso da literatura contemporânea chilena. O livro foi traduzido para o português em 2014. São memórias com uma narrativa elaborada e comovente.

La dimensión desconocida – Nona Fernández

Nona Fernandez
Capa La dimensión desconocida

Esta dica vai para quem quer treinar o espanhol. Infelizmente, Nona ainda não foi traduzida para o português, mas sua obra, de 2016, ganhou o prêmio latino-americano Sor Juana Inez de la Cruz. Nona faz uma relação da sua adolescência com a ditadura. Já adulta, ela investiga um fato verídico, de um agente secreto que confessou sua participação em casos de torturas. Visitando o próprio Museo de la Memoria, a escritora reconstrói algumas histórias e descobre essa dimensão desconhecida, fazendo referência à serie de televisão The Twilight Zone. Uma narrativa muito inteligente e que permite ao leitor reconhecer vários locais e elementos atuais no romance.

Fonte: Museu da Memória dos Direitos Humanos no Chile

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