O SERTÃO DO PAJEÚ| TERRA DA POESIA


Os poetas analfabetos do sertão que foram parar sem querer no YouTube e viraram sucesso na internet

  • Vitor Tavares
  • Da BBC News Brasil em São Paulo

O mundo do agricultor Leonardo Bastião se resume ao sítio onde mora, na zona rural de Itapetim, no sertão do Pajeú pernambucano. De lá, ele quase nunca sai. E, desse universo, tira a inspiração para fazer poesia:

“A sombra que me acompanha/ Não é a que me socorre/ Se eu andar, ela anda/ Se eu correr, ela corre/ E é mais feliz do que eu/ Não adoece nem morre”

Só que Bastião, de 74 anos, não sabe ler nem escrever. Palavras, rimas e métricas brotam na cabeça, no improviso. Mas décadas de composição da poesia popular repentista – inspirada pela caatinga, pelos problemas de alcoolismo, pelo sexo, pelo solo castigado, pela seca, pelos bichos – nunca ganharam qualquer registro.

Pelo menos, era assim até 2008. Foi nessa época que o comerciante Bernardo Ferreira, de 57 anos, nascido no sítio vizinho ao de Bastião, comprou uma câmera em São Paulo e começou a filmar a vida da pacata Itapetim, de 14 mil habitantes, e o que saía da cabeça e da boca de Bastião e de outros poetas desse pedaço de sertão.Pule YouTube post, 1https://www.youtube.com/embed/kPv2CW8DCRQ?feature=oembedLegenda do vídeo,Alerta: Conteúdo de terceiros pode conter publicidade

Como a única rede social que Ferreira conhecia era o Orkut, foi lá que postou um vídeo do poeta Bastião. O registro bombou, mas desagradou o artista, que não queria aparecer.

Ferreira pediu perdão, mas continuou gravando. Conta que queria agora guardar os vídeos para si, fazer um arquivo para poder acessá-los no futuro. Foi quando ouviu falar de “um tal de YouTube”.

“Me falaram que era na internet, que eu abria uma conta, ficava com uma senha como a de banco e, quando quisesse ver, era só entrar lá. Eu não sabia que os vídeos estavam sendo expostos pro resto do mundo”, disse Ferreira à BBC News Brasil.

Bastião e um jumento gravados por uma câmera
Legenda da foto,Os vídeos amadores de Bastião receberam milhares de visualizações no YouTube, e documentário conquistou prêmio no exterior

Alguns dos vídeos começaram a receber milhares de visualizações sem que ninguém se desse conta disso durante cinco anos. Mesmo sem título, descrição, thumbnail e outras configurações que os profissionais aprendem, um mar de gente interessada no sertão e nos poetas iletrados foi chegando, comentando, compartilhando…

“Eu só colocava os números ‘1, 2, 3’ [no título], não sei como descobriram.”

Foi só em 2013 que Jefferson Sousa, de 25 anos, filho de Ferreira, percebeu o que estava acontecendo. Ele acessou o email no novo smartphone do pai e ficou impressionado com o que viu: “Tinha 3 mil emails não lidos, dizendo ‘fulano’ comentou… Foi quando fui olhar o que era e tinha 200 mil visualizações mensais”, conta.

Hoje, o canal de Ferreira, batizado de Bisaco do Doido, tem 32 mil inscritos e acumula mais de 14 milhões de visualizações. Um documentário sobre Leonardo Bastião, o poeta que fez mais sucesso no canal, foi produzido e dirigido por Jefferson e ganhou o mundo.

“O poeta analfabeto” já foi exibido em festivais de cinco países, como Rússia, França, Índia e Bósnia, onde ganhou na categoria “melhor roteiro”. No último dia 28 de setembro, o filme foi exibido em praça pública, em Itapetim.

Bastião assistiu em pé, ao lado de Jefferson e Ferreira, e foi tietado pelo público que foi ver a história dele no telão. A prefeitura da cidade reproduziu versos do poeta em alguns prédios públicos.

Bastião posa ao lado de seu poema registrado em um muro
Legenda da foto,Versos de Bastião foram parar em muros de prédios de Itapetim

Documentar a história

Nas gravações, Bastião aparece dizendo que não se considera poeta. Diz que a poesia que faz é fácil e que pega apenas “carona” nas coisas da natureza, feitas por Deus. Assim como ele, há outros poetas declamando ou cantando repente em sítios, bares e praças na região. Uma cultura passada de geração para geração na base da oralidade.

Ferreira afirma que queria dar uma nova dimensão à arte que considera tão importante e representativa da sua região. Hoje conselheiro tutelar, já foi dono de loja de discos de vinil e vendia cópias de filmes e CDs, com a chegada dos computadores. Era como se levasse a cultura para dentro de Itapetim. Agora, leva de lá para fora.

“Aqui tem e tiveram muitos poetas que, com tempo, ficaram sem nenhum registro. A poesia deles só segue adiante quando um decora e sai falando por aí. Eu queria era registrar e ficar guardado, como fotos antigas, que as pessoas olham e reconhecem os traços na geração da nova da família”, explica Ferreira.

Bastião declama poesia em sua casa
Legenda da foto,Vídeos amadores são gravados na casa de Bastião e no meio da caatinga

Se passa um dia sem postar um vídeo, o dono do Bisaco do Doido diz que, provavelmente, está doente. Quando Ferreira sabe de alguém que está declamando poesia nos sítios, ele vai atrás para filmar: “Eu vou nas brenhas mesmo. Tem poeta que não sabe nem o que é celular, muito menos internet.”

Jefferson, que se formou em jornalismo no Recife, até tentou dar umas dicas para o pai “profissionalizar” o canal. Mas logo percebeu que não fazia sentido. “Queria organizar, mas vi que isso ia mudar quem ele era. Ele conquistou o público do jeito dele, desse modo artesanal, então ia mudar essa originalidade”.

O documentarista diz que o retorno financeiro é pouco, mas já paga o emplacamento anual do carro do pai. O computador segue com mais de 20 gigabytes de arquivos de vídeos não publicados.

Com toda a repercussão do Bisaco, mais pessoas foram procurá-lo, e eventos de cultura popular passaram a ser organizados na região. Alguns artistas famosos do Nordeste e turistas chegam a procurar Bastião no seu sítio.

E a visibilidade do canal reverberou também na esfera pública. De acordo com o secretário de Cultura de Itapetim, Alisson Alves, dos turistas que buscam a cidade, muitos chegam até lá porque viram as atrações e histórias no Bisaco do Doido.

Jefferson Sousa e Bastião posam pra foto
Legenda da foto,Jefferson Sousa e Bastião no dia em que o documentário foi exibido em praça pública, em Itapetim

“Todo mundo aqui que teve algum tipo de repercussão passou pelas câmeras dele. Não só Bastião, mas a igreja matriz, as pinturas rupestres”, conta. Alves também destaca a realização de eventos culturais na cidade, impulsionados pelo que os vídeos amadores mostram.

“Fiquei muito surpreso e muito grato com isso tudo, porque é povo de uma cidade tão pequena e escondida que está sendo visto pelo mundo. As redes sociais abriram a porta para que vejam como essa região é rica”, conta Ferreira. O poeta Bastião, entretanto, não costuma ser muito receptivo a visitantes desconhecidos e se recusa a dar entrevistas.

No fim de 2018, após uma proposta de um empresário paraibano e com o impulso da divulgação de Ferreira e Jefferson, foi publicado um livro com mais de 200 versos de Bastião, Minha Herança de Matuto (Grupo Claudino), com uma tiragem de 1000 exemplares. A renda foi toda para o poeta e usada para reconstruir a sua casa, que havia desmoronado.

Quando Jefferson foi gravar o documentário, já em 2019, Bastião já se enxergava mais como artista. Mas não quis falar seus versos – na verdade, preferiu falar da vida e suas tristezas.

“Ele estava mais introspectivo e foi uma relação mais pessoal. Ele ficou muito próximo da minha família, do meu pai, minha mãe, e assim pude entender mais a relação dele com a natureza e o universo dele e como ele enxerga ‘o pingo da água na folha que a abelha bebeu’, que a gente, na correria, nem percebe”, relata.

A poesia e o Pajeú

No Pajeú, há tantos poetas que, reza a lenda, quem bebe da água do rio que batiza a região sai fazendo música e poesia por aí. A área formada por 17 cidades é famosa em Pernambuco por ser berço de diversos artistas de poesia popular como Lourival Batista, o “Louro do Pajeú” ou ainda “o rei do trocadilho”.

Um dos pioneiros em documentar a poesia da região, o professor de filosofia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Marcos Nunes, em seu último levantamento, catalogou 270 poetas só em Itapetim.

Apesar de não ter uma explicação exata para o fenômeno, Nunes diz que a mais aceita é que seja uma consequência da história do colonização do Nordeste brasileiro. Esse modelo de poesia cantada, de cancioneiro, no improviso, tem suas raízes nos aedos gregos – os poetas antes da invenção do alfabeto – e na chegada dos mouros à Península Ibérica, onde hoje estão Espanha e Portugal.

“Com a descoberta do Brasil, foi aí que tivemos a chegada desses cantadores no litoral. Com as perseguições, parte desse pessoal entra no território e vai parar na ‘cabeça’ do Pajeú, na Paraíba”, explica Nunes, autor dos livros Itapetim: Cidade das Pedras Soltas (editoras CEHM/Fidem/Condepe) e Itapetim, Ventre Imortal da Poesia (editoras CEHM/Fidem/Condepe/Cepe).

O primeiro cantador de viola de que se tem notícia no Brasil é Agostinho Nunes da Costa, filho de João Nunes da Costa, um judeu que veio da Galícia para o Recife nas primeiras décadas do século 18. Cristão novo, ele foi perseguido e foi morar em João Pessoa e continuou fugindo até parar numa fazenda onde iria começar o núcleo populacional da atual cidade de Teixeira, na Paraíba.

O pesquisador relata até um roteiro geográfico da poesia: de Teixeira, que fica na divisa com Pernambuco, descendo junto ao leito do rio. Resultado: quanto mais distante da “cabeça” do rio Pajeú, menos poetas. Itapetim é o primeiro município nessa rota.

CRÉDITO,JEFFERSON SOUSA/ARQUIVO PESSOALLegenda da foto,

Com o livro produzido com a ajuda de Jefferson (direita) e Bernardo Ferreira (esquerda), Bastião conseguiu reformar a casa

Segundo Ferreira, nas ruas da cidade, não é preciso marcar hora para encontrar uma poeta: “A poesia brota como uma cacimba que brota água”. Numa região onde as pessoas conhecem a história pela poesia não registrada em papel, os vídeos, o livro e o documentário são enxergados como uma forma de sedimentar uma cultura única e extremamente rica.

“A diferença para os poetas letrados é que esses não têm de fato tanto vocabulário e cultura. Mas muitas vezes parece que o poeta letrado é muito mecânico. Quando vem desse povo simples, é de coração, de sentimento”, opina Nobre.

E Ferreira completa: “Quem não é poeta aqui, é doido. E eu sou um doido que documenta tudo isso”.

Em um dos vídeos que fizeram sucesso no Bisaco do Doido (acima), Bastião está no seu sítio, com o inseparável chápeu, e faz versos sobre a sua história e a “herança” que recebeu do pai:

Nasci na casa atrasada

Sou filho de Luisinho Bastião

Fiz muitas letras no chão

Mas o lápis era a enxada

E morreu à míngua, sem nada

E minha herança foi assim

Meio quadro de terra ruim

Que ainda hoje eu defendo

E nem abandono nem vendo

O que pai deixou pra mim

(Leonardo Bastião)

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NOEL ROSA, O POETA DA VILA


Noel Rosa – A saúde frágil e a morte prematura

FILME: “Noel, o poeta da Vila” (de Ricardo van Steen)
“Noel: (Tosse) Eu estou mal doutor. É uma ressaca muito forte.
Médico: Calma, Noel. Você precisa descansar bastante. Tome esse remédio aqui. Você vai ver: não há de ser nada”.
Essa interpretação de diálogo entre Noel Rosa e seu médico Edgar Mello está no filme “Noel, o poeta da Vila”, de Ricardo van Steen. É o momento em que o compositor começa a se dar conta de que está com a saúde muita abalada para a sua pouca idade.
As travessuras da infância evoluíram para uma intensa boemia no fim da adolescência: o álcool, o cigarro e as noites insones já deixavam marcas profundas em seu organismo aos 20 anos de idade.
Com o sucesso de suas músicas, Noel tornou-se ainda mais requisitado. O “poeta da Vila” tinha, então, que dividir o tempo dedicado às amantes, aos cabarés, aos botequins e aos amigos do morro com uma série de outros compromissos nem sempre interessantes, como shows, entrevistas e o casamento forçado com Lindaura.
MÚSICO: “Filosofia” (Noel Rosa, com Chico Buarque)
“O mundo me condena e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome.
Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim…”
A tosse já acompanhava Noel há algum tempo. Em seguida, veio a febre e ele começou a perder peso de forma mais acentuada. Mesmo assim, não se cuidava nem abandonava as noitadas pela madrugada afora.
O primeiro grande alerta veio em 1934, durante um show que ele fazia no Cine Grajaú, bem perto de Vila Isabel. Noel, com apenas 23 anos de idade, desmaiou em pleno palco. Sob pressão da mãe, ele concordou em fazer alguns exames. E o diagnóstico não foi nada animador.
FILME: “Noel, o poeta da Vila” (de Ricardo van Steen)
“Médico: Infelizmente, as notícias não são muito boas. Eu constatei uma lesão grave no pulmão esquerdo e há qualquer coisa no direito também.
Mãe: Grave?
Médico: Tuberculose! Mas é possível administrar essa doença, Noel. O tratamento da turberculose evoluiu muito nos últimos anos. Dá até para levar uma vida normal.
Mãe: Tem cura, doutor?
Médico: Ele vai ter que tomar muito cuidado, se quiser continuar vivo”.
A atenção e os esforços da mãe Martha e da mulher Lindaura foram fundamentais para ajudar Noel Rosa a recuperar as forças.
Ele passou uma temporada em Belo Horizonte, em busca dos efeitos curativos do clima de montanha da capital mineira. Mas assim que se viu um pouco recuperado, voltou a cair na boemia e até escreveu uma carta bem-humorada ao seu médico Edgar, que, anos mais tarde, foi musicada pelo sambista João Nogueira.
MÚSICA: “Ao meu amigo Edgar” (Noel Rosa e João Nogueira)
“Deu resultado comum o meu exame de urina
Meu sangue 91 por cento de hemoglobina
Creio que fiz muito mal em desprezar o cigarro
Pois não há material pro meu exame de escarro…”
Mas a tuberculose era impiedosa, na época. Após outra crise de saúde, Noel foi levado para Nova Friburgo, na região serrana do Rio. Na verdade, ele pressentia que não duraria muito tempo e algumas de suas músicas refletiam bem esse sentimento. Uma delas é “Último desejo”, que tem força de testamento e de despedida de seu grande amor, Ceci.
MÚSICA: “Último desejo” (de Noel Rosa, com Aracy de Almeida)
“Nosso amor que eu não esqueço
E que teve o seu começo numa festa de São João
Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete
Sem luar, sem violão.
Perto de você me calo
Tudo penso e nada falo
Tenho medo de chorar.
Nunca mais quero o seu beijo,
Mas meu último desejo você não pode negar…”
O jornalista João Máximo, biógrafo de Noel, diz que esse samba-canção para Ceci “fala não só de um amor que se extingue, mas também de uma vida que perde o seu sopro”.
“É uma curta vida. Ele morreu muito jovem, e mal pôde ter o direito de dizer assim: ´eu sou um cara experiente´. Ele era experiente porque era inteligente e sensível, mas a sua vivência, no campo do amor, foi limitada a esses 26 anos, dos quais três, ele passa muito doente, tentando sobreviver”.
A última tentativa de se recuperar foi em Piraí, no sul do estado do Rio. Lá, ele e a mulher Lindaura ficaram hospedados em uma pensão durante pouco mais de uma semana, mas seu estado de saúde voltou a piorar.
FILME: “Noel, o poeta da Vila” (de Ricardo van Steen)
“Vozes em bar: …
Áudio de rádio: “E as notícias do interior não são boas. Consta que o ´filósofo do samba´, Noel Rosa, está em estado crítico devido a uma forte hemoptise sofrida essa noite. Mais informações no próximo noticiário. Voltamos a nossa programação musical depois dos comerciais”.
A hemoptise, que significa expelir sangue ao tossir, mostrava que a turberculose já havia tomado posse dos pulmões de Noel de maneira irreversível.
Ele voltou para casa, em Vila Isabel, mas não resistiria muito. Noel Rosa morreu no fim da noite do dia 4 de maio de 1937, aos 26 anos de idade.
MÚSICA: “Silêncio de um minuto” (de Noel Rosa, com Maria Bethania)
“Não te vejo e não te escuto
O meu samba está de luto
Eu peço o silêncio de um minuto
Homenagem à história
De um amor cheio de glória
Que me pesa na memória…”
O escritor e jornalista Jorge Caldeira, autor do livro “A construção do samba”, lembra que, apesar da comoção geral, a família e os amigos de Noel cumpriram o seu desejo de um enterro “sem choro nem vela”.
“A casa onde ele foi velado, em Vila Isabel, na rua Teodoro da Silva, foi invadida por uma multidão, que cantou, bebeu e levou o morto ao cemitério com uma festa de música, como, aliás, estava na letra de ´Fita amarela´: “Quando eu morrer / não quero choro nem vela / quero uma fita amarela / gravada com o nome dela / … / com uma mulata sambando no meu caixão´. Então, foi uma grande cerimônia pagã, popular de entronização do Noel no além. Noel, de fato, conseguiu ali reunir toda a cidade, simbolicamente, em torno da figura dele, que era o projeto da música que ele tinha na cabeça”.
MÚSICA: “Fita amarela” (Noel Rosa, com MPB 4)
“Quando eu morrer, não quero choro nem vela
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela
Não quero flores nem coroa de espinhos
Só quero choro de flauta, violão e cavaquinho, ô…”


De Brasília, José Carlos Oliveira

Fonte: Câmara Legis