SÉRGIO MORO POR CORONEL SIQUEIRA


Engana-se quem diz que nosso Ícaro de Maringá não dá mais grandes contribuições para o Brasil

Desde a descoberta do Brasil, há mais de cinco séculos, nosso país teve que lidar com um grande problema: a corrupção. Infelizmente haviam petistas infiltrados nas naus de Cabral, que ensinaram aos indígenas coisas erradas: ideologia de gênero, método Paulo Freire, politicamente correto, etc…

E como aqui em se plantando tudo dá, o hábito da corrupção cresceu e se espalhou como erva daninha. É claro que não me refiro às pequenas corrupções do dia a dia — uma propina aqui, a compra de reeleição ali, uma fila dupla acolá… Esses são direitos do patriota. Estou falando da corrupção dos políticos (de esquerda).

Houve luta contra essa chaga? Sim. Durante os governos militares, por exemplo, não existia corrupção. Nos governos tucanos também não. Mas aí chegaram os petistas e reacenderam a dormente chama da imoralidade em nosso solo.

Tudo começou com o mensalão. Eram 24 horas por dia nas rádios, nos jornais, na televisão, nas revistas. Eu passava pelas bancas e só via a cara do Lula nas capas. Lula presidiário, Lula de cabeça cortada, Lula derretendo, Lula sangrando. Eu ligava a TV e via aqueles canos de esgoto com a estrelinha do PT, o Lula, a Dilma, o Lula de novo, a Dilma de novo, o Zé Dirceu, o Genoíno, o cano de esgoto… Isso foi me hipnotizando até que eu explodi e me transformei num zumbi cheio de fúria e medo, pronto para lutar contra a maior chaga que já aconteceu na face da terra desde o meteoro que dizimou os dinossauros: a corrupção Comuno-petista!

A Lava Jato chegou para lavar a alma do patriota… Desde os gloriosos anos de chumbo que eu não via a lei brasileira ser violada desta forma. Era incrível!

Mas o que fazer? Se metade de mim era ódio, a outra metade era impotência… Se o inimigo era gigante, também precisávamos de um herói igualmente grande. E eu já não tinha mais esperanças…

Até que ele apareceu.

Dos rincões esquecidos do Paraná, veio a luz. Não parecia ser uma pessoa muito brilhante, não era simpático, não tinha grandes ideias, grande cultura, nada. O que importava é que, desde o primeiro momento, aquele juiz com pinta de concurseiro deixou claro que ia fazer de tudo para acabar com a corrupção no nosso País, mesmo que para isso tivesse que usar métodos ainda mais corruptos.

A Lava Jato chegou para lavar a alma do patriota… Desde os gloriosos anos de chumbo que eu não via a lei brasileira ser violada desta forma. Era incrível!

Ferrari de Ouro? É verdade. Friboi do Lulinha? Verdade também. Lula estava no avião que soltou a bomba de Hiroshima? Claro. A Dilma tinha ligações com os atentados às Torres Gêmeas? Sim! Quem bateu o primeiro prego na mão de Jesus Cristo? Foi o Zé Dirceu!

A mídia adorava. Jornalistas com décadas de experiência se converteram em cheerleaders, todos juntos no sonho maior de ver o Lula preso. Agora o Brasil tinha um herói à altura de seu maior vilão.Leia também:Uma escolha muito difícil, por Coronel SiqueiraCoronel Siqueira: criando filhos patriotasManifesto do cidadão de bem, por Coronel Siqueira

E assim, o grande Sérgio Moro foi construindo seu nome na história, sempre um passo à frente do Lula. Eu imaginava ele todos os dias chegando no trabalho, com aquele paletó preto, camisa preta, gravata preta, indo para um tabuleiro de xadrez e estudando os próximos passos do oponente para lhe dar uma encurralada. Um verdadeiro enxadrista!

Foram muitas jogadas até o xeque-mate: Lula preso. Qualquer efeito colateral seria pouco. Destruir a indústria de construção civil? Transformar o judiciário brasileiro num chiqueiro? Acabar com cinco milhões de empregos? Transformar o Brasil num lamaçal miliciano? Isso são apenas detalhes. O fato é que Lula ia vencer as eleições de 2018, e alguém tinha que impedir isso.

O resto da história a gente já conhece. Bolsonaro venceu as eleições e, num ato de gratidão, chamou Moro para ser seu “super ministro”. Agora era só pensar nos próximos passos. STF? A presidência? Nenhum sonho era grande demais para o nosso herói.

Tudo deveria estar perfeito, mas algo havia se perdido. No governo, sua chama já não brilhava como antes. Os holofotes já não eram só dele. Agora ele era apenas mais um, disputando espaço com Damares , Alvim, Weintraub, Salles… numa espécie de Escolinha do Professor Raimundo do mundo bizarro.

Sua passagem pelo ministério foi tão excitante quanto almoçar um pacote de biscoitos água e sal. Houve momentos inesquecíveis, claro, como a vez que ele mandou prender uns punks em Belém ou sua tentativa de emplacar a “Lei Anti-Crime”, uma lei que ia proibir os criminosos de cometerem crimes. Como ninguém pensou nisso antes?

Tudo ia caminhando suavemente até que hackearam os telefones da turminha da Lava Jato. Foi o início do melancólico fim do nosso super-homem. Nosso Ícaro de Maringá achou que ia voar até o sol, mas acabou seus dias no fundo do mar.

Odiado pela esquerda e abandonado pela direita, Moro virou aquele cara chato da sala que ninguém quer ficar perto. A imprensa agora passa reto. O STF finge que nunca apoiou. A direita muda de assunto quando o nome dele vem à tona. Um fim triste, sem dúvida.

Mas engana-se quem diz que Moro não dá mais grandes contribuições para o Brasil. Ele tem servido diariamente como munição para humoristas que imitam sua sinuosa voz, seu jeito de classe média caipira e suas palavras inventadas… “Conje”, “Colheita de provas”, “Edite Piá”… Pelo menos essa alegria ele deixa para o povo brasileiro!

Fonte: Carta Capital

JORNAL FRANCÊS DETONA A LAVA-JATO


O MAL EM NOME DO BEM

Jornal francês mostra como os EUA usaram a “lava jato” para seus próprios fins

O que começou como a “maior operação contra a corrupção do mundo” e degenerou no “maior escândalo judicial do planeta” na verdade não passou de uma estratégia bem-sucedida dos Estados Unidos para minar a autonomia geopolítica brasileira e acabar com a ameaça representada pelo crescimento de empresas que colocariam em risco seus próprios interesses.DivulgaçãoA “força-tarefa” da “lava jato” no Paraná: combate à corrupção ou peões dos EUA?

A história foi resgatada em uma reportagem do jornal francês Le Monde Diplomatique deste sábado (10/4), assinada por Nicolas Bourcier e Gaspard Estrada, diretor-executivo do Observatório Político da América Latina e do Caribe (Opalc) da universidade Sciences Po de Paris.

Tudo começou em 2007, durante o governo de George W. Bush. As autoridades norte-americanas estavam incomodadas pela falta de cooperação dos diplomatas brasileiros com seu programa de combate ao terrorismo. O Itamaraty, na época, não estava disposto a embarcar na histeria dos EUA com o assunto.

Para contornar o desinteresse oficial, a embaixada dos EUA no Brasil passou a investir na tentativa de criar um grupo de experts locais, simpáticos aos seus interesses e dispostos a aprender seus métodos, “sem parecer peões” num jogo, segundo constava em um telegrama do embaixador Clifford Sobel a que o Le Monde teve acesso.Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilSergio Moro aprendeu os métodos norte-americanos de defender os interesses norte-americanos fora dos EUA

Assim, naquele ano, Sergio Moro foi convidado a participar de um encontro, financiado pelo departamento de estado dos EUA, seu órgão de relações exteriores. O convite foi aceito. Na ocasião, fez contato com diversos representantes do FBI, do Departament of Justice (DOJ) e do próprio Departamento de Estado dos EUA (equivalente ao Itamaraty).

Para aproveitar a dianteira obtida, os EUA foram além e criaram um posto de “conselheiro jurídico” na embaixada brasileira, que ficou a cargo de Karine Moreno-Taxman, especialista em combate à lavagem de dinheiro e ao terrorismo.

Por meio do “projeto Pontes”, os EUA garantiram a disseminação de seus métodos, que consistem na criação de grupos de trabalho anticorrupção, aplicação de sua doutrina jurídica (principalmente o sistema de recompensa para as delações), e o compartilhamento “informal” de informações sobre os processos, ou seja, fora dos canais oficiais. Qualquer semelhança com a “lava jato” não é mera coincidência.

Em 2009, dois anos depois, Moreno-Taxman foi convidada a falar na conferência anual dos agentes da Polícia Federal brasileira, em Fortaleza. Diante de mais de 500 profissionais, a norte-americana ensinou os brasileiros a fazer o que os EUA queriam: “Em casos de corrupção, é preciso ir atrás do ‘rei’ de maneira sistemática e constante, para derrubá-lo.”

“Para que o Judiciário possa condenar alguém por corrupção, é preciso que o povo odeie essa pessoa”, afirmou depois, sendo mais explícita. “A sociedade deve sentir que ele realmente abusou de seu cargo e exigir sua condenação”, completou, para não deixar dúvidas.

O nome do então presidente Lula não foi citado nenhuma vez, mas, segundo os autores da reportagem, estava na cabeça de todos os presentes: na época, o escândalo do “Mensalão” ocupava os noticiários do país.

Semente plantada
O PT não viu o monstro que estava sendo criado, prosseguem os autores. As autoridades estrangeiras, com destaque para um grupo anticorrupção da OCDE, amplamente influenciado pelos EUA, começaram a pressionar o país por leis mais duras de combate à corrupção.

Nesse contexto, Moro foi nomeado, em 2012, para integrar o gabinete de Rosa Weber, recém indicada para o Supremo Tribunal Federal. Oriunda da Justiça do Trabalho, a ministra precisava de auxiliares com expertise criminal para auxiliá-la no julgamento. Moro, então, foi um dos responsáveis pelo polêmico voto defendendo “flexibilizar” a necessidade de provas em casos de corrupção.

“Nos delitos de poder, quanto maior o poder ostentado pelo criminoso, maior a facilidade de esconder o ilícito. Esquemas velados, distribuição de documentos, aliciamento de testemunhas. Disso decorre a maior elasticidade na admissão da prova de acusação”, afirmou a ministra em seu voto.

O precedente foi levado ao pé da letra pelo juiz e pelos procuradores da “lava jato” anos depois, para acusar e condenar o ex-presidente Lula no caso do tríplex.

Em 2013, a pressão internacional fez efeito, e o Congresso brasileiro começou a votar a lei anticorrupção. Para não fazer feio diante da comunidade internacional, os parlamentares acabaram incorporando mecanismos previstos no Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), uma lei que permite que os EUA investiguem e punam fatos ocorridos em outros países. Para especialistas, ela é instrumento de exercício de poder econômico e político dos norte-americanos no mundo.

Em novembro daquele mesmo ano, o procurador geral adjunto do DOJ norte-americano, James Cole, anunciou que o chefe da unidade do FCPA viria imediatamente para o Brasil, com o intuito de “instruir procuradores brasileiros” sobre as aplicações do FCPA.ReproduçãoSem apoio parlamentar e castigada pela opinião pública, Dilma Rousseff deu aval a medidas que acabariam com os planos do PT

A nova norma preocupou juristas já na época. O Le Monde cita uma nota de Jones Day prevendo que a lei anticorrupção traria efeitos deletérios para a Justiça brasileira. Ele destacou o caráter “imprevisível e contraditório” da lei e a ausência de procedimentos de controle. Segundo o documento, “qualquer membro do Ministério Público pode abrir uma investigação em função de suas próprias convicções, com reduzidas possibilidades de ser impedido por uma autoridade superior”.

Dilma Rousseff, já presidente à época, preferiu não dar razões para mais críticas ao seu governo, que só aumentavam, e sancionou a lei, apesar dos alertas. 

Em 29 de janeiro de 2014, a lei entrou em vigor. Em 17 de março, o procurador-geral da República da época, Rodrigo Janot, chancelou a criação da “força-tarefa” da “lava jato”. Desde seu surgimento, o grupo atraiu a atenção da imprensa, narra o jornal. “A orquestração das prisões e o ritmo da atuação do Ministério Público e de Moro transformaram a operação em uma verdadeira novela político-judicial sem precedentes”, afirmam Bourcier e Estrada.

Lição aprendida
No mesmo momento, a administração de Barack Obama nos EUA dava mostras de seu trabalho para ampliar a aplicação do FCPA e aumentar a jurisdição dos EUA no mundo. Leslie Caldwell, procuradora-adjunta do DOJ, afirmou em uma palestra em novembro de 2014: “A luta contra a corrupção estrangeira não é um serviço que nós prestamos à comunidade internacional, mas sim uma medida de fiscalização necessária para proteger nossos próprios interesses em questões de segurança nacional e o das nossas empresas, para que sejam competitivas globalmente.”

O que mais preocupava os EUA era a autonomia da política externa brasileira e a ascensão do país como uma potência econômica e geopolítica regional na América do Sul e na África, para onde as empreiteiras brasileiras Odebrecht, Camargo Corrêa e OAS começavam a expandir seus negócios (impulsionadas pelo plano de criação dos “campeões nacionais” patrocinado pelo BNDES, banco estatal de fomento empresarial).

“Se acrescentarmos a isso as relações entre Obama e Lula, que se deterioravam, e um aparelho do PT que desconfiava do vizinho norte-americano, podemos dizer que tivemos muito trabalho para endireitar os rumos”, afirmou ao Le Monde um ex-membro do DOJ encarregado da relação com os latino-americanos.

A tarefa ficou ainda mais difícil depois que Edward Snowden mostrou que a NSA (agência de segurança dos EUA) espionava a presidente Dilma Rousseff e a Petrobras, o que esfriou ainda mais a relação entre Brasília e Washington.

Vários dispositivos de influência foram então ativados. Em 2015, os procuradores brasileiros, para dar mostras de boa vontade para com os norte-americanos, organizaram uma reunião secreta para colocá-los a par das investigações da “lava jato” no país. 

Eles entregaram tudo o que os americanos precisavam para detonar os planos de autonomia geopolítica brasileiros, cobrando um preço vergonhoso: que parte do dinheiro recuperado pela aplicação do FCPA voltasse para o Brasil, especificamente para um fundo gerido pela própria “lava jato”. Os americanos, obviamente, aceitaram a proposta.Agência BrasilDilma empossa Lula como ministro da Casa Civil, antes da divulgação ilegal de grampo ilegal de telefonema entre os dois

A crise perfeita
Vendo seu apoio parlamentar derreter, em 2015 Dilma decidiu chamar Lula para compor seu governo, uma manobra derradeira para tentar salvar sua coalizão de governo, conforme classificou o jornal. Foi quando o escândalo explodiu: Moro autorizou a divulgação ilegal da interceptação ilegal de um telefonema entre Lula e Dilma, informando a Globo, no que veio a cimentar o clima político para a posterior deposição da presidente em um processo de impeachment. Moro, depois, pediu escusas pela série de ilegalidades, e o caso ficou por isso mesmo.

Os EUA estavam de olho nas turbulências. Leslie Backshies, chefe da unidade internacional do FBI e encarregada, a partir de 2014, de ajudar a “lava jato” no país, afirmou que “os agentes devem estar cientes de todas as ramificações políticas potenciais desses casos, de como casos de corrupção internacional podem ter efeitos importantes e influenciar as eleições e cenário econômico”. “Além de conversas regulares de negócios, os supervisores do FBI se reúnem trimestralmente com os advogados do DoJ para revisar possíveis processos judiciais e
as possíveis consequências.”

Assim, foi com conhecimento de causa que as autoridades norte-americanas celebraram acordo de “colaboração” com a Odebrecht, em 2016. O documento previa o reconhecimento de atos de corrupção não apenas no Brasil, mas em outros países nos quais a empresa tivesse negócios. Caso recusasse, a Odebrecht teria suas contas sequestradas, situação que excluiria o conglomerado do sistema financeiro internacional e poderia levar à falência. A Odebrecht aceitou a “colaboração”.

A “lava jato” estava confiante de sua vantagem, apesar de ter ascendido sem a menor consideração pelas normas do Direito. “Quando Lula foi condenado por ‘corrupção passiva e lavagem de dinheiro’, em 12 de julho de 2017, poucos relatos jornalísticos explicaram que a condeação teve base em ‘fatos indeterminados'”, destacou o jornal.

Depois de condenar Lula e tirá-lo de jogo nas eleições de 2018, Sergio Moro colheu os louros de seu trabalho ao aceitar ser ministro da Justiça do novo presidente Jair Bolsonaro. Enquanto isso, os norte-americanos puderam se gabar de pôr fim aos esquemas de corrupção da Petrobras e da Odebrecht, junto com a capacidade de influência e projeção político-econômica brasileiras na América Latina e na África. Os procuradores da “lava jato” ficaram com o prêmio de administrar parte da multa imposta pelos EUA à Petrobras e à Odebrecht, na forma de fundações de Direito privado dirigida por eles próprios em parceria com a Transparência Internacional.

Conversão lucrativa
A recompensa que Sergio Moro escolheu para si também foi o início do fim de seu processo de canonização. Depois da eleição de Bolsonaro, veio à tona o escândalo da criação do fundo da Petrobras. O ministro Alexandre de Moraes frustrou os planos dos procuradores ao determinar a dissolução do fundo e direcionar o dinheiro para outras finalidades.

Em maio de 2019, o The Intercept Brasil começou a divulgar conversas de Telegram entre procuradores e Moro, hackeadas por Walter Delgatti e apreendidas pela Polícia Federal sob o comando do próprio Moro, enquanto ministro da Justiça. Elas mostram, entre outros escândalos, como Moro orientou os procuradores, e como estes últimos informaram os EUA e a Suíça sobre as investigações e combinaram a divisão do dinheiro.

Depois de pedir demissão do Ministério, Moro seguiu o mesmo caminho lucrativo de outros ex-agentes do DOJ e passou a trabalhar para o setor privado, valendo-se de seu conhecimento privilegiado sobre o sistema judiciário brasileiro em casos célebres para emitir consultorias, um posto normalmente bastante lucrativo. A Alvarez e Marsal, que o contratou, é administradora da recuperação judicial da Odebrecht.

Fonte: Conjur

O MAIOR ESCÂNDALO JURÍDICO DA HISTÓRIA


Projeto político e financeiro uniu a Lava Jato e a Transparência Internacional

A parceria visava administrar 5 bilhões de reais em prol do ‘Partido da Lava Jato’; a ONG nega as acusações e se diz vítima de perseguição

“O maior escândalo judicial da história”, segundo o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, está longe de ser completamente desvendado. O que se sabe até agora, a partir do vazamento das mensagens dos procuradores da força-tarefa do Ministério Público e do ex-juiz Sérgio Moro, é suficiente para chocar os cidadãos de bom senso, mas constitui uma parte ínfima do esquema político-partidário e econômico montado na “República de Curitiba”. Há muito mais. As ambições pessoais e os interesses pecuniários, revelam novos diálogos, uniram procuradores da República e diretores da Transparência Internacional, organização que, em tese, nasceu para denunciar a corrupção mundo afora.

Juntas, a força-tarefa e a ONG pretendiam gerenciar 5 bilhões de reais recuperados dos desvios na Petrobras em prol de um projeto eleitoral: consolidar o “Partido da Lava Jato” e pavimentar as ambições de poder de Moro e companhia.

Nessa parceria nada transparente, a Transparência Internacional e o Ministério Publico celebraram contratos que transferiam à ONG poderes de decisão e interferência sobre cerca de 5 bilhões de reais oriundos de acordos de leniência assinados por empresas acusadas de corrupção. O acerto, como outros do gênero firmados pela força-tarefa, passam ao largo dos órgãos de controle brasileiros.Leia também:Procuradores da Lava Jato se referiam a Gabriela Hardt como ‘Russa’Fachin rejeita recurso da PGR contra Lula, mas manda plenário do STF dar palavra final

Os negócios obscuros terão consequências. A direção mundial da organização, sediada em Berlim, decidiu abrir uma investigação a respeito da conduta de seus representantes no Brasil e de uma possível interferência na política do País, comportamento vedado pelas regras internas. Um grupo de advogados brasileiros se prepara para viajar à Alemanha e entregar ao board da Transparência os documentos, memorandos e acordos que comprovam a denúncia.Leia também:Rui Falcão aciona o STJ e denuncia ilegalidades na relação entre MPF e Transparência Internacional

Em paralelo, o deputado federal Rui Falcão, do PT, solicitou ao Superior Tribunal de Justiça que investigue os possíveis crimes de improbidade administrativa, infrações penais, faltas disciplinares e funcionais e graves prejuízos aos cofres públicos cometidos nesses acordos. Falcão também acionou o Tribunal de Contas da União a respeito de possíveis danos ao erário. Quem cuida do caso no STJ é o ministro Luis Felipe Salomão. Integrantes do Supremo Tribunal Federal apoiam a investigação. “Aguardamos a primeira manifestação do STJ. Todos os encaminhamentos estão prontos e os primeiros contatos com as autoridades alemãs foram feitos”, declarou o advogado Marco Aurelio Carvalho, fundador do grupo Prerrogativas e um dos responsáveis pela denúncia protocolada no tribunal superior junto ao advogado Fernando Hideo.

Diálogos entre Bruno Brandão, diretor-executivo da Transparência Internacional no Brasil, e Deltan Dallagnol, então chefe da força-tarefa, revelam que a ONG era convocada a defender a Lava Jato, em artigos e entrevistas, sempre que a operação era posta em dúvida. Ao mesmo tempo, as declarações dos representantes da Transparência se convertiam em libelos dos procuradores para pressionar as autoridades.

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As conversas também indicam a intenção de influenciar, inclusive, os rumos da política. Em maio de 2018, Dallagnol procura Brandão e solicita uma defesa pública do procurador Fernando Santos Lima, alvo de uma investigação por quebra de decoro no Conselho Nacional do Ministério Público.